Música – Álbuns essenciais (julho 2021)

Poucos mas bons, para animar o verão!

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Para ser franco, talvez com exceção de Animal, We’re All Alone In This Together e Vince Staples, todos os álbuns encaixam bem com o calor do momento. Sendo que Private Space, de Durand Jones & The Indications é o álbum que parte da pole position e Pink Noise de Laura Mvula, vem em seguida a completar a linha da frente na corrida por álbum com mais sabor a verão.

Não vou enumerar mais álbuns, caso contrário estragava o factor surpresa. Deixo-vos então com as minhas escolhas relativas ao mês de julho.

[Artigo de álbuns essenciais de junho]

Billie Eilish – Happier Than Ever

billie eilish happier than ever

Género: Pop/Electropop

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O que o álbum anterior trouxe de bom manteve-se sem ser uma réplica descarada. Ainda assim, Happier Than Ever ganha outra profundidade graças a uma Billie Eilish que sabe exatamente em que ponto está, com uma perceção fantástica de como os outros a vêem, agarrando nas rédeas dos media e dominando a opinião pública com uma certeza sem igual.

Essa certeza forma um álbum com alguma diversidade musical, unido pelas melodias cósmicas com a capacidade de embalar qualquer amante de música pop com uma pitada de eletrónica.

Happier Than Ever torna-se, assim, num retrato fiel ao presente de Billie Eilish, funcionando como uma janela aberta para o íntimo da cantora e a alavanca para um início de carreira muito sorridente. Os críticos que vendiam o álbum de estreia como um “One Hit Wonder” devem estar bem escondidos neste momento, porque do nada Eilish passa de estrela emergente a ícone do Pop da sua geração, sucedendo a Lorde (que também está preste a lançar novo álbum ainda este mês).

Nota: aconselho a ouvir este álbum com uns bons auriculares/auscultadores, ao invés de ouvir numa coluna.

Classificação do álbum: ★★★★★

Músicas a ouvir:

> I Didn’t Change My Number
> my future
> Lost Cause
> Your Power
> Therefore I Am
> Happier Than Ever
> Male Fantasy

Charlotte Day Wilson – ALPHA

charlotte day wilson alpha

Género: Soul/Rhythm and Blues

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Após nove longos anos a lançar singles e mixtapes, eis que surge o álbum de estreia de Charlotte Day Wilson. Traz consigo tudo o que prometeu… e ainda mais!

ALPHA podia ter seguido o caminho normal de qualquer álbum com nuances de Jazz e Soul, mas Wilson deixou literalmente tudo “em campo”. Isso envolveu empregar bem a sua mestria a nível lírico e, sobretudo, a forma sensacional como misturou os seus vocais com os instrumentos musicais, criando uma relação de simbiose quase sublime entre os dois.

Na minha honesta opinião, é esta simbiose tão natural que confere um autenticidade sem igual a este álbum. Se são fãs de Jessie Ware, estou certo que vão adorar Charlotte Day Wilson que, com uma voz semelhante, explora áreas musicais mais orgânicas.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Strangers
> I Can Only Whisper (ft. BADBADNOTGOOD)
> If I Could
> Mountains
> Take Care of You (ft. Syd)

Clairo – Sling

clairo sling

Género: Folk Rock/Baroque Pop

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Faz dois anos que Clairo tomou a indústria de assalto com as suas primeiras tentativas bem sucedidas no Bedroom Pop, sendo que Bags constou no meu top 100 de melhores músicas de 2019 (em 6º).

Este ano, os géneros abordados são mais fluidos, fazendo de Sling um álbum maravilhoso e bastante agradável, afastando-o assim da vertente musical de Immunity. Mas se com Immunity se desenvolveu um espetro de intimidade, com Sling esse espetro dilata em algo maior: um ombro amigo sobre o qual nos podemos debruçar, pura e simplesmente pelo conforto do mesmo.

Ainda que Clairo recorra a ídolos como referências (como uma sonoridade característica do Folk dos anos 70), estou certo que, num bom punhado de anos, Clairo seja a referência da próxima geração de músicos.

Pessoalmente fiquei mais fã do primeiro álbum, mas considero que ambos estejam equilibrados a nível de qualidade: um a fugir mais para o Indie, outro para o Folk.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Bambi
> Amoeba
> Zinnias
> Harbor

Dave – We’re All Alone In This Together

dave were all alone in this together

Género: Rap

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Se o primeiro álbum de Dave já tinha impressionado, este deixou-me rendido. Do grind a afrobeats, WAAITT tem de tudo. Contudo, o que impede este álbum de cair no erro de parecer uma coletânea, reside na forma como foi montado, algo sequencial, lógico e que deixa tempo para absorver o sumo de cada abordagem musical – nem que para isso as músicas tenham de ter um comprimento fora do consenso. A maravilha das músicas mais longas deste álbum é que estão extremamente bem orquestradas, principalmente a “Both Sides Of A Smile” com a colaboração de James Blake (cujo novo álbum está em vias de ser lançado).

Falando de colaborações com sucesso, este álbum tem uma ou outra, como nos casos de “Clash” com Stormzy e “System” com Wizkid.

A meticulosidade de WAAITT, elevado pela forte capacidade liricista de Dave, coloca-o na discussão dos melhores rappers da atualidade (com muita facilidade).

Classificação do álbum: ★★★★★

Músicas a ouvir:

> Verdansk
> Clash (ft. Stormzy)
> In The Fire
> System (ft. WizKid)
> Both Sides Of A Smile (ft. James Blake)
> Twenty To One

Durand Jones & The Indications – Private Space

durand jones and the indications private space

Género: Retro-Soul/Contemporary R&B

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Este estilo de música não se encontra por aí com facilidade. Por isso, por muito clichê que possa ser, acaba por ser sempre uma lufada de ar fresco bem-vinda (principalmente no verão).

Durand Jones & The Indications não inventam nem reinventam a roda, mas com certeza que a fazem rodar em direção a uma pista de dança, onde qualquer um se pode identificar com o flow desta banda e partilhá-lo com o próximo.

Francamente, este álbum é delicioso e o flow é de um positivismo e alegria ímpar. Ouçam, não se vão arrepender.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> Love Will Work It Out
> Witchoo
> Ride Or Die
> The Way I Do

Half Waif – Mythopoetics

half waif mythopoetics

Género: Synth-Pop/Electronic

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Após alguns anos a tentar entrar em sintonia com Half Waif, finalmente encontrei o álbum facilitador. Mythopoetics é provavelmente o álbum mais acessível de Ananda Rose Plunkett até à data. É também o álbum que ajuda a compreender melhor o quão completa e flexível é a voz de Plunkett, tendo a capacidade de teletransportar-nos de dimensão em dimensão sem sairmos do lugar, então o vibrato é a cereja no topo do bolo. Vibrato esse que se emancipa muito devido à instrumentalidade deste álbum.

Posso parecer suspeito, mas considero Mythopoetics o “Holy Grail” da carreira de Half Waif. Daqui para a frente, vão ser só coisas boas, pois Plunkett, mais do que a sua voz, encontrou o som perfeito para a mesma.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Swimmer
> Fortress
> Sourdough
> Party’s Over
> Horse Racing

Laura Mvula – Pink Noise

laura mvula pink noise

Género: Synth-Pop/Pop

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Laura Mvula caminhou, devagar, mas caminhou sem nunca parar. Finalmente chegou ao destino que sempre almejou e certamente onde merece estar. Destino esse onde poucos artistas se podem gabar de ter chegado após um início de carreira mais murcho.
O potencial sempre foi imenso e, em Pink Noise, o resultado está à vista: um álbum bem construído, cativante, descontraído e divertido.

A voz de Mvula, cheia de orgulho e coragem, é uma benção para quem é amante dos seus ídolos (tais como Eryka Badu, Des’ree, Lauryn Hill, Diana Ross, entre outros). No que toca à sonoridade, há muitas influências do Pop Norte-Americano típico dos anos 80/inícios dos anos 90.

O ponto mais forte de Pink Noise? O facto de estar tão bem construído torna difícil escolher músicas a ouvir. Como tal, aconselho a ouvirem-no na íntegra. Este é sem dúvida alguma um dos melhores álbuns de 2021!

Classificação do álbum: ★★★★★

Músicas a ouvir:

> Como referi acima, é essencial ouvir o álbum Pink Noise na íntegra.

LUMP – Animal

lump animal

Género: Retro-Electro/Art Pop

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Sendo que Laura Marling empresta a sua voz a esta colaboração, algum dia ia correr mal? A resposta é um grande “não”.

No ano passado, Marling lançou o álbum Songs For Our Daughter que foi um sucesso e a presença no meu Top 50 de melhores álbuns do ano foi imprescindível. Este ano, em parceria com Mike Lindsay, nasceu LUMP, um projeto que começou com pé direito e tem tudo para continuar a dar certo.

Com sonoridades maioritariamente eletrónicas, carregadas de uma melancolia abismal, Animal é um produto final intoxicante. É fantástico ver o poder da voz da Marling em uníssono com estas melodias retro de ritmo lento, nota-se que está no controlo e ainda bem.

Fica o desejo de chocar com esta parceria mais vezes no futuro. Nos entretantos, se quiserem ouvir algo foram do comum metam este álbum a rodar, fixem o nome: LUMP.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Bloom At Night
> Animal
> Paradise
> We Cannot Resist

Vince Staples – Vince Staples

vince staples vince staples

Género: Hip-Hop

Ouvir no Spotify

Longe da mestria e irreverência que tão bem o caracteriza, Vince Staples lança o seu self titled album e apenas cumpre os serviços mínimos.

Ainda que tenha um punhado de faixas cativantes, no projeto mais pessoal do rapper até agora, peca por as músicas não viverem de acordo com todo o potencial que têm. O motivo? Simples. Rara é a música com mais de dois minutos e meio de duração e não há nenhuma com os três minutos de duração convencionais.

É verdade que Vince Staples diz tudo o que precisa e passa a mensagem que quer em pouco tempo. Em 22 minutos para ser mais concreto. Contudo, sabe a muito pouco e quando se espera que a música chegue ao seu clímax, just for the sake of it, esta termina subitamente. Aceito o facto das músicas de Vince Staples nunca terem sido conhecidas pela longa duração, mas neste álbum chegamos a um novo extremo.

O que podia ser mais um álbum memorável do rapper californiano fica só pelo “bom” a cair para o “bom menos”. Na verdade, não passa de uma mixtape pessoal, dotada de uma sonoridade mais agradável que o normal.

Classificação do álbum: ★★★★

Músicas a ouvir:

> ARE YOU WITH THAT?
> LAW OF AVERAGES
> THE SHINING
> TAKE ME HOME (ft. Fousheé)

WILLOW – lately I feel EVERYTHING

willow lately i feel everything

Género: Pop-Punk/Alternative Rock

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Do R&B para o Rock, em fase inicial de carreira, num estalar de dedos? Deveras surpreendente.

Apesar de não ser um álbum polido, é mais uma afirmação para Willow (filha de Will Smith), composto por várias músicas que ficam no ouvido de quem prezar Pop Rock. Apesar deste registo não ser o mais usual para a jovem cantora, pode-se dizer que, ao longo de toda a panóplia de géneros sobre os quais se debruça, consegue espremer algo especial – seja Alternative Rock, Pop Rock, Pop-Punk, Emo ou até Nu Metal.

As colaborações ajudam bastante a embelezar este álbum e a conferir-lhe outra credibilidade, dando-lhe assim um toque especial, com Travis Barker a brilhar em três faixas, numa das quais entra Avril Lavigne e ainda Tierra Whack, Cherry Glazerr e Ayla Teste-Mabe.

Contudo, se Willow não tivesse talento, não haviam colaborações que salvassem este álbum. Há um longo caminho a percorrer, mas lately I feel EVERYTHING é uma pintura honesta e íntima das emoções de fim de adolescência de Willow Smith.

Classificação do álbum: ★★★½

Músicas a ouvir:

> t r a n s p a r e n t s o u l (ft. Travis Barker)
> Come Home (ft. Ayla Tesler-Mabe)
> XTRA (ft. Tierra Whack)
> G R O W (ft. Avril Lavigne & Travis Barker)

Yola – Stand For Myself

yola stand for myself

Género: Country Rock/Americana

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Produzido por Dan Auerbach, Stand For Myself é o 3º álbum de uma carreira que pecou por ter começado tarde. Isto porque Yolanda Claire Quartey, nascida em Bristol (em 1983), vem de um contexto social desfavorável, onde o trabalho duro ordinário sempre se sobrepôs ao talento e aspirações artísticas. Ainda assim, apesar de sempre ter sido desencorajada pela sua família a apostar numa carreira musical, Yola nunca desistiu do seu sonho.

Com voz para Rock e Jazz, géneros muito distintos, a sorte não lhe sorriu numa carreira a solo. Começou simplesmente por ser cantora a contrato para bandas menores e a dar voz a músicas soltas de DJ/Produtores. Foi só em 2013, após o falecimento da sua mãe, que Yola despontou com o extra de ter aprendido a tocar guitarra. Três anos depois estava a lançar o seu primeiro álbum em formato de Extended Play. Já em 2019 saltou para as luzes da ribalta, que há mais de uma década estavam acesas à sua espera, com o álbum Walk Through Fire.

Este ano é com Stand For Myself, um álbum fresco e sincero, que se afirma no panorama Country/Americana (o que é interessante, visto que Yolanda é britânica), provando que o talento musical não conhece barreiras nem preconceito.

Classificação do álbum: ★★★★½

Músicas a ouvir:

> Barely Alive
> Dancing Away In Tear
> Starlight
> If I Had To Do It All Again
> Now You’re Here

A palavra que melhor sintetiza o mês de julho é “flow”, pois os álbuns que surgiram no arranque do verão foram deliciosos para quem gosta de estar descontraído, acompanhado de música agradável e relaxante.

Em contra-corrente quero ainda deixar a dica para um EP que não entrou na seleção, mas que merece ser referido: American Noir, dos Creeper. Exatamente há um ano estavam a entrar na seleção de álbuns essenciais de julho com Sex, Death & The Infinite Void e posteriormente a carimbar presença na minha seleção de 50 melhores álbuns de 2020, com um modesto 22º lugar. Este ano foram mais discretos, mas a fórmula manteve-se e a qualidade continua bem patente.

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