Carta de condução caducada: a multa pode ir muito mais alto do que pensa

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Renovar a carta de condução é um daqueles rituais inevitáveis para qualquer condutor. Mas, graças à crescente digitalização dos serviços públicos em Portugal, realizar todo o procedimento tornou-se uma tarefa que, para muitos, pode ser feita sem sair do sofá.

O momento certo para cada renovação

Para quem completou a prova de condução antes de janeiro de 2013, a primeira renovação ocorre aos 50 anos. A regra muda para quem obteve a carta depois dessa data: há que observar o prazo no próprio documento ou fazer a renovação 15 anos após a emissão inicial. O processo é especialmente simples até aos 60 anos, momento em que novas obrigações passam a entrar em cena.

Até completar 60 anos, é possível tratar de tudo online, sem filas nem documentos médicos. Mas a partir dali, passa a ser obrigatório apresentar um atestado médico no momento da renovação. O trâmite torna-se ainda mais rigoroso depois dos 70, quando se exige também um certificado de aptidão psicológica, emitido pelo IMT ou por um psicólogo credenciado.

Duas portas digitais: IMT Online e Gov.pt

De acordo com o portal Economia e Finanças, duas ferramentas principais permitem renovar a carta à distância: o portal IMT Online e a aplicação Gov.pt. O processo é direto. No site do IMT, quem tem menos de 60 pode iniciar a renovação até seis meses antes do prazo limite: basta autorizar a consulta dos dados do Cartão de Cidadão, efetuar o pagamento e aguardar a nova carta pelo correio.

Na aplicação Gov.pt, disponível nas principais lojas digitais, o segredo está na autenticação através da Chave Móvel Digital. Uma vez autenticado, o utilizador só tem de seguir os passos indicados. O pedido pode ser feito a partir de seis meses antes da data em que a carta perde validade – normalmente no dia de aniversário do condutor.

As opções de autenticação são várias: desde o número de contribuinte com as credenciais das Finanças até ao Cartão de Cidadão com leitor digital ou ainda a Chave Móvel Digital. Depois de aceder, só precisa de autorizar o uso da fotografia e assinatura do Cartão de Cidadão. Tudo digital.

Preços, descontos e documentos obrigatórios

O valor padrão para renovar a carta até aos 70 anos é de 30 euros. Após essa idade, cai para 15 euros. Há ainda um desconto de 10% para pedidos feitos pela internet, reduzindo a taxa para 27 euros ou 13,50 euros. A partir dos 60 anos, os documentos médicos devem ser carregados na plataforma digital: atestado médico para todos e certificado psicológico para quem já passou dos 70.

Os condutores que deixarem passar o prazo entram num terreno mais complicado. Se a renovação acontecer até dois anos após a validade, é aplicada uma multa entre 120 e 600 euros. Entre dois e cinco anos de atraso, será necessário repetir o exame prático. Entre cinco e dez anos, além de nova prova e formação, a infração pode ser considerada grave, com coimas até 3.600 euros ou até mesmo pena de prisão em casos extremos.

Dez anos de atraso significam começar tudo do zero: uma nova carta é obrigatória.

Regras específicas para categorias profissionais

Não são apenas os prazos que mudam: categorias profissionais, como C1, C1E, C, CE, D1, D1E, D e DE, e ainda B e BE quando usadas para ambulâncias, transporte escolar ou de passageiros, obedecem a regras próprias de renovação. Quando o condutor atinge os 67 anos, por exemplo, a categoria CE só permite condução de veículos até 20 toneladas. Já categorias ligadas ao transporte coletivo, como D1, D1E, D e DE, deixam de ser válidas nessa idade – sem possibilidade de renovação.

Da comodidade digital às exceções da lei

Hoje, quem prefere o modo tradicional pode sempre ir a um balcão do IMT, Lojas do Cidadão de Santarém e Setúbal, vários Espaços Cidadão ou conservatórias do registo civil (apenas para categorias A e B). É necessário apresentar o Cartão de Cidadão, identificar-se e indicar um email de contacto. Uma boa notícia: se mudar de residência, já não precisa de pedir uma nova carta; o sistema atualiza o endereço automaticamente.

O site do IMT e o portal Gov.pt reúnem as informações atuais, avisando sobre possíveis alterações ao Código da Estrada. Para quem depende do transporte rodoviário ou encara a renovação como uma mera formalidade, as novas ferramentas digitais representam muito mais do que praticidade – são um sinal de um país que adapta processos à vida moderna, facilitando escolhas e evitando surpresas desagradáveis na estrada.

Joana Dias
Joana Dias
Formada em Relações Públicas, dedicada a truques, dicas, ciências e curiosidades.
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