PATEO: consórcio quer prolongar vida sem demência e aliviar pressão no Estado

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Um consórcio com Alzheimer Portugal, ISCTE e Fundação Champalimaud lança o PATEO, projeto financiado pelo PRR que propõe alternativas aos lares para prolongar a autonomia de pessoas idosas e reduzir custos no Estado.

Em 2050, cerca de 358.000 portugueses deverão viver com alguma forma de demência. A projeção, avançada pela Alzheimer Europe, traduz um cenário de pressão crescente sobre famílias, Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social – e é precisamente este cenário que um consórcio alargado de entidades portuguesas pretende contrariar com um projeto de intervenção integrada chamado PATEO.

A sigla significa Pessoas com Autonomia, Teto, Espaço e Oportunidade. O consórcio que lhe dá corpo inclui a Alzheimer Portugal, o Atelier Peninsular, o Instituto S. João de Deus, o ISCTE, a NOVA Medical School, a Rede Capital Social e a Fundação Champalimaud. A iniciativa é financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e assenta numa premissa central: o modelo atual de resposta ao envelhecimento, maioritariamente centrado em lares, acelera a dependência em vez de a travar.

Segundo os investigadores envolvidos no projeto, cerca de 45% do risco de desenvolver demência está associado a fatores modificáveis, entre os quais o isolamento social, a inatividade e a falta de estímulo cognitivo e ambiental. A lógica do PATEO parte deste dado para argumentar que intervir precocemente nestes fatores, através de modelos alternativos de habitação e cuidado, pode alterar a curva de progressão da doença e prolongar os anos de vida autónoma.

O diagnóstico sobre o estado atual dos cuidados é crítico. A resposta disponível mantém-se predominantemente institucional, com alternativas intermédias escassas e cuidados domiciliários insuficientes, frequentemente acionados de forma tardia. Esta configuração, argumentam os promotores do projeto, aprofunda desigualdades, favorece o isolamento e conduz a institucionalizações não desejadas, com perda de autonomia e de vínculos comunitários.

O PATEO propõe duas linhas de resposta complementares: os cuidados domiciliários modernos e as Organizações Habitacionais Colaborativas, também designadas por cohousing. A transição para estes modelos é apresentada como uma via capaz de gerar poupanças expressivas para o Estado, embora os valores concretos dessas poupanças estejam por quantificar publicamente.

O projeto estrutura-se em torno de dois estudos de caso concretos. O primeiro é o Home360, uma intervenção psicossocial com a duração de cinco meses desenvolvida pelo Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal. Destinada a pessoas com demência e aos seus cuidadores informais, a iniciativa combina acompanhamento personalizado, visitas domiciliárias, grupos de apoio e formação orientada por Planos de Intervenção Individual.

O segundo estudo de caso é A Casa, uma cooperativa habitacional de cohousing idealizada e autogerida por cidadãos seniores, ainda em fase de implementação. O modelo distingue-se pela auto-organização dos próprios residentes, que assumem um papel ativo na gestão do espaço e na criação de redes de suporte social.

Para além disso, o consórcio tem vindo a desenvolver workshops e grupos de trabalho que reúnem decisores e profissionais para mapear dificuldades concretas na implementação e financiamento dos cuidados domiciliários, identificar obstáculos legais e regulamentares à inovação na articulação entre habitação, saúde e apoio social, e consolidar evidência científica e técnica. Este trabalho dará origem a um policy brief destinado a orientar reformas e projetos-piloto.

Os resultados do projeto serão apresentados numa sessão pública agendada para 27 de março, entre as 14h30 e as 18h30, no Auditório da Fundação Champalimaud, em Lisboa. A iniciativa pretende reunir decisores públicos, dirigentes de serviços, poder local e financiadores, com o objetivo declarado de acelerar compromissos de implementação.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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