Análise – Ayo the Clown (Nintendo Switch)

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Um alegre palhaço parte em busca do seu cão numa aventura aborrecida e pensada para os mais jovens.

Façam um exercício comigo. Como descreveriam uma bolacha seca e sem sal a outra pessoa? Falariam na textura arenosa com que se desfaz quando a trincam? E como reforçariam a sua falta de sabor? Ou fugiriam à questão e focar-se-iam no pacote das bolachas numa tentativa de evitarem a descrição da bolacha em si? É assim que me sinto ao escrever sobre Ayo the Clown, um novo jogo de plataformas que acaba de chegar à Nintendo Switch. É a minha bolacha sem sal.

Não tenho intenções de atacar desnecessariamente um jogo que é para os mais novos. Ayo the Clown é inofensivo, não apresenta uma má jogabilidade ou bugs injustificáveis que prejudiquem a experiência. É um título em 2.5D com modelos bastante coloridos e até definidos que parecem ter saído diretamente do Blender, e devo avançar que o level design também não é mau, assumindo uma estrutura muito clássica – de um mapa onde podemos escolher os seus níveis – onde terminamos cada zona numa batalha contra os bosses. Ayo consegue saltar, atacar, bater com a cabeça no chão, pairar no ar com o seu balão mágico e até transformar-se em vários veículos que dão alguma diversidade à campanha: mas é tão aborrecido.

Acredito que não faço parte do público-alvo e posso avançar que Ayo the Clown é um jogo bastante competente para jogarem com os vossos filhos, mas se são fãs de jogos de plataformas e procuram algo novo na Nintendo Switch, eu diria para baixarem as vossas expectativas. Ayo the Clown não faz nada errado, mas não tem alma. Não existe um desafio acentuado ou uma progressão eficaz que nos motive a continuar. Os saltos são aborrecidos e o design dos níveis, que é competente, repete-se ao longo de várias fases quase idênticas – ainda que apresente alguns destaques, como níveis onde somos um tanque ou onde navegamos obstáculos agarrados ao nosso balão.

A banda sonora torna a progressão ainda mais repetitiva e não suaviza o tédio de tentarmos encontrar os colecionáveis espalhados pelos níveis. Ayo the Clown apresenta todos os elementos clássicos de um bom jogo de plataformas, mas não é entusiasmante ou arriscado e peca por ter níveis demasiado longos para o tipo de desafios que oferece. É raro perdermos os três corações e voltarmos ao checkpoint anterior, e a duração excessiva dos níveis, que podem estender-se até aos dez minutos, retira prazer à jogabilidade. É o equivalente a uma rotina chata que nos relembra constantemente de que há algo melhor à nossa espera.

Ayo the Clown é uma bolacha sem sal, mas até a bolacha mais aborrecida e sem sabor tem um público, e a verdade é que nem todos temos de gostar do mesmo. Se calhar basta colocarmos um pouco de geleia ou de manteiga para cortar a sua textura seca, ou então gostam de algo mais simples, mas com um sabor particular.

Este é um jogo de plataformas demasiado seguro para me entreter, mas talvez encontrem algo nos seus cenários 2.5D e no seu foco na recolha de gemas e colecionáveis que eu não consegui identificar. Se calhar vocês conseguiriam descrever esta bolacha melhor que eu. Da minha parte, bem, é uma bolacha. Mais nada a dizer.

Nota: Satisfatorio

Disponível para: PC e Nintendo Switch
Jogado na Nintendo Switch
Cópia para análise cedida pela Plan of Attack.

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