A Valve acredita que a escassez de memória RAM e armazenamento, causada pela procura da indústria da inteligência artificial, ainda não atingiu o pico e poderá agravar-se nos próximos meses.
A Valve deixou um aviso pouco animador sobre o estado do mercado de componentes para computadores. Numa entrevista à Bloomberg, dois dos engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento da Steam Machine indicaram que a atual crise no fornecimento de memória RAM e armazenamento continua a intensificar-se e que os consumidores ainda não sentiram totalmente os seus efeitos, apesar dos preços das tecnologias já terem aumentado substancialmente.
De acordo com Pierre-Loup Griffais, e dando o exemplo da Valve, a empresa ainda se encontra muito limitada pela disponibilidade destes componentes. “Estamos basicamente a fabricar tudo aquilo em que conseguimos pôr as mãos. Estamos claramente limitados pela capacidade de memória.” Yazan Aldehayyat juntou-se à conversa e foi mais longe, ao admitir que “Sinceramente, a situação continua a piorar.”
Não só agora, mas mesmo quando Valve aumentou os preços da Steam Deck, a marca atribui esta situação ao crescimento meteórico da inteligência artificial nos últimos anos, cuja procura por componentes memória e armazenamento que normalmente eram utilizados para produtos de consumo, começaram a ser canalizados para centros de dados, fazendo disparar os custos e reduziu a disponibilidade destes componentes. Embora a Valve já antecipasse dificuldades no abastecimento, a dimensão do problema acabou por superar todas as previsões.
De acordo com Aldehayyat, os produtos atualmente disponíveis nas lojas atualmente refletem um cenário passado, de há três a seis meses, o que significa que o agravamento da escassez poderá ainda demorar algum tempo a chegar ao consumidor final. “Aquilo que as pessoas veem atualmente nas prateleiras das lojas está, segundo as nossas observações, pelo menos três a seis meses atrasado em relação ao que estamos a verificar no mercado grossista.”
A Steam Machine e a Steam Deck sentiram ambas o impacto destes aumentos. No fim de maio, a máquina portátil da Valve viu o seu preço aumentar em 200€ (35% mais cara), tornando aquela que era considerada umas soluções mais acessíveis do seu segmento, mais difícil de alcançar. Na altura, a marca justificou a decisão “devido ao aumento do custo dos componentes de memória e armazenamento.” Já o caso da Steam Machine, também chocou os seus futuros compradores que antecipavam algo mais barato. A própria Valve admite que o computador chegou ao mercado mais tarde e com um preço superior ao inicialmente previsto – a começar nos 1039€ -, tendo esta, combinada com a escassez de componentes para produção, uma consequência direta da atual crise. Ainda assim, a Valve afirma que todas as unidades produzidas foram vendidas, apesar da oferta limitada.
Apesar disto tudo, a Valve até garante que a crise não deverá alterar os planos para o futuro da Steam Machine, acreditado que o mercado acabará por encontrar um novo equilíbrio, seja através da descida dos preços ou da normalização dos valores atualmente praticados. Resta saber se esta garantia também é uma promessa para possíveis descidas dos seus produtos.
