A Seat, marca espanhola fundada em 1950, pode deixar de existir como insígnia independente. E tudo devido à difícil situação económica do Grupo Volkswagen.
O Grupo Volkswagen está a ponderar extinguir a marca Seat até 2029, concentrando recursos na Cupra, numa medida de reestruturação ainda não oficializada, mas já amplamente noticiada pela comunicação social.
Segundo informações avançadas pelo semanário alemão WirtschaftsWoche, a proposta para descontinuar a Seat já terá sido aprovada pelo conselho de administração da Volkswagen e aguarda discussão no comité de supervisão do grupo, numa reunião marcada para 6 de setembro. O plano estratégico prevê que a marca espanhola, fundada em 1950 e integrada no grupo alemão desde os anos 80, deixe de existir como insígnia independente até ao final da década, com os seus produtos, operações de vendas e infraestruturas de produção a serem transferidos sempre que possível para a Cupra.
Num documento interno citado pela publicação alemã, lê-se que “a marca Seat irá ser descontinuada de forma ordeira e eficiente até ao final de 2029, mantendo um apoio continuado aos clientes atuais e ao cumprimento das obrigações em vigor”. A mesma nota justifica a medida argumentando que a manutenção da Seat “iria obrigar a recursos adicionais” num contexto de necessidade de simplificação operacional e redução de custos.
A reestruturação assenta em dados de vendas que mostram trajetórias opostas para as duas marcas espanholas do grupo. Em 2025, as vendas conjuntas da Seat e da Cupra atingiram 586.300 veículos, mas enquanto as entregas da Cupra cresceram 33%, as da Seat registaram uma queda de 17%. A Cupra, que começou em 2018 como linha de performance da Seat antes de se tornar marca independente, bateu recorde de vendas nesse ano com 329.000 unidades.
O objetivo da administração do Grupo Volkswagen é que a Cupra, sozinha, atinja um volume de vendas anual entre 500 e 600.000 unidades. A aposta na marca mais jovem alinha-se com a transição do grupo para a eletrificação, área onde a Cupra tem concentrado esforços de desenvolvimento.
O Grupo Volkswagen não fez comentários oficiais sobre a decisão concreta, limitando-se a afirmar que os documentos internos são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes. Num comunicado enviado a vários meios, a empresa ressalvou que não foi tomada nenhuma decisão e que quaisquer informações sobre decisões estratégicas que afetem a Seat serão divulgadas no momento apropriado.
A possível extinção da Seat insere-se num processo de reestruturação turbulento que abrange todo o Grupo Volkswagen. As medidas em discussão incluem o encerramento de quatro fábricas na Alemanha e o despedimento de cerca de 100.000 trabalhadores, a maioria nesse país, num movimento que marca uma rutura com a tradição alemã de evitar grandes reestruturações por receio de críticas políticas e sociais.
