Vodafone Paredes de Coura 2026, Dia 2 – Friko entre os romanos, Kurt Vile recebe as estrelas e os irmãos da guitarra que finalmente vieram

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Hermanos Gutiérrez levaram duas guitarras a uma casa cheia, num dia do Vodafone Paredes de Coura que também contou com Friko e Kurt Vile.

As Vodafone Music Sessions têm sido um dos pontos fortes do festival Vodafone Paredes de Coura, com atuações em locais fora do recinto junto à praia fluvial do Taboão, e hoje tivemos direito a ir ao Núcleo de Marcos Miliários de Antas, em Rubiães. No menu, entre o terreiro junto à igreja, o bar da associação e cadeiras de madeira debaixo de uma lona para dar uma muita agradável sombra, os muitos interessantes Friko, banda norte-americana de Chicago, deram, nas palavras do simpático vocalista Niko Kapetan (de t-shirt Charlie Brown misturada a certa altura com braços Ian Curtis) , um “nice, chill set”, iniciada com “Seven Degrees”, “Where We’ve Been”, “Something on Your Mind”, “Cardinal”, “Alice” e, por fim, “Certainty”. Boa demonstração do novo indie rock dos dias de hoje, com dois álbuns publicados até agora – Where We’ve Been, Where We Go from Here (2024) e o fresquinho Something Worth Waiting (2026), aqui entre marcos miliários romanos com cerca de 1.950 anos e um solar do século XVIII. No fim, um senhor da terra grita pelo amigo Agostinho que chega ao terreiro. Bonito.

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Friko no Paredes de Coura 2026 – Foto: Emanuel Canoilas

Horas mais tarde no recinto, Kurt Vile & The Violators regressam ao sítio onde foram felizes em 2011 – um dos vintages mais celebrados da história do Couraíso em que se apresentou humildemente no então recém-inaugurado Palco 2 e encantou a galera com Smoke Ring For my Halo. Agora no palco maior, temos cinco em palco, herdeiros da linhagem de uma tradição da chamada americana vinda do estágio de Kurt Vile nos War on Drugs. É daqueles concertos que há quem possa chamar soporífero pela relativa lentidão com que se dedilha as cordas da guitarra, mas sem dúvida que ela é tratada sempre bem, qual herói que passa um “Bassackwards” como quem não quer a coisa e um final de virtuosismo que leva ao limite horário antes do início do encapuzado Pale Jay, que terá o palco Coura sem Paredes tão cheio que torna a visualização cómoda do seu concerto missão impossível, mesmo com tampões que abafem o ruído das conversas em volta.

Pode-se fazer desde já fazer um balanço inicial que esta edição está cheia de gente que nem o proverbial ovo, mostrando que a questão dos nomes passa cada vez mais ao lado do sucesso ou não de alguns dos mais renomados festivais nacionais. As pessoas querem estar ali e pronto, ou assim parece. E no ano eclipse, todos os sítios ficam cheios depressa por cá, o que torna este palco bastante aquém entre as oito e a meia-noite para quem chega depois da hora de início e não veio reservar lugar mais cedo. É a espuma destes dias.

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Hermanos Gutierrez no Paredes de Coura 2026 – Foto: Emanuel Canoilas

Por fim, o concerto dos Hermanos Gutiérrez após o cancelamento do ano passado era uma das grandes expectativas do certame de 2026, e foi outra casa cheia que recebeu os irmãos (sim, não é uma metáfora) por Alejandro Gutiérrez e Estevan Gutiérrez. Público que se foi rendendo a um concerto de simplesmente duas guitarras em palco, condor em fundo azul imutável em pano de fundo, e a sequência de músicas que inevitavelmente fez lembrar os Dead Combo que passaram por este anfiteatro natural em 2012 e foram recordados pelo nome. Aliás, é uma interação algo flutuante entre os irmãos e o público, que varia entre elogios a figuras nacionais (como aquela e o pedido de grito de Cristiano Ronaldo) e referências a ter visto alguém com uma t-shirt que acharam bonita e depois perceberam que era do merchandising dos próprios Hermanos Gutierrez.

Mais para o fim, surge outra homenagem a Dan Auerbach, o membro dos Black Keys que agarrou discograficamente nestes irmãos suíços com raízes no Equador com “Tres Hermanos”. Foi uma viagem bonita, mas que deu para coçar a sarna que vinha de 2025 com muita tranquilidade.

Bruno Rocha Ferreira
Bruno Rocha Ferreira
Apaixonado por vinhos e boa música, o Bruno Rocha Ferreira cobre eventos vinícos, concertos e festivais de música. Também gosta de stand up comedy de qualidade.
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