Análise – Black Clover: Quartet Knights

por Echo Boomer

Não é fácil adaptar um filme ou série ao mundo dos videojogos, mas depois do sucesso de Naruto Ultimate Ninja, que marcou a geração anterior e a atual, os fãs de anime esperavam pela próxima grande adaptação. Com My Hero Academia: One’s Justice no horizonte e Seven Deadly Sins: Knights of Britannia já disponível nas consolas, resta-nos saber se Black Clover: Quartet Knights segue o modelo de sucesso dos seus antecessores ou se é, para infelicidade dos fãs, apenas mais uma adaptação sem sabor no meio de tantas outras.

Ao contrário de Naruto e dos seus rivais, Black Clover: Quartet Knights não é um jogo de luta puro e duro, mas sim um híbrido entre jogo de ação e um título online. Para nossa surpresa, somos colocados em arenas, muito limitadas, com uma equipa de até quatro jogadores onde temos um número simpático de objetivos por missão. O modo campanha, que nos dá uma história original, segue este mesmo modelo, dividindo a sua estrutura por capítulos e onde encontramos níveis focados no combate com o objetivo de eliminar todos os adversários, outros que se restringem a batalhas contra bosses e ainda capítulos dedicados à captura de objetos (como um Capture the Flag simplificado) ou de zonas.

Esta aposta numa vertente mais online não é surpreendente e faz, até certo ponto, muito sentido devido ao foco da jogabilidade em níveis pequenos e de curta duração. Quartet Knights é curto, muito curto até, mesmo para um jogo deste género, e aposta em combates muito intensos e caóticos para compor a sua jogabilidade e falta de longevidade. Sem este foco na estrutura online, as mecânicas cairiam por terra, mas nunca deixa de ser estranho ver uma campanha que é, para todos os efeitos, um modo online com bots. Apesar de ser muito funcional, esta estrutura faz-nos pensar que se trata de um jogo de baixo orçamento, algo que se torna mais evidente quando olhamos para as animações em jogo e em vídeo.

Mais estranho que a sua estrutura é o seu sistema de combate. Admiramos o seu afastamento do género de lutas, algo que teria sido mais fácil de adaptar tendo em conta a natureza do anime, mas Quartet Knights funciona como um jogo de ação, com câmara over the shoulder, onde passamos mais tempo a tentar localizar os nossos inimigos do que a combater. Temos à nossa disposição vários ataques, que podem ser melhorados nos modos online – juntamente com três classes distintas por personagem –, e ainda um leque saudável de lutadores para experimentarmos, mas a jogabilidade nunca deixa de ser pouco envolvente. Este é um jogo que adora ser confuso e que baralha acessibilidade com a facilidade dos seus combates, dando-nos uma experiência pouco desafiante, algo que é agravado devido à sua curta duração.

Quartet Knights quer ser um jogo de ação, mas coloca-nos a controlar um autêntico tanque em níveis ora vazios ora repletos de plataformas. A movimentação é pesada e os ataques lentos e insatisfatórios, algo que se agrava nas personagens de longo alcance. É difícil sentir que estamos a melhorar num jogo que não tem grande profundidade e onde passamos a maioria do tempo a carregar freneticamente no botão de ataque para vencermos a maioria dos combates. Existem ainda desafios por capítulo e novos níveis de dificuldade para explorarem, mas depois de concluírem a campanha, não terão vontade de repetir.

Com a presença de uma equipa, é suposto colaborarmos com os nossos companheiros, existindo a possibilidade de fazermos combinações e outros ataques mais destrutivos em grupo. Apesar deste foco, a sensação de camaradagem é insípida e pouco desenvolvida na jogabilidade e é comum vermos os nossos colegas perdidos pelo mapa. A história tenta criar esta ideia de equipa, dando-nos alguns momentos de humor entre as personagens, mas quando regressamos ao jogo, percebemos que apenas podemos depender das nossas habilidades. Os nossos companheiros só servem para efetuarmos combinações, algo que nos desapontou.

O foco no online cai também por terra quando não existe uma comunidade suficientemente forte para alimentar os seus modos. Aliás, nas nossas horas com o jogo, só conseguimos encontrar um único jogador online, algo que nos desmotivou. Felizmente, Quartet Knights deixa-nos jogar com bots e verificar o que nos espera na experiência online, mas para nossa surpresa, rapidamente percebemos que é exatamente igual à campanha. Sem a presença de jogadores reais, o modo online não apresenta nada de novo, colocando-nos nos mesmos cenários repetitivos e modos de jogo que a campanha nos apresentou. Os objetivos são os mesmos, as personagens são as mesmas e, para piorar a experiência, a jogabilidade torna-se ainda mais confusa devido ao nível de dificuldade implementado na IA dos adversários. E mesmo com esta nova dificuldade, o jogo é absolutamente fácil, ainda que mais frustrante. Se assim é, então para quê apostar no online?

O modo, em si, é muito vazio e depende da aleatoriedade das suas partidas para se tornar minimamente interessante. Nunca sabemos qual o objetivo e tipo de partida que nos espera, algo que poderia ser divertido se existisse uma comunidade em redor do jogo. No entanto, esta aleatoriedade torna-se também frustrante quando somos obrigados a jogar contra a IA e não temos qualquer poder de escolha.

Para além dos modos de jogo, Quartet Knights tenta motivar a nossa participação nas partidas online através da personalização dos lutadores, dando-nos algumas opções que podem interessar os jogadores mais sedentos por conteúdos adicionais. A personalização é, no entanto, muito simples e não vai além de novas cores e fatos para as personagens e ainda um ligeiro melhorando das habilidades e classes. No final do dia, estes extras são muito descartáveis e não são o incentivo necessário para apostarmos num modo tão vazio e morto como o online deste jogo.

Com uma campanha curta e uma falta de cuidado visual, Black Clover: Quartet Knights é um jogo demasiado vazio para captar a vossa atenção. Mesmo para os fãs do anime, a história não é suficientemente interessante para justificar a sua compra e a ausência de uma comunidade online, limita a longevidade já de si bastante curta. Têm a oportunidade repetir a campanha com novas personagens e apostar nos desafios, mas no final do dia, Quartet Knights não vos motiva a continuar. Este é um jogo só para fãs, mas, mesmo assim, aproximem-se com muito cuidado.

Black Clover: Quartet Knights está disponível para PlayStation 4 e PC (Steam).

Este jogo foi cedido para análise pela Bandai Namco.


 

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