Volvo XC40 – Ao volante do Carro Europeu do Ano 2018

por Rui Farinha Pereira

Tive o prazer de testar, desta vez, aquele que foi distinguido como o Carro Europeu do Ano 2018, o Volvo XC40. A versão ensaiada foi o XC40 T3, equipado com um motor 3 cilindros de 1477cc e 156cv a gasolina, além de caixa manual de seis velocidades.

A versão ensaiada tem aquela que considero uma das cores mais bonitas do mercado, um branco perolado (Branco Cristal Inscription é a designação oficial) e, como a nível de equipamento tinha o pack R-Design Tech Edition, conta com tejadilho e alguns apontamentos a preto, que lhe dão um estilo mais desportivo, e que, pessoalmente, aprecio bastante. A versão ensaiada conta ainda com os packs Mirror, Versatility Pro e Xenium R-Design.

A primeira coisa que estranhei foi a leveza da direção, que, no entanto, se torna mais pesada à medida que a velocidade aumenta. Desta forma, torna-se fácil manusear o XC40 em cidade, também fruto do excelente ângulo de brecagem que tem, mas ao mesmo tempo seguro de conduzir em velocidades mais elevadas.

As linhas são apelativas e, nisso, a Volvo tem feito um excelente trabalho nos últimos anos. Este XC40 é um desses exemplos. O interior é confortável, bem desenhado e espaçoso. Gostei dos pormenores em preto piano, bem como os detalhes em cinza que podemos ver ao longo do tablier e das linhas das portas.

Em termos de condução, confesso que esperava um pouco mais de genica deste motor T3. Mesmo em modo de condução desportiva, não o achei assim tão desportivo, mas convenhamos, não é essa a função deste XC40. Também não achei que fosse assim tão poupado, mesmo usando bastante o modo ECO. No final do ensaio, a média ficou nos 10,8 litros a cada 100km percorridos. Porém, como sempre ressalvo, estes testes não são feitos para olhar para a questão dos consumos, mas sim para o que os carros me transmitem.

Estes 10,8 litros de média foram um misto de autoestrada, estrada nacional e circuito citadino, usando maioritariamente o modo “Comfort” e “ECO”, recorrendo apenas ao “Dynamic” em algumas ocasiões para testar o comportamento do motor. Gostei também da suspensão algo rija, mas nada desconfortável, e que contribui para uma sensação de segurança proporcionada por este chassis. Adorei a caixa de velocidades, muito precisa, curta e divertida de manejar.

Pode haver a tentação de dizer que o XC40 é quase como uma Matrioska da Volvo, em que temos o XC90, XC60 e depois o XC40 como sendo o mais pequeno, mas a verdade é que o XC40 tem o seu estilo único, com a sua grelha concava e estilo possante.

No interior é semelhante aos seus parentes maiorzinhos, mas isso não é em nada mau, antes pelo contrário. É atraente, tem muita qualidade de construção e o seu painel tátil de 12.3 polegadas, que fica no meio da consola, é de muito fácil navegação.

Continuando no interior, há bastante espaço à frente e atrás, mesmo para quem seja mais alto, mas será que isto surpreende alguém quando estamos a falar de uma marca sueca!? Eles não são propriamente conhecidos por serem baixos e atarracados…

Em termos de armazenamento, a mala pode ir dos 460 aos 1336 litros, se forem rebatidos os bancos traseiros. É engraçado perceber que o chão da bagageira pode ser “dobrado”, o que é útil para sacos de compras, por exemplo, não andarem a passear de um lado para o outro.

Entre os inúmeros sistemas de segurança a bordo, temos o City Safety, o sistema automático de travagem de emergência (AEB) da Volvo que deteta pedestres, ciclistas e animais de grande porte, além do “Oncoming Lane Mitigation”, que avisa caso estejamos a sair de faixa ou em direção a um veículo que venha em sentido contrário, ajudando a voltar em segurança para uma trajetória ideal. A este respeito, devo dizer que o AEB, por vezes, acionou sem grande razão para tal, sendo que da primeira até causou algum sobressalto.

Como veredicto, diria que a Volvo fez um muito bom trabalho neste XC40, pelo que fiquei com curiosidade de o experimentar em outras motorizações. O XC40 incorpora (e bem) muito daquilo que são os pergaminhos da Volvo.

É confortável e transmite uma sensação de segurança em todo o tipo de condições (tive possibilidade de testar em piso seco e molhado). Transmite calma ao invés de colocar os ocupantes em curvas vigorosas. Porém, se insistirmos, também não nos vai deixar ficar mal e ter um comportamento inesperado. O habitáculo é extremamente bem organizado e prático, espaçoso e bem construído, com materiais muito agradáveis.

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