Crítica – “Turn Up Charlie”, Idris Elba vira DJ numa comédia com pouca graça

Turn Up Charlie é uma série para os resilientes com fé na indústria do entretenimento porque só esses conseguirão passar do primeiro episódio e ter a oportunidade de perceber que a série não é terrível. É apenas moderadamente má.

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Bem, o primeiro episódio é uma espécie de lata de sardinhas em termos de conteúdo. Com o intuito de introduzir o maior número possível de personagens e explicar o passado de Charlie (Idris Elba), um Dj com uma carreira estagnada, o espetador assiste a um enxurro de informação a ser despachada em vinte e quatro minutos. A sensação que fica quando terminamos o episódio é que acabamos de ver uma encenação dos apontamentos que um assistente qualquer tirou enquanto o Idris Elba tentava vender a sua ideia à Netflix.

Apesar de tudo, os episódios seguintes vão melhorando. Quer dizer, os diálogos continuam a não ter muita graça, mas, para quem gosta dos filmes de Will Ferrell ou de Kevin Hart, é capaz de ser interessante. Outro ponto positivo é a mudança de ritmo dado que a história passa a desenrolar-se a um passo muito mais agradável. Além disto, a dinâmica entre Charlie e Gabby (Frankie Hervey), uma criança prodígio filha do melhor amigo de Charlie, vai-se afastando da interatividade forçada e artificial criada no primeiro episódio e aproximando-se mais de uma relação orgânica e credível.

Todavia, não há nada neste projeto que acrescente valor ao espetador: a história não é nova, os diálogos são redundantes e as relações entre as personagens são demasiado superficiais para nos fazerem nutrir qualquer apego emocional.

Portanto, no próximo dia 15 de março, data em que a série estreará na Netflix, não se entusiasmem. Mais do que isso, aconselho-vos a reler esta crítica segundos antes de dar uma oportunidade a Turn Up Charlie, uma vez que, desta forma, as vossas expetativas estarão tão baixas que a série poderá agradar-vos.

Dito isto, se costumam gostar de sitcoms e têm um apreço especial por buddy films cujo duo principal remete para o companheirismo entre um adulto e uma criança, esta série poderá ser uma opção válida para os vossos interesses.

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