O trabalho invisível dos técnicos da Ponte 25 de Abril

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A operação noturna de manutenção da Ponte 25 de Abril exige precisão, planeamento e zero margem para erro.

Às 00h56, o último comboio da noite conclui a travessia dos dois quilómetros da Ponte 25 de Abril. Minutos depois, a via-férrea é interdita e uma equipa de 14 técnicos da Infraestruturas de Portugal inicia uma intervenção de manutenção a 70 metros acima do rio Tejo. O objetivo é substituir um dos aparelhos de apoio da estrutura, uma operação que tem de ficar concluída antes do amanhecer para que a circulação ferroviária seja retomada em segurança.

Todos os dias, mais de 300.000 pessoas atravessam a Ponte 25 de Abril, por via rodoviária ou ferroviária, sem que seja percetível a complexa operação de engenharia que garante o funcionamento contínuo da infraestrutura. O trabalho noturno integra o programa de manutenção contínua da ponte, executado em períodos de menor fluxo de tráfego para minimizar impactos na circulação.

Os aparelhos de apoio e a sua função

Os aparelhos de apoio são componentes essenciais da ponte que permitem acomodar os movimentos naturais da estrutura provocados pelas variações de temperatura, pela ação do vento e pelas cargas da circulação rodoviária e ferroviária. A intervenção consistiu na substituição das chapas de deslizamento em aço inoxidável e dos discos de material deslizante, elementos que asseguram o correto funcionamento destes aparelhos e permitem a movimentação controlada da estrutura.

Cerca de uma semana antes da intervenção principal, as equipas iniciam os trabalhos preparatórios em estaleiro, onde adaptam os aparelhos de apoio que serão posteriormente instalados na ponte e montam os equipamentos necessários. A operação requer a instalação de equipamentos temporários de elevação, sistemas de movimentação e guinchos que permitem transportar os aparelhos de apoio até aos pilares intervencionados. Posteriormente, a viga de rigidez da ponte é elevada de forma controlada – aproximadamente 3 milímetros – para possibilitar a remoção do aparelho existente e a instalação do novo conjunto.

Condições no terreno e técnica de montagem

Os trabalhos decorrem em condições particularmente exigentes, numa zona de acesso condicionado pela própria geometria da estrutura e pela necessidade de compatibilizar a intervenção com a circulação rodoviária e ferroviária. No terreno, a coordenação tem de ser total. Com o apoio de ganchos, o aparelho de apoio é retirado, numa operação em que cada movimento é acompanhado ao detalhe. Não há margem para improvisos.

Removido o equipamento, inicia-se de imediato a preparação para a instalação do novo aparelho. Realizam-se trabalhos de lixamento e procede-se à substituição da placa de deslizamento e à colocação do novo aparelho. Durante toda a intervenção, um conjunto de técnicos acompanha permanentemente os trabalhos, garantindo o cumprimento rigoroso dos procedimentos de qualidade e segurança estabelecidos.

Antes de serem colocados no aparelho de apoio, os novos discos são sujeitos a um processo de refrigeração controlada, que reduz temporariamente as suas dimensões e permite a sua montagem com a precisão exigida pelas tolerâncias do sistema. Quando a sua temperatura retorna ao normal, os discos expandem e ficam amarrados pelo aço do aparelho, garantindo assim que o disco não sai, sem ser necessário fixação mecânica com parafusos, pregos ou colas.

Concluída a substituição, são efetuadas verificações detalhadas para confirmar o correto funcionamento do aparelho de apoio, sendo posteriormente reinstalados os sistemas de monitorização e as proteções que evitam a acumulação de detritos e asseguram a durabilidade dos equipamentos. O equipamento removido segue depois para reacondicionamento especializado, permanecendo disponível como reserva estratégica para futuras necessidades de manutenção.

Esta é apenas uma das inúmeras intervenções que integram o programa de manutenção contínua da Ponte 25 de Abril. Quando a circulação ferroviária é retomada e os primeiros automobilistas da manhã atravessam a ponte, a operação já terminou. Para quem passa, nada parece ter acontecido. Mas, durante a noite, uma equipa da Infraestruturas de Portugal garantiu que a Ponte 25 de Abril continua preparada para responder, em segurança, às exigências de centenas de milhares de utilizadores.

Foto: Infraestruturas de Portugal

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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