Sophia Natural Italian: uma carta de deliciosas iguarias que não para de nos deliciar

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Na Praça de D. Luís, o Sophia Natural Italian continua a encantar com receitas que honram a herança de uma “nonna”.

Em Lisboa, na Praça de D. Luís, há um restaurante italiano de se lhe tirar o chapéu. Já falámos dele uma vez, aqui, no Echo Boomer, e o regresso é um verdadeiro prazer. O Sophia faz parte do grupo Capricciosa, um grupo de restaurantes que inclui não só o Sophia Natural Italian, mas também o Doca de Santo, Capricciosa, Lat.A, Gelati di Capricciosa, Jângal e Irish&CO.

Nascido da ideia de representar uma herança afetiva e de saudade de uma “nonna” bem à maneira de Itália, o Sophia Natural Italian afirma-se como um refúgio acolhedor e com um toque de patine temporal na zona ribeirinha da capital.

Não foi a primeira vez que aqui estivemos, e voltar é sempre uma experiência bastante compensadora. Revisitámos as suas longas salas de paredes forradas com um padrão floral nostálgico, apontamentos em veludo verde e molduras que evocam memórias intemporais, e depressa o espaço nos transportou para o aconchego de uma autêntica casa italiana.

A experiência no Sophia Natural Italian começa assim que se lança uma vista geral sobre um cardápio rico e artesanal, onde se destacam massas frescas feitas diariamente à mão, pizas de fermentação natural, risottos cremosos e uma carta de vinhos bastante interessante.

Cruzar a porta do Sophia Natural Italian é, desde logo, ser abraçado por uma estética que cruza o romantismo clássico com o conforto moderno. Inserido na margem de uma cidade onde se respira o bulício e a maresia do Tejo, o restaurante desenha-se num corredor amplo e acolhedor, onde o papel de parede floral rico em tons profundos e as cadeiras de veludo criam uma atmosfera intimista, perfeita para uma longa refeição sem pressas.

No centro das atenções, uma mesa de apoio exibe orgulhosamente uma monumental roda de queijo D.O.P.. É mesmo uma imponente roda de queijo parmesão pronta a envolver massas na hora, prenúncio dos rituais de finalização à mesa que encantam qualquer gastrónomo.

A filosofia do Sophia Natural Italian honra também a massa fresca diária – trabalhada com a paciência e o respeito pela tradição que a casa pretende representar -, estruturando todo um menu pensado para representar e dar a provar a verdadeira gastronomia transalpina.

A nossa viagem gastronómica começou pelas entradas. Tomámos como ponto de partida o Piatti Di Nonna e um Carpaccio de tomate de coração de boi, burrata, laranja, uvas, vinagre balsâmico, lentilhas e manjericão.

O Piatti Di Nonna revelou-se soberbo, permitindo a partilha, pela dimensão da travessa recheada de uma soberba partilha de mozzarella fresca, parmesão, scamorza, presunto curado, focaccia e azeitonas marinadas. Experimentámos também o Carpaccio, que resulta numa vibrante salada de tomate de coração de boi, burrata, apontamentos cítricos de laranja e alcaparras. São produtos fresquíssimos e a burrata, convém que se diga, é das melhores.

Acompanhámos, desta feita, com um vinho italiano, o Primitivo IGT, Puglia. Pode haver outras escolhas certeiras também no que respeita à carta de vinhos, que flui à vontade entre referências nacionais de prestígio e rótulos de produtores italianos selecionados a preceito.

Os mocktails são, no capítulo das bebidas, uma opção leve e suave. Foi o caso do Emília, uma espessa e sumarenta bebida feita de manga, meloa, lima e futos vermelhos. Tudo isto foi ótimo para abrir o apetite, mas não nos ficámos por aqui. Havia muito à escolha. Ora vejam.

Percorrer a carta é descobrir um vasto leque de opções que abre o apetite de qualquer um: nos antipasti, além dos que provámos, encontram-se propostas reconfortantes como o Pão de alho com queijo e azeite trufado, a Sopa fria de tomate e cenoura com cebolinho, a Burrata artesanal com rúcula, tomate e focaccia, o Ravioli gigante de espinafres com cogumelos shimeji, ricotta e gema de ovo, ou o Carpaccio de novilho com parmesão, rúcula, pinhões e alcaparras.

Nas saladas com focaccia, brilham a Salada de frango com alface coração e pesto de manjericão ou a Salada fusilli de beterraba e espinafres com maçã, azeitonas, couve roxa, ricotta e pistácio.

As pizas de fermentação natural também marcam presença com criações como a Martino meu irmão, a Del Nonno, a A minha (Sophia), a Nuovo Paollo ou a Papito, com camarão e alho.

Em todo o caso, nos pratos principais, a nossa escolha recaiu sobre dois impressionantes exemplares desta carta deliciosa. Um deles foi o Camarão tigre com tagliatelle fresco e pesto de manjericão. Dois belos exemplares escalados e impecavelmente temperados, de uma frescura deliciosa, em cima de uma generosa cama de massa fresca com a tonalidade e sabor do manjericão.

O segundo prato foram uns Torteloni de Pistácio que nos causou curiosidade e surpresa e, neste caso, se revelaram deliciosas massas arredondadas recheadíssimas de ricotta, pecorino e pistácio com fartura.

Estes dois pratos principais foram marcantes, pelo tagliatelle fresco verde envolvido em pesto de manjericão e notas vivas de malagueta e limão, a par dos raviolis apresentados no equilíbrio perfeito entre a textura da massa recheada e a crocância e do fruto seco – tudo isto envolvido em aromas frescos e naturais.

E a verdade é quase não nos deixavam espaço para mais! Ainda assim, fechámos com chave de ouro. Pedimos duas sobremesas icónicas: o Tiramissù da Nonna – feito com todo o rigor da receita tradicional de camadas suaves de mascarpone e café -, e um Cheesecake de queijo de cabra, manga e maracujá, uma minitarte redonda assente numa base de textura dócil (ao contrário daquelas bases de aveia tão típicas dos cheesecakes que parecem arenosas!) coroada por um creme de maracujá de sabor marcante.

Assim se encerrou mais esta experiência em que, como o programa do cardápio anuncia, a comida é, acima de tudo, “uma forma de alimentar a alma”.

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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