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Crítica – “Ad Astra”

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Esta é a história do astronauta Roy McBride (Brad Pitt), enquanto este viaja para as extremidades do sistema solar com o objetivo de encontrar o seu pai desaparecido e desvendar um mistério que ameaça a sobrevivência do nosso planeta. Nesta expedição, Roy irá descobrir segredos que desafiam a natureza da existência humana e o nosso lugar no universo.

Adoro filmes sci-fi no espaço, especialmente quando estes mostram o cosmos de uma forma visualmente deslumbrante como Ad Astra. É daqueles filmes onde os visuais elevam qualquer narrativa que esteja a ser descrita. Se não ficarem com arrepios ou entusiasmados com a sequência de abertura, então poderá não ser o filme que procuram.

Desde a produção sonora silenciosa, mas poderosa, à cinematografia impressionante, James Gray oferece uma história visualmente cativante com um protagonista notável. Brad Pitt receberá dezenas de nomeações durante a temporada de prémios (é preciso não esquecer o seu papel incrível em Once Upon a Time in Hollywood).

O seu desempenho subtil, mas extremamente emocional, mostra um alcance surpreendente. Carrega o argumento inteiro nos seus ombros, e não me importo nada com isso. No entanto, existe imensa narração, e é aqui que aproveito para fazer a transição para o aspeto mais divisivo do filme: é o chamado slow-burn.

Não há nenhum problema em relação a um filme ser deliberadamente lento. Na verdade, uma boa parte dos meus filmes favoritos de sempre não têm um ritmo acelerado. Valorizam a sua história e fazem o público sentir-se interessado no que estão a ver. Ad Astra não é um filme de ação ou uma comédia, é um drama character-driven (neste caso, guiado exclusivamente pela personagem principal), logo a maior parte do tempo de execução é dedicada ao desenvolvimento de Roy.

Dito isto, não entrem no cinema com expetativas de se sentirem entretidos o tempo todo. Alguns momentos não são supostos deixar o público excitado ou de queixo caído. Algumas sequências estão apenas destinadas a fazer os espetadores sentirem-se imersos pelo ambiente, sentirem-se perdidos no espaço (IMAX é o formato obrigatório para assistir a esta película). Não esperem que o filme transforme uma viagem de 80 dias para um planeta em dois cortes e 20 segundos. Gray estabelece propositadamente um ritmo lento.

Obviamente, o público geral não costuma desfrutar deste tipo de filmes, mas, se forem capazes de controlar as vossas expetativas de forma realista, estarão um passo mais perto de não se sentirem entediados durante toda a duração.

O primeiro ato é aquele que capta a atenção de todos. Não perde tempo na Terra, explica o que está a acontecer muito rapidamente e possui 90% da ação mais importante (incluíndo uma das melhores sequências de abertura do ano). O som tem um impacto significativo sobre como Gray filma as suas sequências, e é inacreditável o quão bem filmadas as cenas de perseguição na Lua são.

Cientificamente, não é um Interstellar, onde temos simplesmente que aceitar algumas cenas alucinantes e injustificadas. Ad Astra não tem um único momento onde se fica a pensar “isto tira-me completamente do filme, não consigo aceitar que isto é possível num futuro fictício”. É um elogio enorme a um filme do espaço que contém várias descolagens, bases lunares e viagens (muito) longas.

No entanto, os restantes atos concentram-se intensamente na personagem de Pitt, atrasando o enredo principal. Como escrevi acima, muito do desenvolvimento é feito através dos pensamentos de Roy. Narração extensa é quase sempre um problema, mesmo quando o narrador é Brad Pitt. Alguns monólogos realmente desenvolvem a personagem ou explicam o que esta está a sentir, mas outros tendem a cair no lado filosófico que nem sempre carrega uma mensagem significativa ou interessante. Usando linguagem quotidiana, às vezes é um pouco aborrecido…

Além disso, o final pode ser uma deceção para muitas pessoas. Tommy Lee Jones (H. Clifford McBride) não tem muito tempo de ecrã e não posso mergulhar em detalhes sobre a sua história, mas o relacionamento da sua personagem com Roy não serve exatamente como uma recompensa fantástica.

A banda sonora de Max Richter é uma das melhores de 2019 e espero que seja reconhecida por todas as cerimónias de prémios. Ajuda, definitivamente, a experiência a ser mais fascinante. A falta de som no espaço também é poderosa à sua maneira. Perfeitamente editado, mas com um ritmo continuamente lento que não muda a partir do momento em que o segundo ato começa.

No entanto, a história de Ad Astra é muito superior a, por exemplo, The Lost City of Z, também pertencente à filmografia de Gray, que genuinamente desgosto. Esta aventura pelo universo é visualmente mais entusiasmante, a sua história é mais envolvente e o seu protagonista é mais convincente do que tudo o resto na parcela anterior de Gray.

Finalmente, é um daqueles filmes que assistir num cinema (principalmente em IMAX) ou em casa faz uma diferença enorme. Nunca se sentirão tão entretidos ou cativados em casa, por isso, certifiquem-se de ver esta película no melhor ecrã possível.

Resumindo, Ad Astra é mais uma vitrine para as chances de Brad Pitt ganhar um Óscar. Com uma prestação subtil, mas poderosa, Pitt carrega toda a história para “porto seguro” com uma ajuda magnífica dos visuais impressionantes. Tecnicamente, é um dos filmes de 2019 mais próximos da perfeição. Muito bem filmado, bem editado, com uma banda sonora imersiva e uma cinematografia linda de morrer.

No entanto, é um slow-burn que nem sempre funciona como tal. Narração é o método número um para desenvolver a personagem de Pitt e, apesar de funcionar na maioria das vezes, atrasa o plot principal, tornando-se um pouco aborrecido durante alguns momentos.

O final não é a recompensa impactante que o filme precisava e o elenco secundário incrível é pouco aproveitado, servindo apenas para exposição. No final, não deixa de ser um excelente filme e um que deve ser visto no maior e melhor ecrã possível, por isso, comprem bilhete e façam a vossa própria opinião!

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