A versão EVO do BYD Atto 3 custa 33.900€ (+IVA) e traz melhorias no software e comandos. Mas, claro, não está isento de falhas.
Tendo chegado a Portugal no passado mês de março, o BYD Atto 3 Evo apresentou-se como uma atualização contida do Atto 3, com pequenas alterações estéticas e uma revisão funcional no habitáculo, mantendo a base técnica já conhecida e uma proposta claramente orientada para a eficiência e para o uso familiar. Na gama nacional, a versão EVO começa nos 45.425€, sem despesas administrativas, e é esse o preço de entrada para um SUV elétrico que continua a apostar mais na racionalidade do que na emoção.
Neste Evo, a marca não mexeu no essencial, mas corrigiu alguns pontos do anterior e acrescentou mais integração digital, mantendo a bateria Blade de 74,8 kWh.
Visualmente, o BYD Atto 3 Evo não tentou reinventar-se, e isso é quase o primeiro dado a reter. Embora tenha reparado em algumas pequenas alterações na dianteira e na traseira, a estrutura geral manteve-se muito próxima da versão anterior do Atto 3. Ou seja, este modelo continua a contar com proporções equilibradas e um tamanho que o situa no coração do segmento C-SUV, com 4.455 mm de comprimento, 1.875 mm de largura e 1.615 mm de altura. Portanto, não falo de um carro discreto por desenho, mas também não é um carro que procure convencer pela agressividade. Isto é, a aposta está mais numa imagem simpática e funcional do que propriamente numa presença marcante.
Já o equipamento exterior é competente e, admito, bastante completo para o posicionamento do carro. Este traz faróis automáticos, luzes diurnas e luzes traseiras LED, sensores de chuva e luminosidade, espelhos aquecidos e rebatíveis eletricamente, abertura elétrica da bagageira e jantes de 18 polegadas. Ainda assim, há uma contradição difícil de ignorar: a regulação da altura dos faróis continua com regulação manual em altura, um detalhe que destoa num produto que quer parecer mais refinado do que realmente é.
No interior, o BYD Atto 3 Evo melhorou um dos aspetos mais críticos do modelo anterior: o software. A marca passou para um sistema com base Android, com Play Store integrada, o indispensável Google Maps e possibilidade de instalar aplicações, o que representa uma evolução prática clara face ao que existia antes. O painel de instrumentos de 8,8 polegadas e o ecrã central de 15,6 polegadas continuam a dominar a arquitetura do tablier, enquanto o assistente de voz, ativado através do comando Hi, BYD, e a conectividade 4G, ajudam a compor uma proposta digitalmente mais atual.
Também aqui a BYD corrigiu parte da lógica de funcionamento que antes obrigava o utilizador a depender demasiado do ecrã. O regresso dos comandos físicos para os retrovisores exteriores, os vidros e o trancamento das portas é uma decisão sensata e, francamente, tardia, porque torna a utilização mais direta e menos irritante no dia a dia. Os materiais continuam a transmitir boa qualidade, e o ambiente geral do habitáculo mantém aquela mistura entre originalidade visual e solidez percebida que já era um dos pontos fortes do Atto 3.
Quanto ao nível de equipamento, é vasto e cobre praticamente tudo o que se espera neste patamar (e até acima deste), incluindo volante aquecido com revestimento vegan, bancos dianteiros com regulação elétrica, aquecimento e ventilação, climatização automática de duas zonas, iluminação ambiente, filtro de ar PM2,5, carregador sem fios refrigerado e V2L. Há também chave digital, cartão NFC, arranque sem chave e bomba de calor, o que reforça a sensação de um carro muito bem equipado para o preço pedido. Pode-se então dizer que, no papel, o Atto 3 Evo oferece mais do que muitos rivais diretos do seu segmento, e essa é precisamente a principal arma comercial da BYD.
Mas claro, nada é perfeito, tanto que constatei duas falhas claras: a ausência de trancamento e destrancamento automático por afastamento/aproximação, e alguns erros de software, sobretudo na navegação Google Maps, com estimativas de chegada de bateria muito pouco fiáveis, ainda que esta situação seja facilmente resolvida com uma pequena atualização de software.
Na estrada, o BYD Atto 3 Evo revela-se fácil de conduzir, e até mais competente do que o esperado. A direção assistida, o bom raio de viragem de 5,4 metros e a visibilidade geral ajudam bastante em cidade e em manobras, incluindo entradas e saídas de parques apertados, onde o carro se mostra mais ágil do que muitos concorrentes maiores. Também a presença de câmara 360, sensores dianteiros e traseiros e diversos sistemas de assistência reforçam essa facilidade de utilização.
O conjunto mecânico é traseiro, com motor síncrono de ímanes permanentes, 230 kW ou 313 cv de potência, 380 Nm, aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. São dados que colocam o BYD Atto 3 Evo num patamar bastante vivo para o segmento, embora a prioridade do carro continue a ser mais a eficiência do que a condução entusiasmante.
Em cidade, consegui 16 kWh/100 km, um valor muito interessante e compatível com a autonomia anunciada pela marca, cujo consumo homologado fixa-se nos 16,4 kWh/100 km em combinado.
No fim de tudo, BYD Atto 3 Evo acaba por ser uma evolução natural, tal como referido no título. A marca acertou ao melhorar o software, ao trazer de volta comandos físicos relevantes e ao manter um nível de equipamento muito forte, mas continuou a deixar escapar pormenores que, hoje, já não deviam existir.
Mesmo assim, o pacote global faz sentido. A versão EVO custa 33.900€ (+IVA), oferecendo uma bateria de 74,8 kWh, 510 km de autonomia combinada WLTP, carregamento DC até 220 kW e um conjunto de equipamento que, no papel, é claramente generoso.
A meu ver, o problema não está na falta de argumentos, pois este modelo da BYD tem muitos mesmo, mas sim na forma como alguns deles ainda não estão totalmente afinados.
