A magia falhou numa noite de Novo Amor

por Bernardo Bismarck

Foi no passado dia 7 de maio, numa noite chuvosa, que Lisboa teve a tão solicitada presença do projeto Novo Amor, neste caso no Lisboa ao Vivo. “Após muitos pedidos nas redes sociais cá estamos”, disse Ali Lacey, mentor do projeto.

A sala estava esgotada e pronta a horas para receber as músicas de Novo Amor, que tem vindo a criar sensação graças ao seu primeiro EP Woodgate, NY, lançado em março de 2014, e que, desde logo, captou a atenção de todos graças ao seu estilo indie rock/folk, mas com uma beleza peculiar da harmonia da voz do vocalista. Por falar em álbuns, o que deu razão a Novo Amor para vir a Portugal foi o mais recente Birthplace, editado em outubro do ano passado e bem aceite pela crítica musical.

Lisboa marcou o regresso do cantor aos palcos após um mês de intervalo entre a tour nos EUA, dando assim o pontapé de saída para a Europa. Pouco depois da hora marcada, os elementos do projeto entraram em palco para, desde logo, arrancarem com “Emigrate” e “Birthplace”, a intro do seu último álbum. Aqui, ficámos logo a perceber que a voz de Ali não desilude na sua harmonia única e simplista, que hipnotiza muitos nos álbuns. Ficámos (quase que) hipnotizados, mas sentimos que algo não estava certo. A voz estava lá, mas a harmonia nem tanto. A voz de Ali Lacey, voz secundária e instrumentos pareciam pouco alinhadas e ensaiadas em temas como “Sirens”.

De facto, a banda admitiu não ter ensaiado durante o mês da tour, mas terá sido isso a causa que fez com que estas novas músicas, que são mais mexidas, tenham falhado? Também se sentiu a falta de alguns instrumentos (como a trompete) que temos presentes neste último álbum, mas que, como não estão em palco, nota-se logo esse espaço vazio em cada tema apresentado.

O mais próximo que tivemos de sentir a verdadeira magia de Novo Amor foi nas suas músicas mais acústicas, como o êxito “Carry You”, “Anchor” e “Holland”. Entre afinações de guitarras, o vocalista permitiu questões do público, em que uma foi a tão esperada “Porquê o nome em português?”. Não tivemos direito a explicação, mas, logo de seguida, surgiu um pedido para voltar, tendo Ali Lacey prometido um regresso.

O concerto foi calmo e com pouca alma. Não se fez sentir a magia de Novo Amor. Resta dar uma segunda oportunidade no tão prometido regresso para ver se consegue encantar o povo que esgotou a estreia.

Fotos de: Carlos Mendes

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