Ace Combat 8: Wings of Theve Review: Na sombra do antecessor

- Publicidade -

Ace Combat 8: Wings of Theve leva-nos de volta aos céus numa fantástica aventura, com maior foco narrativo, mas sem as emoções e o espetáculo capaz de atingir as alturas do seu antecessor.

Apesar de conhecer bem a série dos tempos da PlayStation 2, entrei em Ace Combat 7: Skies Unknown com uma curiosidade cultivada pelo word of mouth, que o gabava como o melhor da série até à data. Mergulhando nos seus céus azuis, rapidamente comprovei os elogios a que teve direito e, ao fim da sua campanha, mais precisamente na penúltima missão, Ace Combat 7: Skies Unknown não se cimentou apenas como o melhor da série que já tinha jogado até à data, mas também como o mais completo, emocional e marcante, e um dos jogos mais memoráveis de sempre para mim. Tanto que a sua banda sonora e o inacreditável tema “Daredevil”, de Keiki Kobayashi, ainda me acompanham nas minhas playlists diárias. Assim, entre visuais de ponta, uma jogabilidade arcade extremamente afinada e libertadora, e set pieces de louvar, literalmente, aos céus, Ace Combat 7: Skies Unknown deixou-me com uma simples questão, de resposta bem complicada: como é que o próximo capítulo da série pode atingir as alturas a que este me levou?

Ace Combat 8: Wings of Theve chega assim para tentar responder a isso com mais um emocionante capítulo para a saga que, apesar de não mudar muito a fórmula, conta com todos os ingredientes que o jogo anterior nos trouxe, expande alguns elementos e apresenta-se até como uma excelente porta de entrada para jogadores modernos que nunca pegaram num Ace Combat.

Os aviões continuam a ser as estrelas, mas os pilotos são os protagonistas.

Depois de afinar a jogabilidade, as suas mecânicas e uma apresentação fotorrealista, o próximo passo lógico da saga seria alterar a forma como conta uma história que dá suporte e justifica os nossos atos e missões. E é na narrativa que Ace Combat 8: Wings of Theve realmente se afasta dos jogos anteriores. Desta vez, a equipa da Bandai Namco abandonou cinemáticas pré-renderizadas, cartões estáticos e até cães em PNG, e abraçou o potencial do Unreal Engine 5 para colocar o jogador mais envolvido na ação e na trama, com cinemáticas em tempo real na primeira pessoa e um elenco diverso de personagens com histórias e motivações próprias, que tentam sobreviver e deixar a sua marca num mundo de nações fragmentadas e de dramas geopolíticos. Os aviões continuam, obviamente, a ser as estrelas que se refletem nos olhos desta criança de 10 anos – agora a bater à porta dos 40 – cuja infância foi passada a colecionar revistas de aviões e a montar modelos da Revell, mas são os pilotos e o bando do esquadrão Joker Flight os verdadeiros protagonistas.

ace combat 8 review echo boomer 2
Ace Combat 8: Wings of Theve (Bandai Namco / Echo Boomer)

Enquanto jogadores, assumimos o papel de um piloto sem nome que, após um acidente enquanto ajudava como copiloto um lendário piloto conhecido como Wings of Theve, acaba por o substituir em segredo, adotando o seu nome real, Rex, e identidade pública. Torna-se assim num símbolo da liberdade para vencer a guerra. Esta é a premissa mais anime que possam imaginar, onde nunca nada é particularmente bem explicado, mas tudo é levado a sério de forma bem dramática até ao limite, tornando todas as missões extremamente importantes e definitivas para o sucesso da guerra. Ao nosso lado, voa um elenco de personagens bem carismáticas, como Baxter, ou Professor, um veterano experiente; Tasha, uma jovem civil tornada piloto; Coster, um ex-músico; e, claro, o próprio Wings of Theve, cuja presença se mantém apenas em voz, nos pensamentos do nosso piloto, ecoando claras inspirações nas histórias e várias versões de Char Aznable, da série Mobile Suit Gundam.

Ao longo do jogo, entre missões, há muita interação com estas personagens, em quase intervalos da ação onde as conhecemos melhor, ouvimos os seus diálogos e vemos desenvolver-se o drama que dá contexto às missões. Apesar de tudo acontecer na primeira pessoa e em tempo real, admito que fiquei um pouco desiludido ao ver o jogo a tirar-me o comando das mãos. Não há qualquer liberdade para mover a nossa personagem pelos ambientes, nem escolhas de diálogo complexas ou ramificações que nos permitam envolver-nos ainda mais. Estes momentos acabam por não explorar bem o seu potencial, para além de nos deixarem mover ligeiramente a câmara e fazer zooms desnecessários. Este potencial também é desperdiçado quando grande parte da exposição continua a acontecer nos tradicionais briefings, que são por vezes longos demais para a informação simples que querem fornecer. Ao tornam-se especialmente aborrecidos, afetam a forma como absorvemos a história, quando alguns dos seus pontos mais importantes também são aqui partilhados.

Desta vez, não somos lobos solitários.

Embora o jogo faça um excelente trabalho com a dinâmica da equipa – muito mais presente agora durante os voos, com conversas e interações entre os seus membros, algumas em resposta às nossas ações e decisões durante as missões -, admito que, no fim, acabei por não apreciar tanto a história como gostaria. Apesar do esforço da equipa de produção em dar mais brio e presença ao elemento narrativo, o seu potencial é, em parte, explorado de forma pouco convincente. Com uma escrita que é, por vezes, demasiado foleira para o meu gosto, com dramatizações forçadas e com diálogos que se preocupam demasiado em ser muito poéticos e profundos. Lá está, é tal e qual como um anime genérico.

Escusado será dizer que, mesmo com esta nova camada, não senti as emoções e a adrenalina que Ace Combat 7: Skies Unknown me fez sentir com muito menos. Até a banda sonora, que é objetivamente excelente, em Ace Combat 8: Wings of Theve parece ficar em segundo plano, com temas mais conservadores, com muitos silêncios e ao da uma maior atenção aos diálogos dos nossos colegas, que aqui são muito mais tagarelas, para além de serem vozes de rádio sem caras. E, definitivamente, nenhum tema me ficou na cabeça como “Daredevil”. No entanto, ficou uma música irritante cantada na rádio pelos “maus”, sempre que os seus esquadrões entram em cena.

ace combat 8 review echo boomer 3
Ace Combat 8: Wings of Theve (Bandai Namco / Echo Boomer)

Mas algo novo que apreciei em Ace Combat 8: Wings of Theve foi a existência deste esquadrão mais próximo, a servir de argumento para um maior controlo sobre as suas ações durante o voo e as missões. O jogo faz um excelente trabalho a comunicar-nos que, desta vez, não somos lobos solitários e temos os nossos asas ao nosso lado. E, através de simples ações pelos botões direcionais, podemos indicar ao nosso esquadrão que nos dê cobertura, ataque um alvo em específico, use o armamento especial – e limitado – ou parta para a ação independentemente. Estas são mesmo ações simples, mas dominar a estratégia de utilização pode ser determinante para o sucesso das missões. Pedir cobertura pode salvar-nos de inimigos ou permitir-nos usar os nossos colegas como isco; ativar o uso de armas especiais pode ser conveniente quando já gastámos tudo; e indicar alvos pode ajudar a eliminar inimigos o mais rapidamente possível e aumentar a pontuação das missões. É um fantástico sistema que combina na perfeição mecânicas de jogo com narrativa interativa.

Esta parece-me ser a grande diferença e novidade na jogabilidade de Ace Combat 8: Wings of Theve, e não o digo como um aspeto depreciativo. A variedade de missões é semelhante a tudo o que já conhecemos, e a jogabilidade é extremamente familiar para quem vem de jogos anteriores, ainda que se sinta um peso diferente no manuseamento das aeronaves e, quando atualizadas, uma liberdade de controlo brutal. Podemos quebrar as regras da física com movimentos mirabolantes, saídos de um Top Gun, ao carregar nos dois gatilhos no momento certo, combinando travagem e aceleração para executar U-Turns, autênticos “drifts” no ar, entre desvios de mísseis e reposicionamentos atrás dos nossos inimigos. É tenso, é radical e é extremamente satisfatório.

Tecnicamente incrível, emocionalmente morno.

Algo que também melhorou substancialmente foram os visuais. Num primeiro contacto, Ace Combat 8: Wings of Theve não pareceu muito diferente do seu antecessor, mas, quanto mais jogava, mais começava a admirar os seus visuais incríveis, com modelos de aeronaves mais complexos, animações mais realistas, excelentes texturas e terrenos mais complexos e detalhados – mas ainda no campo do low-poly. O destaque vai para o mar, as nuvens e os céus, que nem sempre são azuis devido à complexidade das várias camadas de nuvens. É um jogo absurdamente lindo, ainda que, na maioria das vezes, os ambientes sejam simplistas, com tons que se multiplicam dependendo da posição do sol ou do clima. É particularmente extraordinário em missões com o sol alto, onde o oceano está coberto de nuvens e podemos subir aos céus entre névoas e relâmpagos até descobrirmos um infinito céu azul, antes de perdermos as forças durante a subida a meio de um combate. Como é também lindo defender navios com o sol a pôr-se no horizonte, a espelhar-se no oceano. Mas para além disso, a ação e o dinamismo das missões também ajudam a admirar o ambiente, seja com balões que disparam lasers cuja força de impacto deixa crateras e tuneis entre as nuvens, ou naves gigantes e majestosas que temos de perseguir cuidadosamente e abater, criando paisagens e set pieces visualmente bem complexas. Em cima disso tudo, também é digno de mencionar o excelente trabalho do jogo com HDR, a reproduzir algumas das imagens mais brilhantes e com maior profundidade desta geração, dignas de wallpapers.

ace combat 8 review echo boomer 4
Ace Combat 8: Wings of Theve (Bandai Namco / Echo Boomer)

Mas, lá está, chegando ao fim de Ace Combat 8: Wings of Theve, senti-me particularmente estranho e sem grandes emoções. Esta aposta é definitivamente a mais ambiciosa da série, com excelentes adições e uma abordagem que quero ver melhor trabalhada em futuros capítulos, porque, apesar de sentir que não funciona a 100%, funciona em grande capacidade. A minha pena é que, apesar de tudo, Ace Combat 8: Wings of Theve não respondeu aos meus desejos de me levar às alturas do seu antecessor. Mas ainda bem que Ace Combat 7: Skies Unknown me marcou assim, porque, se não fosse ele, o meu entusiasmo pelo novo jogo teria sido muito menor e não teria embarcado em mais uma fantástica aventura destas.

reviews 2021 recomendado

Cópia para análise (PC) cedida pela Bandai Namco.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados