Com a Steam Machine demasiado cara, o que comprar em vez da consola da Valve?

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A Steam Machine chega com a ambição de levar a experiência do PC para a sala, mas o preço coloca a máquina da Valve num território difícil de justificar quando comparado com as consolas das “três grandes”.

Recentemente, a Valve anunciou o lançamento da sua aguardada Steam Machine, um PC de jogos desenhado para ocupar o espaço tradicional de uma consola de sala, juntando o catálogo da Steam a um formato compacto e uma experiência mais próxima, também de uma consola. Mas a Steam Machine tem um grande problema: o seu preço. Começa nos 1039€ na versão com 512GB de armazenamento e vai para lá dos 1359€ no modelo com 2TB, valores estes que não incluem comando. Já com o Steam Controller incluído, os preços sobem para 1108€ e 1428€, respetivamente.

São valores que levantam questões, especialmente para quem procura uma máquina de jogos para a sua sala. Consequentemente, as comparações a outros dispositivos tornam-se inevitáveis porque, apesar de todas as consolas atuais terem ficado mais caras ao longo dos últimos meses devido ao actual cenário de aumento de custos no setor tecnológico, nenhuma das principais plataformas chegou perto destes valores. Assim, a XBOX Series X, a PlayStation 5 e a Nintendo Switch 2, mesmo afetadas pelos aumentos de preço do mercado, continuam a apresentar uma porta de entrada bastante inferior para quem procura simplesmente uma máquina para jogar na televisão. E os preços ajudam a perceber a distância entre a proposta da Valve e as alternativas disponíveis atualmente:

XBOX

  • XBOX Series S 512 GB: 349,99€
  • XBOX Series S 1 TB: 399,99€
  • XBOX Series X Digital: 549,99€
  • XBOX Series X (com leitor Blu-ray): 599,99€
  • XBOX Series X 2 TB (com leitor Blu-ray): 699,99€
  • XBOX Game Pass Ultimate: 20,99€/mês ou 251,88€/ano

PlayStation

  • PlayStation 5 Digital 825 GB: 599,99€
  • PlayStation 5 1TB (com leitor Blu-ray): 649,99€
  • PlayStation 5 Pro 2 TB (sem leitor Blu-Ray): 899,99€
  • Leitor Blu-ray para PlayStation 5 Pro/Digital: 79,99€
  • PlayStation Plus Premium: 18,99€/mês ou 151,99€/ano

Nintendo

  • Nintendo Switch 2: 469,99€
  • Nintendo Switch 2 com jogo incluído: 509,99€
  • Cartão microSD Express 256 GB: 59,99€
  • Nintendo Switch Online + Pack de Expansão: 3,34€/mês ou 39,99€/ano

Ainda assim, antes de concluir que a Steam Machine é apenas uma questão de preço, é importante recordar alguns aspetos que distinguem a máquina da Valve das consolas tradicionais. Entre eles, temos o acesso quase completo ao catálogo da Steam Store, que permite aproveitar uma biblioteca construída ao longo de anos, incluindo jogos antigos, mods, experiências retro e títulos que dificilmente encontram espaço nos ecossistemas fechados das consolas. E a possibilidade de utilizar o modo desktop transforma-a também numa máquina capaz de funcionar como um PC compacto, algo que não é possível fazer da mesma forma numa PlayStation, XBOX ou Nintendo Switch 2.

É precisamente essa combinação entre PC e consola que torna a posição da Steam Machine mais complicada. Para um jogador que já vive dentro do ecossistema da Steam, a máquina da Valve pode ser uma forma mais simples de levar a biblioteca para a sala sem abdicar de algumas das vantagens do PC. Mas para quem procura uma consola tradicional, o preço torna-se difícil de justificar quando existem alternativas mais baratas, com experiências otimizadas e sem a necessidade de configurações adicionais.

A XBOX Series X, da Microsoft, até pode ser uma das alternativas que mais evidencia dificuldade de justificar a escolha da Steam Machine com base no seu preço e oferta. Este modelo custa 599,99€ e faz-se acompanhar por um comando, armazenamento de 1TB e incorpora um leitor Blu-Ray, permitindo jogar títulos físicos, ver filmes em Blu-Ray, ouvir CDs de música e, até, aproveitar a retrocompatibilidade com jogos de gerações anteriores, fechados neste ecossistema. E ao juntar uma subscrição anual do XBOX Game Pass Ultimate – a modalidade mais cara deste serviço -, o investimento total fica nos 851,87€, muito abaixo da proposta feita para a Steam Machine mais barata sem comando.

Neste cenário, para além da consola, o Game Pass Ultimate inclui acesso a um catálogo com centenas de jogos, disponibilidade de jogos selecionados no dia de lançamento, acesso ao multijogador online na consola, os catálogos do EA Play e Ubisoft+ Classics, assim como streaming de jogos via Cloud. Não oferece a liberdade de um PC, é claro, mas para alguém que procura uma máquina de sala pronta a utilizar, apresenta uma relação entre preço e conteúdo bastante difícil de ignorar.

No ecossistema da PlayStation, com PlayStation 5, seguimos com uma lógica semelhante. A versão Digital da consola custa 599,99€, enquanto o modelo com leitor Blu-ray e armazenamento de 1TB chega aos 649,99€. Mesmo acrescentando 12 meses de PlayStation Plus Premium, que representam mais 151,99€, o investimento continua abaixo da Steam Machine e oferece uma experiência construída em torno da consola, com catálogo de jogos, clássicos, avaliações de títulos, streaming através da nuvem, jogos mensais e multijogador online. Existe ainda a PlayStation 5 Pro, atualmente a consola mais cara do mercado e a consola tecnicamente mais avançada, com um preço de 899,99€ já com comando incluído.

A vantagem da PlayStation está, no entanto, sobretudo no seu próprio ecossistema. Quem procura uma consola de sala com acesso aos principais lançamentos da plataforma, incluindo jogos exclusivos e uma experiência simples, não vai encontrar na Steam Machine uma alternativa direta, mesmo que a máquina da Valve ofereça uma biblioteca potencialmente maior através da Steam.

Por fim, temos a Nintendo, com a Nintendo Switch 2 a apresentar uma proposta diferente, dada a sua natureza híbrida. A máquina da Nintendo custa 469,99€ – ou 509,99€ em conjuntos que incluem jogos como Mario Kart World, Pokémon Legends: Z-A ou Pokémon Pokopia. E mesmo com um cartão microSD Express de 256 GB de 59,99€ e uma subscrição anual do Nintendo Switch Online + Pack de Expansão de 39,99€, o investimento continua bastante abaixo da Steam Machine.

E no caso da Nintendo, esta não procura competir em desempenho face a uma máquina baseada num PC, mas oferece algo que a Valve também tenta explorar: a possibilidade de utilizar a mesma consola em diferentes contextos. A diferença está no foco, com a Nintendo Switch 2 a apostar numa experiência própria, suportada por um catálogo exclusivo e por uma integração mais simples entre utilização portátil e de sala. Com a vantagem, até, da sua natureza oferecer não só os benefícios de “jogo de sofá”, como os do modo portátil da Steam Deck, a outra máquina de jogos da Valve.

Para quem procura sobretudo a experiência de PC, a comparação também muda. A Steam Machine tem como principal vantagem o formato compacto e a integração com SteamOS, mas não substitui totalmente um computador tradicional, onde o Windows continua a oferecer maior compatibilidade e familiaridade para a maioria dos utilizadores, especialmente os mais casuais. Para além disso, construir um PC continua a oferecer maior liberdade na escolha de componentes, possibilidade de atualizações e compatibilidade mais vasta, embora com menos simplicidade no formato de consola.

Mas há ainda outro exercício que podemos fazer para colocar a proposta da Valve em perspetiva, especialmente no valor mais elevado de 1428€ para o modelo de 2TB com comando incluído. Por esse valor, é possível combinar pares entre a XBOX Series X, PlayStation 5 e a Nintendo Switch 2. Somando as três plataformas nos valores mais baratos, ou seja, a XBOX Series X Digital por 549,99€, a PlayStation 5 Digital por 599,99€ e a Nintendo Switch 2 por 469,99€, juntas perfazem 1619,97€. São mais 191,97€ que a versão mais cara da Steam Machine, mas representam a porta de entrada em todos os ecossistemas de consolas.

Com um valor pouco competitivo, a Steam Machine pode ainda ser uma solução para algum tipo de jogadores. Os curiosos, experimentais, ou até os colecionadores. Certamente terá o seu público e características para satisfazer utilizadores muito específicos. Mas sejamos francos: para quem procura simplesmente sentar-se no sofá e jogar sem preocupações adicionais, existem atualmente muitas alternativas mais acessíveis.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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