Sem fugir ao conceito do restaurante localizado em Lisboa, o XXL levou os seus icónicos pratos para uma nova localização no Algarve, também num hotel de luxo.
A trajetória do restaurante XXL tem a sua génese no ano de 1994, altura em que o empresário Vasco Gallego fundou o espaço original, então denominado apenas XL, situado estrategicamente em frente à Assembleia da República, em Lisboa.
Ao longo dos anos, o estabelecimento consolidou-se como um ponto de encontro habitual para um público altamente selecionado, frequentado por personalidades da vida pública, elementos da classe política, artistas e jogadores de futebol. A nível gastronómico, a casa construiu a sua reputação sob a designação informal de “casa dos soufflés”, impulsionada pelo facto de ser um dos raros restaurantes na capital a produzir e a servir esta especialidade em larga escala.
Após 27 anos de operação contínua, a atividade do XL foi severamente impactada pelo conjunto de restrições decorrentes da pandemia de COVID-19, contexto que culminou no encerramento das suas portas. A interrupção da atividade, contudo, revelou-se temporária devido ao interesse de Olivier da Costa. O chefpreneur, que mantinha a ambição de assumir a gestão daquele espaço, concretizou a transição do negócio com Vasco Gallego num processo negocial resolvido em poucos dias.
No ano de 2021, o projeto reabriu com uma imagem renovada e com a alteração da sua designação comercial para XXL. A inclusão da letra adicional serviu para assinalar o início de uma nova fase da marca, funcionando como uma evolução do conceito inicial, mas sem descaracterizar a matriz original do espaço fundado nos anos noventa.
A reabertura envolveu igualmente uma reestruturação da oferta culinária. A lista de opções reduziu a centralidade que os soufflés detinham anteriormente – preservando apenas o Soufflé de Queijo e Espinafres e o Soufflé Doce de Leite -, ao mesmo tempo que introduziu novos pratos como o Bife XXL, o Bife Café Paris ou a Verdadeira Picanha com massa com trufa.
Subsequentemente à consolidação da unidade de Lisboa, o modelo de negócio foi objeto de uma expansão geográfica para outras regiões do país. A presença no norte concretizou-se com a abertura de uma unidade na cidade do Porto no final de 2024. Já a sul, no Algarve, a operação teve início no verão de 2023, através da integração de um espaço no empreendimento hoteleiro Wyndham Grand Algarve, situado na Quinta do Lago.
Dois anos depois, e já neste verão de 2026, a implantação da marca no sul do país deu-se com a abertura de uma segunda unidade algarvia, desta feita integrada na oferta de restauração do Pine Cliffs Resort, numa expansão enquadrada na estratégia de crescimento desenvolvida em parceria com a United Investments Portugal (Grupo UIP). A relação entre as partes já contemplava a presença da marca Yakuza no Sheraton Cascais Resort e na própria unidade hoteleira do Algarve, tendo a identificação de uma nova oportunidade de negócio motivado a abertura de mais um restaurante no complexo algarvio, com o objetivo de reforçar a operação comercial e a oferta gastronómica do resort.
Em termos de infraestrutura e capacidade, o espaço dispõe de um total de 120 lugares sentados, distribuídos em partes iguais entre a sala interior e a esplanada. A operação foi planeada para funcionar de forma contínua ao longo de todo o ano, adaptando-se às variações sazonais. Para os meses de menor temperatura ou períodos de precipitação, a atividade concentra-se na área interior, que dispõe de uma lareira como elemento de climatização e conforto, enquanto a área exterior é rentabilizada prioritariamente nos períodos de maior calor.
No plano estético e de design de interiores, a nova unidade mantém a linha decorativa estabelecida pelos restantes espaços da marca localizados no Porto, em Lisboa e na Quinta do Lago. O elemento central da identidade visual é a figura de um elefante, introduzida aquando da inauguração do XXL Lisboa em 2021 e integrada como componente transversal aos quatro restaurantes em funcionamento no país.
Quanto à oferta gastronómica, o restaurante do Pine Cliffs não apresenta pratos exclusivos na sua carta de lançamento. A opção estratégica passou por replicar integralmente o menu disponível no XXL Lisboa, considerado a casa-mãe do conceito. A decisão fundamenta-se no perfil da clientela – que inclui hóspedes do hotel e clientes externos -, visando assegurar a continuidade da proposta culinária e do padrão de serviço já conhecido na capital. No entanto, o modelo de gestão prevê a atualização periódica da carta: as novidades gastronómicas são introduzidas e testadas preliminarmente na unidade de Lisboa antes de serem integradas nos restantes espaços da marca, estando prevista a futura incorporação de novas opções no restaurante algarvio.
Para quem não está a par, a proposta de restauração opera nos moldes de um bistrô contemporâneo assente na reinterpretação de receitas tradicionais portuguesas, combinando perfis de sabor mais elaborados com a preservação da base clássica da culinária nacional.
Para ser sincero, é comida que nos toca no coração, fazendo lembrar dos bons momentos passados à mesa com a nossa família e com aqueles que nos são mais próximos. Ou seja, a comida até pode parecer simples, mas surpreende na conjugação de sabores.
E claro, o nosso jantar não podia ser diferente. Assim, e depois do habitual couvert que nos trouxe pão quentinho e um belíssimo paté de atum para a mesa, demos início à refeição com uma entrada muito popular: O Ovo. Pelo nome podem até nem conseguir desvendar, mas trata-se de um prato que basicamente combina um ovo cozinhado sobre puré trufado e quatro variedades de cogumelos. E só por aqui percebe-se claramente a lógica de partilha de pratos, sendo muitíssimo bem servido. Na verdade, é daquelas entradas densas que, muito honestamente, podia servir como prato principal para uma pessoa. E percebe-se também o porquê de ser uma das entradas mais pedidas do espaço.
Claro, há sempre outras entradas sobre as quais se podem debroçar, como o Carpaccio XXL (Carpaccio de carne com pesto e queijo pecorino trufado) ou o Folhado de Queijo de Cabra com mel e nozes, entre outras. Mas não abusem na quantidade, pois há de deixar espaço no estômago para as secções que se seguem.
E aqui não há como falhar, existindo um claro foco nos pratos de carne. Podem sempre pedir um Bacalhau à Lagareiro ou um Rigatoni de Camarão com molho champanhe, mas será muito difícil resistir a opções como Magret de Pato com puré de trufa (sim, há uma clara aposta na trufa, e percebe-se porquê), Bife XXL (com molho Olivier, à base de natas e demi-glace), Entrecôte com Chimichurri, a fabulosa Picanha de Tamboril (Lombo de tamboril com beurre blanc e pico de gallo, sendo uma interpretação menos comum deste peixe – aqui apresentado em fatias -, acompanhado com arroz rico enriquecido com espargos e tâmaras, muito elogiado pelo contraste adocicado) ou a imperdível Picanha de Black Angus do Uruguai, com uma textura macia e um elevado nível de marmoreio, contribuindo para uma sensação mais untuosa, que aqui surge acompanhada de linguini trufado, naquela que é uma combinação que funde na perfeição dois elementos de topo.
Fora do peixe e da carne há ainda um Soufflé, neste caso de queijo e espinafre, que curiosamente nunca experimentámos. Talvez numa próxima… até porque há um Soufflé delicioso na secção de sobremesas.
Falo, claro, do Soufflé Doce de Leite, que demora cerca de 15 minutos a preparar, mas cuja espera vale bem a pena. Para mim, é como se fosse uma baba de camelo acabada de sair do forno, portanto, e se gostam dessa iguaria da doçaria portuguesa, vão também adorar este soufflé. Há também quem diga que faz lembrar um Petit Gateau de doce de leite, e a verdade é que também não posso discordar.
Claro, se por algum motivo quiserem evitar esta deliciosa opção, têm sempre os Profiteroles, que chegam à mesa numa apresentação muito cuidada, mais parecendo mini bolinhos ao invés das típicas bolas com recheio no interior, ou a ótima Fatia Dourada, confecionada com massa brioche e acompanhada de uma bola de gelado.
No final de mais uma belíssima refeição num restaurante do Grupo Olivier, fica a certeza que esta expansão do XXL faz todo o sentido. Afinal de contas, a região continua a ser considerada prioritária para o grupo, tanto pela procura turística como pela capacidade de atrair clientes nacionais e internacionais.
