A cervejeira de Vialonga instalou um sistema de recuperação de calor de 33,5 milhões de euros que deverá reduzir em cerca de 50% as emissões associadas à energia térmica.
A Central de Cervejas e Bebidas colocou em funcionamento, na unidade de Vialonga, um sistema de recuperação de energia térmica baseado numa bomba de calor de alta temperatura, num investimento total de 33,5 milhões de euros. A solução foi desenvolvida em parceria com a Siemens Portugal e visa reduzir de forma significativa as emissões de dióxido de carbono associadas ao consumo de energia térmica no processo produtivo.
O projeto insere-se na estratégia de descarbonização industrial da empresa, que prevê atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030. A energia térmica representa atualmente cerca de dois terços do consumo energético da cervejeira, sendo essencial em várias fases da produção, incluindo a transformação da cevada em malte e o fabrico da cerveja. Esta componente energética tem sido, até agora, maioritariamente assegurada através da utilização de gás natural, o que a torna uma das áreas mais difíceis de descarbonizar.
Desde 2017, a empresa tem vindo a investir na transição energética das suas operações, num montante acumulado de 135 milhões de euros. Esse processo incluiu a implementação de medidas de eficiência energética e a instalação de sistemas de produção de energia renovável, como painéis solares. A partir de 2024, todas as operações passaram a ser alimentadas por eletricidade de origem 100% renovável.
O novo sistema agora introduzido baseia-se na recuperação do calor excedente gerado nos processos de refrigeração. Esse calor é reaproveitado e convertido em energia térmica útil através de uma bomba de calor alimentada por eletricidade de origem renovável, nomeadamente solar e eólica. A energia produzida é depois distribuída através de um circuito de água quente, permitindo substituir parcialmente o vapor gerado por caldeiras a gás natural.
De acordo com os dados divulgados pela empresa, esta solução deverá permitir uma redução de cerca de 50% nas emissões de CO₂ associadas à energia térmica, o equivalente a aproximadamente 7.381 toneladas por ano. Estão também previstos ganhos de eficiência energética na ordem dos 39%, quando comparados com o cenário inicial do projeto. O investimento contou com um cofinanciamento de 8,8 milhões de euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência.
No centro da solução está uma bomba de calor de alta temperatura com capacidade de 6 megawatts, uma das primeiras a operar a esta escala em Portugal. O equipamento permite recuperar energia que anteriormente era dissipada, integrando-a novamente no processo produtivo.
Este projeto enquadra-se nas metas nacionais de política climática, nomeadamente na redução de emissões de gases com efeito de estufa, no aumento da eficiência energética e na substituição progressiva de fontes fósseis por energias renováveis. Durante a inauguração, foi sublinhada a importância de investimentos industriais que conciliem objetivos ambientais com viabilidade económica, particularmente em setores intensivos em energia.
A estratégia da empresa para a descarbonização da energia térmica inclui ainda uma fase adicional prevista para 2028. Nessa altura, deverá entrar em funcionamento um sistema de armazenamento térmico que permitirá acumular energia renovável sob a forma de calor de alta temperatura. Este sistema será utilizado para produzir vapor sem emissões de carbono, reduzindo as necessidades remanescentes de combustíveis fósseis. A solução está a ser desenvolvida em parceria com a EDP e a Rondo, no âmbito de um acordo anteriormente anunciado.
Com a implementação destas tecnologias, a unidade de Vialonga deverá operar com energia integralmente renovável até 2030 no que respeita à produção. A empresa definiu ainda como objetivo a descarbonização total da sua cadeia de valor até 2040.
