“Troquei o iOS pelo Android e já não sei se consigo voltar atrás”

Em janeiro de 2007, Steven Paul Jobs, considerado um dos maiores génios de Silicon Valley, apresentou ao mundo o primeiro iPhone da história. Ora, eu, com os meus 18 anos, já era fã de tudo o que estivesse relacionado com novas tecnologias, tanto que, na altura, havia quem chamasse “nerds” a esse tipo de pessoas.

Já tinha admiração para com a Apple no que tocava aos portáteis, uma vez que o meu irmão tinha um MacBook daqueles brancos, feitos para destoar de tudo o que era computação portátil. Achava tudo aquilo fascinante, logo, como não adorar? Design incrivelmente simples, sistema operativo que diziam não apanhar vírus (sim, era um drama na altura) e uma fluidez sem igual.

Bem, voltando ao que interessa. Quando Steve Jobs apresentou aquele pedaço de inovação mindblowing no mercado dos telemóveis e mostrava que seria possível utilizar um telemóvel tátil apenas com o dedo (como assim apenas o dedo?! E a canetinha stylus?), este que vos escreve ficou totalmente rendido ao que tinha sido mostrado naquele evento Keynote. Automaticamente iniciei o plano de poupança para um telemóvel que iria custar cerca de 500€, coisa que, na altura, era considerada uma quantidade estúpida de dinheiro.

Em 2008 comprei o meu primeiro smartphone Apple, iniciando-me no mundo do iOS, o sistema operativo móvel da marca da maça. Rapidamente me apercebi que a experiência de ter um smartphone com iOS era completamente diferente do que tinha tido em todos os outro telemóveis, apesar das suas limitações em realizar tarefas básicas, como reencaminhar mensagens (parece difícil de acreditar, eu sei).

Tive um percurso que fugia a tudo o que era iPhone S. Do 3G parti para o iPhone 4, que tinha um design todo em vidro e um aro de metal (hello antena gate) e a apresentação do tão aclamado ecrã Retina com uma resolução que colocava o 3G numa gaveta (literalmente).

Seguiu-se o iPhone 5 – mais fino, mais leve e com a novíssimas fotos panorama -, o iPhone 6 Plus que, ao trazer um ecrã Full HD de 5,5 polegadas, deitou por terra os argumentos da marca de que um ecrã deve ser do tamanho da mão do consumidor, e finalmente o iPhone 7 Plus, que nos apresentava um mega ecrã com uma super câmara fotográfica com efeito desfocado no fundo da imagem. Passei estes 11 anos de iOS a pregar aos meus amigos e conhecidos o porquê:

“Os Android dos mercado são todos de plástico e o iPhone tem alumínio que sabe bem ter na mão”, “O Android diz ter melhores características, mas lado a lado não se comprova isso”, “O sistema fechado da Apple garante que o software está feito à medida do hardware”, “A fluidez e animações da navegação do iOS não tem precedentes!” ou “Como assim os Android ocupam sempre um parte do ecrã com botões virtuais? Que desperdício!! #Gestos.”.

iOS 12

Sempre gostei de fazer parte do mundo Apple com o MacBook, iPad e iPhone, ou seja, vivia o sonho de um Apple fanboy (Eu era um deles, admito). Ter Apple era ter o melhor, sem dúvida alguma, até que chegou a hora em que peguei no meu incrível iPhone 7 Plus e, lado a lado numa FNAC com um Samsung S8, o ecrã da concorrência punha o meu iPhone a um canto (como assim?!) e uma câmara que me deixava na dúvida se a do iPhone era pior.

Calma, está tudo bem porque o OS Android não é nada user friendly e a Apple trata de lhes passar a perna no próximo ano. O ano passou e a coisa ficou ainda pior com apresentação de um tal de iPhone 8 (sem comentários) e com uma luz ao fundo do túnel que se chamava iPhone X, mas custava mais de 1.000€. MIL EUROS? Um telemóvel? Ainda ontem eram 500€, não? Bem, são só mais 100€ que o iPhone 7, que era 100€ mais barato que o iPhone 6…

Já lá vai o tempo em que a Apple era para os “Crazy ones“, apelando ser e a pensar de maneira diferente. Não, hoje é ter um MacBook para correr apps da Microsoft e um iPhone para por em cima da mesa do café quando vamos ter com os amigos. Mas esta onda só dura seis meses porque, aí, o nosso telemóvel já se torna velho e nada fixe, em que ninguém nos pede para ver e mexer com ar de que está a pegar numa obra de arte moderna e nos torna uma espécie de ser ultracool. Já chegámos ao ponto de olharem para alguém com o último modelo, colocá-lo lado a lado com o anterior e dizer-se que “são iguais” e o “próximo é que vai ser” para deitar abaixo.

Não me entendam mal. Eu gosto dessa sensação, sim, mas é precisamente com base nesse princípio que tenho de acreditar que o produto que eu possuo é mesmo o melhor, e não só porque os outros têm essa opinião.

Recentemente, no lançamento do iPhone Xs, fiquei desiludido com o produto apresentado no Keynote de 2018. Onde está aquele produto que se destaca de tudo o resto? Onde está o melhor smartphone do mercado? Onde está aquela vontade cega de ter um? Não está.

Nesta minha deriva ponderei perder a cabeça e largar os 1.300€ , quase 1.000€ mais caro que o iPhone 3G, ou comprar o iPhone Xs Max (se é para ser, é para ser a sério!). Ainda pensei esperar mais um ano, mas já tinha vendido o meu anterior. Estava com um substituto nada em bom estado e já estava a prever um ano complicado ao ter de procurar outras opções (mas será que existem?).

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Neste meu dilema deparo-me com a review do novo Huawei Mate20 Pro publicada aqui no Echo Boomer e, à semelhança de outros meios, dizia-se ser o melhor smartphone de sempre. Após um hands-on no ponto de venda, veio aquela vontade de querer comprar algo que era diferente e inovador. Sim, a marca é chinesa, mas não parece nada quando o temos na mão. (Meu Deus, será que estou mesmo a pensar nisto?).

Atirei-me de olhos fechados, bolas! Se correr mal aprendo a lição e posso dizer que, de uma vez por todas, só iPhone é que interessa. O meu novo smartphone chegava e era altura de trocar.

Dia 0
A ressaca dos suores frios começa e não me sinto em casa. Que raio fui eu fazer ao gastar este dinheiro num Android?

Dia 1
Caramba, este ecrã é mesmo incrível e as fotos são fenomenais! Mas não me entendo com os atalhos e navegação disto.

Dia 2
Já estou a começar a apanhar mais ou menos o jeito disto, not bad (obrigado EMUI 9). Os 128GB de espaço com capacidade de expandir mais 256GB com um cartão de 20€ parecem não ter fim vs os meus 32GB anteriores.

Dia 3
A saudade de “casa” já não bate tanto, esta nova plataforma já se está a tornar natural. O Macro e AI da câmara deixa toda a gente pasmada com a sua qualidade.

Dia 4
Fast Charging. Fã para a vida.

Dia 5
Será possível achar este telefone mais apelativo a nível de design que um iPhone? Sim!

Dia 6
Deixa cá ver a projeção sem fios para a TV. Ui! Tenho um computador no bolso e não sabia.

Dia 7
Pego no iPhone de alguém e já uso gestos de android. Oi?

EMUI

Veredicto

Sinto que fiz uma excelente escolha e já me sinto em casa no Android. Tenho saudades de algumas atenções ao detalhe que só a Apple tem a nível de animações e micro interações no iOS, mas com o Android sinto que tenho muito mais controlo do meu smartphone. As ofertas são imensas, no entanto, tenho de ter cuidado, coisa que não tinha de me preocupar num iOS. No fundo, acaba por ser uma questão de prioridades.

Verdade seja dita, se querem um smartphone excelente por um preço mais em conta, o que não falta são ofertas de telemóveis a 300€ (Honor, Huawei e Xiaomi). Já para um segmento flagship temos os Pixel (que infelizmente não se vendem por cá), as séries Mate e P da Huawei e a série Galaxy Note, da Samsung.

Espero que, com toda esta concorrência, a Apple mostre a razão pela qual é uma das melhores marcas do mundo e dê a tal volta de avanço que tanto espero. Até lá, fico-me por estes lados.

Nota final: Foi deveras interessante perceber o estado de espiríto dos meus amigos e conhecidos quando se aperceberam que me faltavam as duas câmaras icónicas do iPhone em detrimento de um quadrado com três lentes, que, de resto, se pode ver espalhado por todos os outdoors da cidade (fortíssima campanha de marketing da Huawei). O olhar/reação é sempre o mesmo, um pouco de traição pela pessoa que, nos últimos 11 anos, tem pregado a santa fé de iPhone como a alta santidade do mercado dos smartphones. É quase como um padre dizer aos seus fiéis que Deus não existe.

Ah, e já agora não se esqueçam de espreitar a análise do Alexandre ao Huawei Mate20 Pro.

Texto por: Bernardo Bismarck


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