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Wilko Johnson – Deixem a guitarra cantar

O Grande Auditório do CCB recebeu Wilko Johnson e respetiva banda no passado dia 12 de fevereiro para uma paragem da tournée de promoção ao seu último disco de originais, Blow Your Mind, de 2018 – o primeiro com material original em 30 anos do antigo guitarrista dos Dr. Feelgood, após o maior sucesso comercial da carreira, Going Back Home, gravado com Roger Daltrey.

Rapidamente e em força, Wilko Johnson faz perceber que irá dar um concerto da velha guarda, com poucas ou nenhumas paragens em que o nível discursivo entre cada música vai andar perto do zero (em consonância com o seu papel enquanto Ilyn Payne na adaptação televisiva em Guerra dos Tronos, que lhe granjeou uma celebridade renovada num universo extra-musical).

O que interessa aqui é a guitarra, e Wilko, com os seus mui energéticos 71 anos, os quais ainda reluzem mais pela sua inspiradora história de vida, desliza pelo palco constantemente, balançando temas instrumentais com outros com letra como “Back In The Night” e o single mais recente, “Marijuana”.

Com uma voz rouca que não envergonha, é, no entanto, enquanto guitarrista de estilo muito próprio que Wilko Johnson ganhou culto, com o clássico dos Dr. Feelgood, “Roxette” (a melhor música jamais feita com este título) à cabeça. Com a quebra progressiva do formalismo, como aquele que uma sala como a maior do CCB impõe, a desaparecer progressivamente, o divertimento em palco torna-se mais visível, e o estilo que há algumas décadas teria sido classificado como pub rock torna-se mais aparente. Só fazem falta as cervejas e uma maior proximidade do público, algum do qual não obstante vai abanando o capacete.

Os pés cruzadores deste herói da guitarra não param, bem como a forma aparentemente displicente (só que não) como ele trata o seu instrumento, provável motivo para diversas caras conhecidas do meio musical nacional marcarem presença. E com músicos de fina linhagem a acompanhar – Dylan Howe na bateria e, em especial, um inspirado Norman Watt-Roy no baixo por vezes a roubar a atenção ao ator principal, o tempo não se arrasta, voa.

A marcha de um lado para o outro destes veteranos permanece vigorosa, sem tempo para mais do que alguns breves e simpáticos obrigados. Há rigor no tempo que se está no palco e no que este tem de representar para os espectadores – o tempo útil de jogo é do mais alto a que assistimos nos últimos tempos.

Chega o fim, com os habituais aplausos a pedir encore a seguirem-se. E este segue-se também, com mais um clássico absoluto do género, “Johnny B. Goode”, do mito Chuck Berry. Com muitos byes à mistura, percebe-se que este fim, com direitos a vários solos, está pensado assim para ser sempre assim. Está certo. Reconfortantemente direto.

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