A nova coleção traz melhorias interessantes a House Flipper, como um novo foco narrativo e um mapa-mundo que traz maior variedade de trabalhos, mas os problemas mantêm-se e a Frozen District não nos traz aquela que poderia ser a versão definitiva do seu jogo de simulação.
Não podemos menosprezar o efeito terapêutico e psicológico dos videojogos. Através da forma como jogamos, descobrimos mais sobre nós. Há algo íntimo nesta partilha entre jogador e videojogo, mesmo através do comando e das suas limitações físicas, e a interatividade aprofunda uma experiência reveladora porque evidencia hábitos, gostos e particularidades de cada um de nós. No meu caso, o contacto com simuladores desencadeou uma descoberta sobre os meus transtornos obsessivos que se refletem numa necessidade em limpar e em ver espaços livres de sujidade. Essa revelação aconteceu em 2020 com House Flipper, um simulador de renovação e venda de imobiliários, desenvolvido pela Frozen District, que pouco ou nada tinha de especial, mas que me acertou no âmago e despertou algo inesperado; uma nova aproximação a quem eu sou, defeitos incluídos.
Isto pode parecer demasiado dramático quando olhamos para House Flipper e para a jogabilidade acessível, mas igualmente simplista com que aborda o ato de limpar, renovar, decorar e vender uma habitação – mas é real. Se não fosse House Flipper, não teria encontrado este respeito que agora sinto pelos jogos de simulação, talvez nunca tivesse descoberto o prazer e satisfação que sinto quando jogo PowerWash Simulator e Hotel Renovator, entre tantos outros. Este foi o ponto de partida, o paciente zero, e seis anos depois, regresso a casa com a edição completa.
Infelizmente, pouco mudou em House Flipper Remastered Collection. Apesar de termos uma maior vontade em contar as histórias pessoais dos nossos clientes e existir agora um mapa onde temos acesso a uma maior variedade de tarefas que procuram mitigar a repetição do jogo original, a jogabilidade manteve-se idêntica. Limpar, arrumar, pintar e demolir continuam a ser ações que se tornam rapidamente aborrecidas devido à repetição. Os níveis continuam a partilhar os mesmos objetivos que pouco ou nada evoluem, mesmo com a inclusão dos DLC que desbloqueiam os jardins e até animais de estimação. A Frozen District também insiste que trabalhou o UI do jogo, talvez para aproximar esta nova edição a House Flipper 2, mas os menus continuam a ser confusos e demasiado ruidosos. É uma edição perfeita para quem nunca jogou House Flipper, mas descartável para todos os outros que já sofreram com o original.
Mesmo com os problemas por resolver e com novidades pouco entusiasmantes, é difícil esquecer o primeiro amor e House Flipper Remastered Collection é uma porta de entrada consistente para um género que se gere dentro de uma rotina e repetição que só fará sentido para os fãs.
Cópia para análise (PlayStation 5) cedida pela PR Outreach.
