No coração do EVOLUTION Cascais-Estoril, e ao leme do The Kitchen, o Chef Renato Bonfim lidera uma cozinha de produto onde a carne maturada e a inovação vegetal coabitam em harmonia.
O enquadramento do EVOLUTION Cascais-Estoril não podia ser melhor: um hotel de quatro estrelas que prima pelo qualidade, conforto e modernidade sobre a Linha do Estoril.
E não é apenas por estarmos na zona da Linha de Cascais. Estrategicamente posicionado entre o glamour histórico do Casino Estoril e a brisa atlântica de tão conhecida e procurada riviera portuguesa, o hotel destaca-se pela sua arquitetura arrojada e por um conceito de hospitalidade que privilegia a fluidez entre hóspedes e visitantes. O cenário é de um Urban Chic com um toque disruptivo. De facto, este Sana Hotel não é o típico hotel de linha de mar com tons pastéis; é algo muito mais vibrante e conectado. O maximalismo elegante, com o conceito de open space e fluidez, aponta para texturas, metais e reflexos, com o uso de superfícies espelhadas e metais que conferem ao espaço um ar cosmopolita. Cores vibrantes (amarelos, azuis ou laranjas) e contrastes entre cinzas e pretos dão energia ao lobby e às zonas comuns.
É neste cenário de vanguarda que encontramos o The Kitchen, um restaurante de cozinha aberta que nos convida a testemunhar a transformação que ocorre, sob a arte do chef e da sua equipa, da matéria-prima em pratos deliciosos.
Já tínhamos visitado este espaço em Cascais para provar o EVO Brunch e, na altura, antecipámos o que agora se confirma: o brunch tornou-se um sucesso. A adesão tem sido grande, provando que, quando a informação, com o catalisador necessário chega ao público certo (modéstia à parte), a resposta acaba por responder às expetativas.
No entanto, voltámos ao The Kitchen no passado mês de fevereiro, desta vez para um jantar, que revelou uma realidade distinta: o paradoxo das “Quatro Estrelas”. É um fenómeno curioso e, de certa forma, torna a arte e dedicação de quem trabalha no restaurante e de quem promove o valor da sua gastronomia num verdadeiro desafio. Na verdade, parece existir ainda um preconceito enraizado de que os restaurantes inseridos em hotéis de quatro estrelas são espaços exclusivos para hóspedes ou ambientes excessivamente formais. Há quase, dir-se-ia, um efeito intimidante…
Mas a verdade é que o décor do Evolution é uma lufada de ar fresco convidativa a uma pertença comum: um ambiente retro-futurista e cosmopolita, onde o design industrial se cruza com o conforto premium. É um espaço que não pede licença para ser arrojado, substituindo a formalidade tradicional por uma fluidez urbana e tecnológica, perfeita para quem procura estilo sem o peso da etiqueta clássica; ou seja, perfeita para todos e qualquer um.
Depois, e isto é o mais relevante, as pessoas não sabem o que estão a perder. Jantar no The Kitchen é ter o privilégio de um atendimento ultra-personalizado num ambiente de design sofisticado, sem a barreira da pretensão. Usem os talheres que quiserem, peguem na bucha de pão com a mão, façam como vos der mais gosto. Têm sofás e diversos tipos de cadeiras para se recostar, mesas de vários tamanhos e formas – escolham onde e como se sentirem mais confortáveis.
O facto de estarmos numa sala bastante à vontade permitiu-nos apreciar a coreografia da equipa e a paz necessária para uma experiência completa. Quem evita o The Kitchen por receio da “etiqueta hoteleira” está a abdicar de uma das melhores cozinhas de produto da região – e quem ainda não conhece tem que suprimir essa lacuna o quanto antes.
Em primeiro lugar, temos o fator Equipa e Chef, ou seja, o fator humano como diferenciador. O sucesso de qualquer projeto gastronómico assenta nas pessoas. Fomos recebidos por uma equipa fantástica, com uma formação e experiências sólidas que se traduzem num profissionalismo irrepreensível. Há um gosto genuíno no atendimento, uma atenção ao detalhe que transforma uma simples refeição num momento de conforto absoluto. São estes profissionais que fazem o hotel florescer.
No comando da cozinha do The Kitchen está, como é bem sabido, o Chef Renato Bonfim. Conversámos uns quantos minutos e percebemos que a sua filosofia não passa por “inventar a roda”, mas sim por respeitar a integridade do produto. Com um percurso pautado pela escolha criteriosa de fornecedores, Renato aprecia particularmente o trabalho com os cortes e, como tal, privilegia raças autóctones portuguesas, mantendo um contacto semanal direto com os produtores. Como o próprio refere: “Temos um bom produto, o nosso trabalho é continuar a fazê-lo como deve ser e deixar a coisa acontecer”.
O menu do The Kitchen, esse, é apresentado num tablet e reflete uma viagem por etapas. A primeira parte é o Enquanto Escolhe. Neste separador desenhado para acalmar a fome inicial enquanto se decide o percurso, apresenta-se o Nosso Couvert, composto por Pão de massa mãe e Dinner rolls (um pão floreado, estilo brioche, feito em bolbos fofos e brilhantes), acompanhados por uma Tapenade de azeitona e uma trilogia de manteigas: a pureza dos Açores, uma versão fumada com tomate seco e a irresistível manteiga de alho assado.
A segunda parte é o Primeiro Momento, onde vamos encontrar umas entradas bem audaciosas. Logo aqui, a carta revela a sua versatilidade. Chamo a atenção para as minhas opções, que foram o Topinambur e Levedura de Cerveja, por ser uma das grandes novidades. Este tubérculo, parente do girassol com notas de alcachofra, é grelhado e servido com um molho de levedura que o Chef assume como um dos seus favoritos.
Destaque absoluto, que também provámos, vai para o Tutano e Tártaro do Lombo Fumado. O prato chega à mesa protegido por uma cúpula de porcelana da China que, ao ser levantada, liberta o perfume das farripas de cerejeira. O tutano, assado no forno, serve de base para o tártaro de novilho picado à faca, numa simbiose de temperaturas e texturas fascinante. Confesso que não aprecio particularmente esta modalidade de ter osso no prato, mas o objetivo era raspar o tártaro – como sabemos – carne moída crua temperada – no tutano do osso que cozinhou no forno até atingir o ponto necessário. Daí, a carne vem com os sabores únicos do tutano – uma delícia!
Quem quiser, pode ainda provar as Ostras da Neptunpearls, servidas ao natural sobre gelo, que garantem a frescura oceânica necessária para equilibrar a robustez que se segue, os Croquetes de Rabo de Boi com bechamel e trilogia de mostardas, o Presunto à Cortador de porco preto, o Carpaccio de Novilho com Queijo da Ilha DOP e, para quem procura sabores mais intensos, destacam-se o Clássico Tártaro do Lombo picado à faca e os Ovos Ricos reinventados com carabineiro e trufa.
A terceira parte é dedicada a quem é bom apreciador de carnes: a dos Cortes Premium.
Como qualquer steakhouse moderna, os “Cortes Premium” são o coração da casa. A oferta vai desde o Chuleton Maturado, um corte alto com maturação prolongada, de sabor profundo e marcante; a Vazia Maturada, caracterizada por um sabor intenso e suculento, equilibrado em gordura; o Entrecoute Maturado, definido como um corte clássico, marmoreado, macia e de sabor profundo; o Lombo de Novilho, de sabor delicado e textura fina; o Porterhouse Maturado, que combina lombo e vazia num só corte.
Quanto à nossa escolha, tivemos a oportunidade de provar o Flat Iron Steak Maturado (para duas pessoas), um corte rico em sabor e tenro, maturado para garantir a máxima suculência, e o imponente Chateaubriand para duas pessoas, que se caracteriza pela sua extraordinária macieza (corte central do lombo), como refere a carta, “ideal para partilhar”.
Todos os cortes são acompanhados por um molho à escolha. Por obséquio, foram-nos trazidos vários, entre os quais, o clássico Beurre Café de Paris, Béarnaise, Chimichurri e a Manteiga de Alho. Todos nos despertam sensações de retorno a espaços profundos e bem guardados da nossa memória – são verdadeira arte de Chef.
Em matéria de acompanhamentos (os Sides), descobrimos que mais outro primor, não menos relevante, da carta do The Kitchen. As Batatas Fritas Trufadas e o Arroz de Tomato ao Forno – um arroz carolino rico com o topo devidamente caramelizado – são escolhas bem gostosas e reconfortantes. Nota especial para o Cogolho Grelhado e Pesto de Pistáchio, que também testámos e que descobrimos ser uma forma de elevar uma simples alface a um prato de autor, com o inconfundível creme de pistachio a fazer dobradinha no sabor de tão delicioso prato.
No separador Twist do Chef, o destaque vai para pratos como Frango do Além (ficámos a saber que o nome exótico é uma menção ao fornecedor), cozinhado a baixa temperatura com cogumelos e puré de batata, e o Hambúrguer de Novilho Maturado Evolution Style.
Para harmonizar, seguimos a sugestão da equipa: um Divai Touriga Nacional (Alentejo), com 13% vol., cujas notas de frutos negros e estrutura equilibrada foram o par perfeito para a intensidade das carnes maturadas.
Pedi um mocktail e fiquei a conhecer o espumoso e criativo Alcool You Latter. Mais do que uma bebida refrescante, o nome é um trocadilho brilhante com a expressão inglesa “I’ll call you later”. Servido numa taça elegante, começa por ter na base um vibrante xarope de morango a que se junta a frescura cítrica de uma combinação de sumos naturais de limão, laranja e ananás, criando um corpo frutado e equilibrado. O verdadeiro selo de autor surge na cobertura: uma espuma artesanal, desenvolvida na casa, que funde a acidez do sorvete de limão com a cremosidade e o sabor terroso do gelado de pistáchio. Para elevar a experiência e conferir-lhe uma nota picante e revigorante, o conjunto é finalizado com um toque subtil de sumo de gengibre.
O Gran Finale, e última secção do menu (Finale) foi protagonizado por um encerramento mais do que doce: o Doce da Casa servido diretamente de uma taça grande, onde é confecionado, para o prato de sobremesa, é uma reinterpretação sofisticada do bolo de bolacha, com camadas de fudge de whiskey e uma mousse de chocolate de São Tomé, finalizado com petazetas de chocolate que explodem na boca.
Existem outras sobremesas à escolha, nomeadamente para quem prefere algo mais tradicional, como o Abade Priscos e Sorbet de Framboesa, O Nosso Crème Brûlée ou a Seleção de Fruta (três frutas laminadas ao momento).
Espero que tenham percebido o que vos espera. O The Kitchen tem todos os ingredientes para ser um dos restaurantes mais concorridos da Linha: a visão do Chef Renato Bonfim, uma equipa de excelência, matéria-prima de topo e uma localização privilegiada. Falta apenas que o público local e turístico perca o receio de entrar num hotel para jantar e descubra o que ali se cozinha.
Da nossa parte, fica o aviso: não esperem pelo próximo artigo para marcar mesa. A vida passa depressa e uma carta assim merece ser experimentada o quanto antes.
