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Análise – Atom RPG (Nintendo Switch)

Descubram esta homenagem russa à série Fallout e aventurem-se por um RPG clássico e bastante sólido.

Atom RPG

Sem aviso ou fanfarra, Atom RPG chegou à Nintendo Switch. A homenagem a Fallout, lançada no PC em 2018, é um RPG de ação à antiga com um enorme foco na exploração e na personalização, onde um atributo, seja a destreza da fala ou a força física, pode influenciar o rumo e o tom de uma campanha. É uma experiência clássica com uma longevidade empolgante, várias missões e um sentido de humor mordaz que nos transportam para um mundo desafiante que é prejudicado por bugs e problemas de desempenho.

A estreia na Nintendo Switch é estranha. Atom RPG é uma experiência pesada, repleta de menus e diálogos que exigem uma atenção aos pormenores, algo que poderá contrastar com a aposta na portabilidade da consola. No entanto, aqui estamos nós, com um RPG clássico e produzido para PC que cai que nem uma bomba na plataforma híbrida da Nintendo. Este caso é tão curioso que fui automaticamente atraído para Atom RPG e vi-me preso à sua campanha.

As influências de Fallout são claras e a Atom Team usa-as com orgulho. Até certo ponto, temos um Fallout na Rússia, com o Governo Soviético a servir de pano de fundo para esta aventura pós-apocalíptica. Como membro da ATOM, temos de encontrar uma caravana desaparecida e o misterioso bunker #317. Munido com uma pista vaga e mantimentos, somos atirados para o mundo selvagem e cruel deste RPG desafiante, e depois de um tutorial curto, somos assaltados, deixados para morrer e sem armas. Assim é a experiência de Atom RPG.

Mas nem tudo é cruel ou injusto. O mundo divide-se por várias zonas, através de um mapa extenso, onde encontramos vilas, acampamentos e fações amistosas ou hostil à medida que tentamos descobrir o paradeiro do bunker. Estamos constantemente a encontrar missões, aliados e novos itens que nos permitem continuar em frente. As zonas são curtas, relembrando muitos dos RPGs da década de 90, onde o foco está mais no diálogo e na construção do mundo do que no design imaculado de níveis. O que interessa é a consistência visual deste mundo, os seus desertos e a estética soviética que decora os edifícios desta sociedade em recuperação. Por isso, explorem e descubram todos os secretos e particularidades de Atom RPG, mas não esperem encontrar um mundo aberto e demasiado expansivo.

Na Nintendo Switch, o jogo assume uma jogabilidade mais tradicional, mantendo a sua visão isométrica, mas permitindo o controlo livre da personagem. Os movimentos são suaves e intuitivos, auxiliados pelo desempenho a 60fps, e raramente fiquei preso nos cenários ou nas personagens à minha volta. As salas estão repletas de itens e é necessário vasculhar armários, mesas, baús ou até cofres – seja por lockpicking ou por mera curiosidade – para encontrarmos materiais que nos permitem construir novas ferramentas e armas ou simplesmente sobreviver mais um dia. Os menus são, como seria de esperar, pensados para o PC, mas a Atom Team conseguiu simplificar e cortar alguma da frustração. É impossível substituir o rato nesta gestão de equipamentos, mas Atom RPG nunca se torna confuso, o que é perfeito.

Existem momentos em que parece que estamos perante um spin-off ou até mesmo uma sequela perdida de Fallout. Não só pelo design do mundo e das suas zonas mais curtas, mas também pelo sistema de combate, que assume uma vertente mais estratégica. Os combates surgem em tempo real, enquanto exploramos, e funcionam por turnos, oferecendo aos jogadores vários pontos de ação para se movimentarem ou atacar os inimigos. É preciso saber posicionar as personagens e escolher as armas – que são quebráveis, fica o apontamento – ideais para cada confronto, com cada ataque a ter uma percentagem de sucesso de acordo com a sua distância e o tipo de arma que estamos a utilizar. Se jogaram Fallout, sentir-se-ão em casa e saberão que Atom RPG não vive do seu combate, mas sim do mundo em si. É apenas funcional.

A personalização, por seu lado, dá uma enorme liberdade aos jogadores. É certo que não encontramos grandes novidades no seu sistema de atributos, mas podemos criar uma miríade de personagens distintas que mudam por completo a experiência da campanha. O meu foco manteve-se na diplomacia e na versatilidade em arrombar fechaduras, mas com o tempo, vi-me a utilizar a minha força para intimidar personagens através do diálogo. As opções vão surgindo de acordo com a personalidade que construímos para o nosso protagonista e como nos outros RPGs, existe também uma percentagem de sorte que determina o nosso sucesso. Seja um guerreiro implacável, a pessoa mais calma e diplomática, um autêntico ladrão ou vigarista, Atom RPG dá-vos espaço para experimentarem várias abordagens às missões da campanha.

Infelizmente, a sua estreia nas consolas não está livre de problemas. Os tempos de loading são extensos, especialmente quando entramos no mapa, e encontrei vários bugs que me retiraram da experiência. É normal vermos texturas que se sobrepõem às personagens, modelos desinteressantes, efeitos inacabados e uma sensação de vazio nos cenários. Não nos podemos esquecer que Atom RPG já tem dois anos e que se trata de uma produção independente, mas a Atom Team podia ter dado alguns retoques ao motor gráfico. O que é imperdoável, no entanto, são as gralhas constantes nos diálogos e a movimentação lenta no mapa-mundo, dois elementos que começam a pesar ao longo da campanha.

Apesar de alguns problemas técnicos, Atom RPG vive da narrativa, das missões e das estórias das suas personagens. Torna-se viciante encontrar novas opções de diálogos e situações inesperadas à medida que exploramos os acampamentos abandonados. Ouvimos estórias assustadoras sobre monstros radioativos e sobre assassinos implacáveis e ficamos a pensar se algum dia os iremos encontrar nas nossas viagens. Há uma sensação impecável de mundo vivido, coeso e com a sua própria fauna, apesar de ser sempre tão próximo do nosso.

Dou-vos um exemplo. Num encontro aleatório, deparei-me com três personagens à volta de uma fogueira. No início, pensava que se tratavam de mercadores com quem podia trocar mantimentos, mas estava longe da verdade. A primeira personagem com que falo, um guia, revela que está assustado porque não sabe se pode confiar nos seus dois companheiros. Durante a viagem, caíram num pântano e ele está desconfiado que um deles foi infetado por um parasita capaz de controlar humanos e manipulá-los para se alimentar. O guia não sai dali até ter a certeza que os dois companheiros não foram infetados e deixa-nos com uma pista: o parasita, ao controlar o seu hospedeiro, acaba por baralhar informações e memórias. O problema? Os três contam estórias ligeiramente diferente. Como resolver este problema? Está totalmente ao nosso critério e é essa a magia de Atom RPG.

Se já terminaram Pillars of Eternity 2: Deadfire e procuram uma experiência clássica na Nintendo Switch, então Atom RPG é obrigatório. É um RPG muito sólido repleto de ação, exploração e diálogos que nos agarra desde o início. Não impressiona a nível visual e sonoro, e existem mecânicas, como a necessidade de nos alimentarmos, que não são devidamente exploradas, mas compensa através da liberdade que oferece aos jogadores. Existem problemas de desempenho, mas o framerate mantém-se sólido e as gralhas são um descuido que se torna progressivamente irritante. Não tenham medo de explorar este mundo pós-apocalíptico.

Se já terminaram Pillars of Eternity 2: Deadfire e procuram uma experiência clássica na Nintendo Switch, então Atom RPG é obrigatório. É um RPG muito sólido repleto de ação, exploração e diálogos que nos agarra desde o início. Não impressiona a nível visual e sonoro, e existem mecânicas, como a necessidade de nos alimentarmos, que não são devidamente exploradas, mas compensa através da liberdade que oferece aos jogadores. Existem problemas de desempenho, mas o framerate mantém-se sólido e as gralhas são um descuido que se torna progressivamente irritante. Não tenham medo de explorar este mundo pós-apocalíptico.

Nota: Bom

Plataformas: PC e Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela ATOM RPG.

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