Tudo boas vibes com Dave Matthews e a sua incrível banda

por Bernardo Bismarck

Foi no passado dia 6 de abril que nos dirigimos à Altice Arena para ver Dave Matthews e respetiva banda fecharem a sua tour europeia de 2019. “A última vez que cá estive prometi que, quando voltasse, voltava como última paragem da tour”, disse David John Matthews. E a verdade é que cumpriu.

Quando chegamos à sala de espetáculos a 10 minutos do seu início, reparámos que o cenário era um pouco desmotivador por estar com muito pouca gente, tanto na plateia como nos balcões. Felizmente, com o atraso, possivelmente propositado (marcar concertos para as 20h não é lá grande ideia), a sala ganhou vida, ficando praticamente cheia.

Perto das 20h20, Dave Matthews entrou em palco, bem discreto com seu dresscode, e levou a sala à euforia com o começo do espetáculo aos acordes de “Grey Street”. Momentos depois reparámos que a acústica da sala não estava no seu melhor, sentindo-se um ligeiro eco da música. Talvez por habituação, recalibração de som ou entrada de mais pessoas, essa sensação acabou por desvanecer por volta do quarto tema tocado, “Funny the Way It Is”, canção essa que foi depois sucedida por um dos temas de Dave Matthews a solo, “Stay or Leave”.

Apesar de sentirmos a ausência do saxofonista Leroi Moore, falecido num acidente, e do violonista Boyd Tinsley, neste caso dispensado da banda por acusações de assédio sexual, não deixou de prevalecer o espirito único que poucas bandas conseguem transmitir como a Dave Matthews Band. O prazer de tocar música e de entreter está incutido no seu DNA, e isso é visível através da energia, sorrisos e dedicação que todos os elementos têm durante todo o concerto.

De destacar aquele que é, possivelmente, um dos melhores bateristas do mundo, Carter Beauford, que, do início ao fim do espetáculo, nos foi maravilhando com um sorriso de orelha a orelha e com o seu talento único, numa bateria que criou propositadamente para dar asas à criatividade da banda na criação das suas músicas.

Quanto a Dave Matthews em si, não deixamos de ficar pasmados pela energia que este artista emana através de uma voz potente (bem sobrevalorizada) e uma presença em palco com momentos tão peculiares como quase aparenta ser a sua personalidade. É de frisar, por exemplo, os seus freestyles acompanhados de uma linguagem corporal à altura. Precisamos de mais músicos com estes no mundo da música, de uma criatividade e originalidade única que dão alma ao que ouvimos.

O entusiasmo do público tentou acompanhar a dedicação da banda, cantando bem alto os temas da banda, e tendo oferecido à banda uma chuva de estrelas de flashes quando entrávamos nas baladas. Tivemos oportunidade de ouvir os novos temas de último álbum, como “Can´t Stop”, e o quase hino “Samurai Cop (oh Joy Begin)”.

Íamos a cerca de metade do concerto quando foi chamado um grande amigo da banda diretamente do Rio de Janeiro, Carlos Malta. O flautista brasileiro, de 59 anos, veio reforçar a equipa de instrumentos de sopro logo na icónica “Dancing Nancies”, hipnotizando-nos com os seus solos de flauta que nos deixou de queixo caído.

Claro que não faltaram os temas de sucesso de uma já longa carreira, como “Warehouse”, “Jimi Thing” e “Ants Marching”, mas como falamos de uma banda que não se mantém fiel à setlist durante toda a tour, ficámos a sentir falta do icónico “Crash Into Me”. Mas não foi por aí que não conseguimos sair do concerto de coração cheio.

As covers também tiveram destaque neste concerto, dando-nos a oportunidade de ouvir canções de Peter Gabriel (“Sledgehammer”), Steve Miller (“Fly Like an Eagle”) e de Bob Dylan (“All Along the Watchtower”), interpretadas pela visão única de Dave Matthews. Esta última fechou o concerto com chave de ouro e deu-nos a despedida perfeita para uma noite cheia de grande música e emoção.

Tínhamos tudo para receber um concerto memorável e foi isso que nos foi dado. Graças à química entre banda e público, foi uma noite que nos deu, possivelmente, uma das melhores atuações da Dave Matthews Band em Portugal.

Fotos de: Tiago Cortez / Everything is New

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