Análise – A Short Hike

Escalem até ao topo da montanha neste passeio alegre.

A Short Hike

O verão está a chegar ao fim. Os passeios de tarde, as idas à praia e as noites quentes na esplanada estão a dar lugar a dias mais curtos, à brisa fresca e à chegada das obrigatoriedades profissionais. Com o final do verão, vem o regresso ao trabalho e às aulas. A Short Hike, de Adam Robinson-Yu, é uma última memória de verão, das aventuras da juventude e das férias passadas com familiares no campo onde descobríamos novos amigos e locais.

Depois do lançamento no PC, o jogo de aventura encontra uma nova casa na Nintendo Switch, a consola perfeita para a experiência que procura proporcionar.

Em A Short Hike, seguimos Claire, uma jovem pássaro que está a passar férias com a sua tia, uma guarda florestal em Hawk Peak Provincial Park. Durante uma tarde de tédio, Claire sai em busca de rede para o seu telemóvel, mas sem sucesso. Para encontrar sinal, tem de subir até ao topo da montanha ingreme e intimidante no centro do parque, algo que apenas os mais audazes são capazes de fazer. A jovem está, no entanto, determinada em encontrar sinal e, contra todos os avisos, parte na sua árdua aventura à medida que conhece melhor os habitantes do parque e a si própria.

No seu cerne, a aventura de Claire é um jogo de exploração e plataformas onde temos o parque de Hawk Peak à nossa mercê. À medida que avançamos, descobrimos novos habitantes, colecionáveis e missões que nos ajudam a conhecer melhor o mundo de A Short Hike. As personagens são divertidas, calmas e oferecem sempre missões e minijogos fora do normal, como um jogo de voleibol onde ninguém perde, motivando-nos a descobrir todos os segredos da região. Ao descobrirmos novas ferramentas, temos acesso a atalhos, mas também a moedas e a colecionáveis que nos ajudam a avançar em direção à montanha. Não existe uma obrigatoriedade para conhecer todos os habitantes da região, mas A Short Hike é tão relaxante, calmo e sereno que me vi a desviar do caminho principal para me aventurar pelas zonas secundárias em busca de novos amigos.

A missão nunca deixa de ser clara e Claire mantém o foco na subida até ao topo da montanha, mas os limites físicos do parque e a sua interligação entre zonas criam uma enorme sensação de familiaridade à medida que exploramos. Existem várias zonas distintas, cada uma com a sua faixa musical e estilo visual, mas nunca nos perdemos. O design circular, não estivéssemos nós numa ilha, é uma mais-valia e é sempre empolgante encontrar atalhos e novos trilhos neste mundo de alegria e melhoramento pessoal.

Existe, no entanto, uma progressão ao longo da campanha, uma meta e uma metodologia por detrás da sua jogabilidade. Claire é um pássaro e, como tal, é capaz de voar e planar ao longo dos céus da ilha, mas com algumas limitações. No início da campanha, Claire só consegue saltar uma vez e planar de locais mais baixos, mas quanto mais descobrimos sobre a ilha e conhecemos os seus habitantes, mais encontramos penas douradas. Estas penas, que também podem ser compradas, permitem que Claire salte mais do que uma vez e que possa voar mais facilmente. As penas também servem para escalarmos as paredes e rochas da montanha, algo que se torna incontornável quanto mais avançamos na campanha. É uma adição pouco inovadora, mas o suficiente para nos dar uma maior motivação para explorarmos o mundo do jogo.

A Short Hike é o equivalente a um passeio descontraído ao final da tarde e o seu ambiente, banda sonora, cores e estilo visual transmitem perfeitamente essa sensação. Sentimos que estamos de férias, a acompanhar uma jovem aborrecida por estar longe de casa e da cacofonia da cidade, algo que já todos experienciámos. A aposta num mundo mais poligonal, algures entre o 3D da PlayStation e da Nintendo DS, dá-lhe uma sensação de déjà-vu, uma nostalgia das férias grandes da escola que passávamos a jogar consola ou a brincar com amigos. As cores quentes e as melodias doces, compostas por Mark Sparling, selam esta sensação de proximidade, de memória partilhada, pontuando os momentos de aventuras, mas também os desafios que encontramos na escalada pela montanha.

A Short Hike é curto, mas muito focado. A duração irá depender de vocês, da vossa determinação em falar com todos os habitantes e em completar as suas missões, seja a recolher conchas na praia, a motivar um pintor inseguro ou a ajudar um jovem a pagar as propinas. É uma viagem descontraída de descoberta e de perseverança, uma estória de juventude que Claire irá contar a amigos, familiares e aos seus próprios filhos. É reconfortante. Neste momento, não poderia existir um jogo mais acertado na Nintendo Switch e neste final de agosto, mesmo com a sua duração curta e alguns soluços no desempenho, é uma despedida segura.

Nota: Bom

Plataforma: PC e Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Adam Robinson-Yu.

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,074FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
653SeguidoresSeguir

Relacionados

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Chamadas de valor acrescentado têm os dias contados

A proposta do PAN foi aprovada no Orçamento do Estado para 2021 e não teve votos contra.

Lewis Hamilton, Dua Lipa e outros transformam-se em jogadores virtuais no modo VOLTA de FIFA 21

O que quer dizer que irão defrontar e jogar com estas personalidades.

Crónica dos Bons Malandros. Série estreia na RTP a 2 de dezembro

Depois do livro e do filme, uma série de oito episódios. Marco Delgado, Maria João Bastos, Rui Unas, Joana Pais...