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Vodafone Paredes de Coura – Dia 1: Casa cheia e alegria

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É inédito. Logo no primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura, filas. Filas em todo o lado. Este ano tem, de facto, algo de diferente. Mais cheio e com mais público de dentro do retângulo e do estrangeiro. Chegam a ouvir-se comentários de que apenas um palco, mesmo o maior, é curto. Seria curioso se, dentro de poucos anos, todos os dias tivessem dois palcos. Uma opção tão polémica em 2011, e que, hoje, parece tão óbvia perante o crescimento do festival.

Para compensar, a resolução dos ecrãs está melhor que nunca, e até já há um logo a seguir à entrada principal. Perante tanta tanta procura, na verdade até está bem.

Assim, depois de uns Boogarins bons para som de transição à hora de chegada, com o rock psicadélico da banda brasileira a entrar nos ouvidos com facilidade, embora a manter-se nas nossas cabeças por pouco tempo, às 23h15 chegam os Parcels, fenómeno australiano em crescimento. Percebe-se logo pela reacção do público, bem acima do esperado para tão novas presenças.

Mas não deixa de fazer sentido perante tal energia e comando da multidão. Há fotos de comida que podia ser um prato de moelas ou uma dose de rojões, garantia de boa disposição, e as guitarras quase ao estilo de Nile Rodgers fazem o resto. A meio do concerto, temos direito a sintonia de rádio com Jorge Palma incluído. Os rapazes sabem para quem estão a tocar.

Parcels – Créditos: Emanuel S. Canoilas

É Verão, estamos contentes por estar no habitat natural da música e aparecem slides de naturezas mortas ao estilo de Josefa de Óbidos. É arte centenária, mas tudo faz sentido neste momento de vibes de outras eras, quase a pedir uma festa ou uma rave. Parece antigo, mas puramente de 2019. Já os Parcels estão radiantes, com tão boa receção. Momento alto do festival, número um.

Já os The National são a montanha da noite, inevitáveis. Banda de muita devoção em Portugal, e de muitas visitas também, fazem uma entrada bem disposta, confiante. “Don’t Swallow the Cap” aparece pouco depois do início, e a galeria do Vodafone Paredes de Coura aparenta estar ganha à partida. Todos parecem confortáveis. Banda eminentemente confessional, com Matt Berninger depressa a revelar o seu interesse por temas como ET´s ou caminhos de ferro, e a via para o coração dos presentes está aberta.

The National – Créditos: Emanuel S. Canoilas

Numa setlist eclética, com amostras dos vários álbuns, mas com predominância natural do último I Am Easy To Find, há no Vodafone Paredes de Coura uma demonstração da mestria na interpretação da banda, em particular da guitarra de Aaron Dressener e da bateria de Scott Davendorf, como é especialmente visível em The System Only Dreams In Total Darkness. Quadrado picado na lista desta edição com sucesso.

Enquanto isso, junta-se aglomerado grande de gente para o after hours com os KOKOKO!. Aos cinco minutos de atraso, começa a existir reclamação séria do público perante o não terminar do concerto no palco principal. O Vodafone Paredes de Coura pode também ser impaciente.

KOKOKO! – Créditos: Emanuel S. Canoilas

Os fatos de trabalho amarelo chegam finalmente, depois do final dos The National, às 2h32. E se os vocais perdem para os instrumentais (a voz do Xavier Thomas, que também é produtor do projeto, mal se percebe no conjunto), estes últimos fazem a força do coletivo da República Democrática do Congo, a qual se faz imediatamente sentir.

A festa no palco secundário arranca logo, e hordas de gente continuam a chegar para se juntar a ela. Com instrumentos em boa parte criados pelos próprios, à base de latas ou peças de motos, o som de fusão dos KOKOKO é composto por influências do Congo, mas com uma componente elétrica forte e com passada rápida. O single” Kitoko” é um bom exemplo disto, e é água nova procurada por gente com sede. Boa recompensa para os duros do pelotão.

Fotos de: Emanuel S. Canoilas

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