Análise – Biomutant (PC)

Um mundo grande, grandes ambições e uma grande falta de foco.

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Biomutant chegou finalmente ao PC e consolas após atrasos e até quase um ano sem novidades. Já vimos este cenário repetir-se várias vezes, em particular com jogos que causam um grande e positivo impacto quando são revelados e que, no fim, não ficam só aquém das expectativas, como desapontam.

A nova aposta da Experiment 101 e da THQ Nordic aproxima-se imenso deste cenário, com um jogo ambicioso, mas com uma enorme falta de polimento por dar um passo maior do que a perna.

Revelado como um RPG de ação num mundo pós-apocalítico, com uma jogabilidade híbrida entre o uso de armas de disparo, espadas e artes-marciais, Biomutant oferece-nos exatamente isso e muito mais.

O grande destaque do jogo vai para a criação da personagem, que é um pequeno nod ao nome do jogo e ao que se passa no mundo. Neste modo, é-nos dada a escolha de estilo ou substância, onde as proporções e forma da nossa criatura conferem diferentes características bases como força, inteligência, sorte e outros indicadores tradicionais dos RPGs. Em cima disso podemos ainda mudar outros elementos estéticos e, por fim, uma de cinco classes (seis com a pré-reserva do jogo) que, na verdade, servem apenas como ponto de partida, pois ao longo do progresso do jogo, as escolhas de mutações, estilo de combate, escolhas de armas e habilidades permitem um cruzamento orgânico destas especialidades.

É, sem dúvida, um dos elementos mais interessantes, dando-nos a liberdade de jogarmos como quisermos, e é especialmente importante quando vamos passar dezenas ou centenas de horas em Biomutant.

Biomutant

Largados no mapa, o jogo torna-se intimidante, com uma enorme área dividida por diferentes biomas e regiões à espera de serem exploradas. Não estamos perante um cenário à lá Ubisoft onde pontos de interesse nascem mais rapidamente que cogumelos, mas dá-nos um sentimento semelhante pela falta de orientação e pela quantidade de side-quests desinteressantes que vamos acumulando.

Biomutant deixou-me frequentemente desorientado. O seu mundo massivo é grande em escala, mas disperso e vazio, apesar de um ótimo trabalho em preencher o mundo com elementos únicos. Colorido, vibrante e com uma verticalidade surpreendente que parece ter tirado notas a Breath of the Wild (que se tornou numa referência), a direção de arte e os visuais do jogo não são propriamente os pontos mais fortes do título, assemelhando-se com frequência a jogos de baixas produções, sem grandes sensibilidades criativas, onde tudo o que sai para o jogo, sai com o mesmo aspeto que entrou no software do Unreal Engine.

Visualmente, Biomutant chega a ser bizarro e de algum amadorismo até mesmo para um projeto considerado de produções AA, algo que pode ser observado facilmente nos modelos das personagens, nas suas animações rígidas e em alguns cenários vazios e insípidos. No geral, é como se Biomutant tivesse saído num estado Alfa ou Beta, ou fosse um remaster de um jogo de 2005.

As coisas melhoram com a jogabilidade propriamente dita – o combate é divertido e altamente moldável aos nossos gostos pessoais e ao arsenal que podemos ir encontrando, comprando ou modificando. Metralhadoras e espadas com uma estética cyberpunk/pos-apocalítica são sempre badass e Biomutant faz-lhe justiça ao oferecer-nos imensos combos de combate, que podem ser misturados com outras habilidades especiais.

Não tem o brio nem o polimento de, digamos, um Devil May Cry ou Nier (jogos com os quais Biomutant foi comparado aquando do seu anúncio), mas aproxima-se bastante desse registo. Infelizmente, as animações rígidas e a falta de feedback no impacto tornam os confrontos menos satisfatórios do que seria ideal, mas não deixa de ser um dos pontos fortes do jogo.

Biomutant

A nível de bizarrias e design, temos as interações com os NPCs, que nos dão missões, indicam-nos caminhos e contam-nos histórias. Este é, sem dúvida, o aspeto mais desapontante de Biomutant. A realização destas cenas é a mais básica possível com a aplicação de um efeito de profundidade extremamente agressivo e de baixa qualidade, mas o pior é a abordagem tomada pela Experiment 101, ao dar apenas uma única voz às personagens.

Neste mundo ninguém fala uma lingua que se compreenda, as personagens fazem barulhos e temos um narrador que traduz na terceira pessoa tudo o que estas dizem. É uma opção interessante, mas que cria uma enorme dissonância nos diálogos, pois temos a personagem a fazer barulho, as legendas e a voz a explicar depois, sendo fácil perder o fio à meada e cair na redundância nas escolhas de diálogo, que são também estranhas, não correspondendo ao que é por vezes indicado.

Outra característica interessante de Biomutant é a aura, uma espécie de sistema de consciência entre o bem e o mal, semelhante ao sistema de Paragon/Renegade de Mass Effect. Ao longo do jogo, vamos ter que escolher diferentes caminhos e decidir ajudar personagens que afetam a nossa aura e grande parte da jornada, em particular quando escolhemos com que facões nos queremos aliar. É interessante e pode tornar a experiência de jogo drasticamente diferente de jogador para jogador, mas a sua execução, com exceção em pontos chave, é muito superficial, sendo fácil perder o controlo de para onde é que queremos que a nossa aura se dirija.

Esta análise de Biomutant foi feita no PC (com um Intel Core i9, uma NVIDIA GeForce 2070, 32GB RAM DDR4 e um disco SSD de alta velocidade) e, curiosamente, apesar das minhas críticas a nível técnico e visual, Biomutant apresenta-se bastante otimizado e não me confrontei com bugs ou glitches durante a minha jornada. No PC são-nos dadas muitas opções de controlo e afinação e, quando colocado nas definições máximas, com resoluções 4K e a 60FPS, apesar das minhas críticas, até consegue ser (por vezes) bastante bonito.

Biomutant

Para os amantes da fotografia, Biomutant conta também com um modo para o efeito, para pausarmos o jogo durante a ação ou exploração, mas é pobre em opções: apenas apresenta zoom, movimento de câmara e opção para ligar o extremo efeito de profundidade. É pena a falta de funções, especialmente quando é um dos sítios onde o jogo mostra a sua verdadeira beleza.

Eu queria muito gostar de Biomutant. Na verdade, era um dos jogos que mais antecipava para 2019, 2020 e 2021. Sabia do que estava à espera a nível de produção, mas, ainda assim, desiludiu-me ao ponto de ser complicado avançar nesta aventura e tirar uma opinião válida.

As ambições são grandes, os conceitos e os temas interessantes, mas a falta de polimento geral e de foco naquilo que pretende ser tornam o jogo um pouco desesperante. Por vezes menos é mais e, sem dúvida, Biomutant iria ganhar com isso.

A minha proposta é que entrem em Biomutant com os pés assentes na terra, com as expectativas muito em baixo e que ignorem as suas qualidades mais amadoras, pois quando brilha, conseguimos sentir o charme e carinho dos produtores pelo jogo.

Biomutant chega ao PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Nota: Satisfatorio

Disponível para: PC, Xbox One e PlayStation 4
Jogado no PC
Cópia para análise cedida pela Dead Good Media.

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