A Patanisca – uma iguaria lisboeta, com certeza!

por Cláudia Silva

O concurso A Melhor Patanisca de Lisboa surge no âmbito da 12ª Edição do Festival Gastronómico O Peixe em Lisboa, que este ano está de regresso a Lisboa, entre os dias 4 e 14 de abril, prometendo deixar os visitantes do Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, com água na boca.

Desenvolvido pela organização do Peixe em Lisboa, e em colaboração com o reconhecido gastrónomo Virgílio Gomes, este concurso pretende recriar O Melhor Pastel de Nata de Lisboa, focando-se, desta feita, no peixe como tema.

As pataniscas, essas, foram o petisco escolhido não só por serem feitas à base de bacalhau, que é o peixe mais consumido em Portugal, como também por ser uma das receitas mais emblemáticas e típicas de Lisboa, bem como das mais versáteis: podem ser consumidas enquanto petisco, entrada ou até mesmo integrar a composição de um prato principal, acompanhadas geralmente de arroz de feijão ou de tomate. Com critérios de confecção bastante específicos, a patanisca é, também, um alimento relativamente fácil de avaliar de forma imparcial.

A ideia do concurso passa por promover mais a gastronomia típica lisboeta, renovando-a (de certa forma reciclando-a) e dando-lhe um novo ar e uma nova imagem, mas nunca descurando o aspeto histórico desta tão típica iguaria.

Segundo Virgílio Gomes, esta data já de 1876, altura em que está documentada como sendo denominadas de “bolinhas de bacalhau à holandesa” pelo seu aspecto mais volumoso da altura; hoje em dia, a patanisca tem um aspeto mais achatado, assemelhando-se idealmente a uma bolacha. Mais recentemente, no Livro de Bem Comer, publicado nos anos 80 do século passado, a patanisca volta a ser referenciada, por José Quitério, como pertecente ao receituário gastronómico de Lisboa.



Já em 2014, Maria de Lurdes Modesto – um dos elementos do júri do concurso, publica um capítulo (intitulado de “pontos nos i’s das pataniscas”), inteiramente dedicado à confecção e sabor/aparência deste petisco, no seu livro Sabores com Histórias.

Se há quem diga que a prefere com mais volume (“como um sonho”, segundo Maria de Lurdes Modesto), há quem diga que as prefere mais achatadas, sem ficarem rijas, e bem escorridas da gordura em que foram fritas (receita ideal para Virgílio Gomes).

Formas e feitios à parte, facto é que deliciosa a patanisca nunca deixa de ser!

Se, no primeiro ano deste concurso, foi a Casa do Bacalhau que saiu vencedora, e no segundo ano foi o D’Bacalhau que provou conseguir confeccionar a patanisca considerada mais saborosa pelo júri do concurso, este ano, pela sua terceira edição, as apostas estão altas – como para Marlene Vieira, reconhecida chef nacional, que está a concorrer este ano pela primeira vez.

A apresentação deste concurso foi feita em parceria com a Yellow Bus Tours, a bordo de um dos seus elétricos típicos que, ao longo de 1h30, percorreu algumas das mais emblemáticas zonas da cidade – algo que faz todo o sentido, tendo em conta que a patanisca está historicamente documentada como tendo tido origem em Lisboa – com direito a degustação de “pataniscas em miniatura” pela mão da chef Marlene Vieira.

Se já estão com água na boca só de ler este artigo, anotem já na agenda o dia 4 de abril – dia de abertura deste grande festival gastronómico. Aqui encontrarão e poderão provar os melhores e mais requintados sabores para os amantes de peixe e marisco!

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