O histórico Pub Lisboeta renasceu com a curadoria da Mercearia Pachecas, unindo a nostalgia de um clássico de bairro à sofisticação do conceito from shelf to table. Sob a visão de Vera Bleck e Sara do Ó, e com o talento de Bruno Costa, o espaço oferece agora uma experiência gastronómica completa, onde as Empadas de cozido e o icónico Filete RosBitas são as estrelas de uma carta feita de memórias e uma boa pitada de arrojo.
Este renascimento do Pub Lisboeta enquanto O Pub Lisboeta Mercearia Pachecas é o reflexo direto do percurso das suas mentoras, que trazem para o Príncipe Real uma visão de empreendedorismo com o propósito de retomar a alma de um lugar que se tornou icónico, com grande adesão e movimento ao longo de décadas, e que agora renasce, depois do cenário de grande imprevisibilidade dos anos 2021-22, para recapturar a sua grande aura de ponto de reunião e petiscos do Príncipe Real.
Sara do Ó, fundadora e CEO do grupo Ó Capital, é uma figura de referência no panorama empresarial português, conhecida pela sua capacidade de identificar projetos com alma e potencial de transformação urbana. A sua visão estratégica une-se à sensibilidade de Vera Bleck, cofundadora da Mercearia Pachecas, cujo olhar atento aos detalhes e paixão pela curadoria de produtos de proximidade garantem que cada elemento característico do Pub e todos os seus detalhes contem uma história de autenticidade comum a muita gente que por ali tem passado e o continua a frequentar.
Juntas, estas investidoras assumiram a missão de preservar este legado do Príncipe Real, injetando-lhe a energia contemporânea da Ó Capital e transformando o espaço num símbolo de uma Lisboa que sabe inovar sem esquecer as suas raízes. Onde antes se serviam apenas os copos de final de dia, acompanhados dos petiscos tradicionais, existe agora um projeto moderno e de alma cheia que respira a força da equipa que lhe dá vida, num equilíbrio humano raro onde a gestão se funde com a operação diária de quem conhece bem a longa caminhada feita por esta casa e lhe conhece os cantos como a palma da mão.
Bruno Costa, o barman de sempre que agora assume o papel de sócio, continua a ser um verdadeiro mestre de hospitalidade, sendo também, e de acordo com aquilo que é o seu principal perfil, o criador de uma carta de cocktails exímia. Chamado a intervir neste projeto e a retomar uma ligação que já tinha ao Pub Lisboeta, a sua intervenção e experiência (inclusive, como formador na área) foram decisivas.
Enquanto isso, cabe ao colaborador atrás do balcão, Ram, que ainda conhece mal o português mas apresenta uma vontade inabalável de servir bem e um gosto peculiar pelo seu trabalho, assegurar a dinâmica do serviço, desdobrando-se com uma agilidade impressionante para que, em poucos minutos, os pedidos apareçam na mesa. Costuma-se dizer “depressa e bem não há quem”, mas Ram veio destituir a força olímpica deste adágio, revelando uma logística de bastidores inteligente e eficaz.
Dadas as características do Pub Lisboeta Mercearia Pachecas, estreito e comprido, afunilando-se no sentido transversal à rua, a preparação dos alimentos e a sua confeção nasce numa cozinha de produção ali circunvizinha, onde as bases são encomendadas e preparadas, para depois chegarem frescas às mesas do Pub. Aí, nas mãos de Ram e da restante equipa, cada prato recebe o “toque final” que faz toda a diferença: aquecimento preciso, montagem cuidada, temperos de última hora.
Não sabemos exatamente como conseguem, mas o facto é que resulta e acabámos por experimentar uma carta cheia de vivacidade quer nos ingredientes, quer nos sabores.
Assim que entramos no O Pub Lisboeta Mercearia Pachecas, somos imediatamente abraçados por uma estética que cruza o conforto de pub clássico com a organização meticulosa de uma mercearia fina. As paredes em tons de bordeaux profundo contrastam com as prateleiras de madeira clara, onde se alinham conservas, vinhos e produtos selecionados.
O balcão, ao fundo, é um chamariz, assim como as mesinhas quadradas com os seus bancos de madeira pintados cor de coral, os quadros com legendas a giz e a luz suave que entra pela porta e se reflete nos espelhos laterais – tudo contribuindo para criar uma atmosfera de “abrigo” urbano. Nas ardósias, está expresso o compromisso da casa: “Mantemos o nome, Honramos a História”, uma promessa que diz tudo sobre este projeto que nos leva a experienciar, sobretudo, uma hospitalidade descontraída e atenta.
Nesta visita, começámos com o frescor de um Limoncello Spritz e um copo de tinto encorpado, o Colinas do Douro, que acompanharam uma sucessão de pratos onde o detalhe visual impressiona tanto quanto o paladar.
Veio para a mesa um Couvert simples e autêntico, com pão rústico de qualidade, perfeito para acompanhar as azeitonas temperadas.
Como primeira paragem obrigatória nas entradas, os Croquetes de Vitela revelam-se uma escolha sem falha: fritos no ponto, com um recheio cremoso e bem temperado que convida ao primeiro gole de vinho.
Para brilhar em cima da mesa como primeiras impressões, vieram os Espargos na chapa: generosamente cobertos por uma camada de queijo parmesão ralado e amêndoa tostada laminada, criando um contraste de texturas crocantes sobre a suculência do vegetal.
Seguiu-se o Tártaro de Novilho, servido em doses individuais sobre fatias de pão rústico torrado, onde a carne, picada com rigor, surgia pontuada por cebola roxa, cebolinho e pequenos apontamentos de pimento, revelando um equilíbrio ácido e fresco impecável.
Mas, em nossa opinião, é na mestria dos folhados e das carnes que o Pub atinge o seu auge.
A Empada de Cozido do Bitas deixou-nos impressionados assim que chegou à mesa: uma pequena escultura dourada. Trata-se de uma empada em tamanho grande, de massa tenra, brilhante, que, ao ser cortada, liberta o aroma inconfundível do cozido tradicional, com a couve e as carnes desfiadas perfeitamente ligadas. Ali não falta condimento nenhum: estão as couves e as carnes, mas também a farinheira, o chouriço de carne e o chouriço de sangue.
Logo ao lado, o Fillet RosBitas apresentou-se como uma baguete de aspeto rústico, cortada em várias secções, prensada na tostadeira até atingir uma crosta estaladiça, deixando antever o roast beef rosado e o queijo fundido que, em conjunto com uma manteiga de ervas aromáticas, faz deste prato, digamos, um “prego de luxo”.
Explorando a restante carta, percebe-se que a oferta foi desenhada para vários momentos do dia, tirando partido desta finalização minuciosa feita ao balcão.
Para quem quiser petiscos mais diretos, existem as Ostras, os Beijinhos de Alheira em cama de grelos ou as deliciosas Pinsas, como as de Presunto, Parmesão e Doce de Figo ou a de Burrata, Trufa e Manjericão.
A influência da Mercearia Pachecas é evidente na curadoria das Tábuas Mistas, que reúnem queijos, enchidos e conservas de eleição, como a de Sardinha Alimada com Compota de Pimentos.
No balcão, Bruno Costa assegura que a viagem não termina na comida, oferecendo desde o clássico Negroni ao exótico Mezcal Sour ou ao robusto Old Fashioned.
O final da refeição é um capítulo à parte, assinado por Joana Reymão Nogueira. Os Dadinhos de Bolo de Laranja com brigadeiro apresentam-se em cubos perfeitos, húmidos e intensos, com cremoso recheio de chocolate por cima, enquanto o Bolo Chocolate Paparrucha é a escolha para os amantes integrais do reino de cacau.
A nota de maior originalidade pertence, contudo, ao Cocktail Tiramisu: uma sobremesa líquida e sólida que desconstrói o famoso ícone italiano, com café, licor e uma espuma densa, servida com os tradicionais palitos La Reine à parte.
Isto permite ao cliente recriar a sobremesa como lhe apetece: pode-se usar os palitos La Reine para ir degustando a espuma ou creme de tiramisu, ou misturar tudo (o que aconselhamos a fazer mais para a parte final), obtendo uma bebida cafeinada e alcóolica simultaneamente, absolutamente deliciosa. Enfim, um corolário da gulodice.
No O Pub Lisboeta Mercearia Pachecas, tudo é servido com paixão e rigor, ali, no Príncipe Real, onde o coração de Lisboa continua a bater forte através de uma identidade que se celebra sem pressas e de forma genuína.
