Toyota Prius – Um fim-de-semana a olhar para a média

por Rui Farinha Pereira

Desta vez tive oportunidade de fazer o ensaio ao Toyota Prius Plug-In 1.8 HSD. Este é, com certeza, daqueles carros que provoca sempre alguma discussão.

O seu design está longe de ser consensual. Há quem goste e quem odeie, pois efetivamente foge um pouco de tudo o que estamos habituados a ver, mas a verdade é que tem um certo fator de “olhem para mim” pelo que, goste-se ou não, é difícil não olhar para ele quando passa. Aliás, eu próprio tive a oportunidade de sentir isso, também pela cor da viatura ensaiada, e por ser a versão Power Sky com um tejadilho que incorpora um painel solar, coisa pouco vista. Esteticamente, o ponto forte deste Prius é a sua frente.

Esta versão híbrida plug-in permite juntar o melhor de dois mundos – ter um carro elétrico e que, ao mesmo tempo, não tem a autonomia limitada por isso. Neste caso, pode sempre recorrer ao seu motor 1.8 quando a autonomia elétrica acaba.

Durante o ensaio, não fiz uma única carga no Toyota Prius. É verdade. A bateria foi sendo “carregada” pela regeneração proporcionada pelas desacelerações e travagens, bem como pelo seu painel solar do tejadilho. Já o consumo, num misto de cidade e autoestrada, ficou-se pelos 2.8 litros por cada 100km.

Falando desta característica interessante do painel solar, não pensem que só por aí vão ter autonomia. O painel existe principalmente para alimentar a possibilidade de ligar o ar condicionado, para que, quando chegarem ao carro, ele tenha uma temperatura agradável. Em termos de autonomia, ele apenas dará cerca de 5km por dia. Por isso, seria preciso mais de uma semana, só me baseado nessa fonte de energia, para carregar as baterias a 100%.

Quando estas baterias chegam perto de zero, ou quando o tipo de condução exige, aí entra o motor 1.8 a gasolina, que, verdadeiramente, foi uma deceção. Em termos de performance, esqueçam. Demora cerca de 11.1 segundos dos 0 aos 100 km/h e tem velocidade máxima de 162km/h, pelo que nem percebo bem porque é que um dos modos de condução se chama “Power”.

A desilusão não acaba aqui, porque se, por um lado, as transições de elétrico para combustão são até bem suaves, nada suave é o barulho do motor a gasolina e o escalonamento das mudanças que faz com que, por períodos mais longos que o desejado, se oiça o motor em alta rotação e a emitir o ruído inerente a esta condição. Bom, e se falamos em acelerar, temos de falar também em travar, e nisso, os travões, embora desempenhem bem a sua função, requerem algum período de adaptação.

Este Toyota Prius, por tudo o que já disse, acaba por ter, no entanto a virtude, de nos pôr a tentar fazer as médias mais baixas possíveis. É que se não podemos esperar alguma adrenalina motivada pelas suas performances, então que façamos as nossas viagens ficarem o mais barato possível. A isto ajuda ainda o facto de que, cada vez que o desligamos, é exibida uma pontuação de 0 a 100 em termos de economia, dizendo o que fizemos de bem e de mal. Ou seja, é como se fosse um incentivo para ser o mais poupado possível.

Passemos ao interior. Conduzir o Toyota Prius é muito confortável. Os bancos são cómodos e a posição de condução agradou-me. A suspensão também colabora bem, adaptando-se a vários tipos de piso sempre com suavidade. Agradou menos o ecrã de oito polegadas situado na consola central por duas razões. A primeira é que reflete o sol quando o mesmo incide ali, o que não só encandeia, como também não permite a leitura da informação no mesmo. A outra é a navegação entre as opções, que é, por vezes, lenta, e o software de GPS tem um grafismo claramente desatualizado, o que não se compreende num carro que se pretende mostrar como “tecnológico”.

Os materiais interiores são, sobretudo, plásticos duros, mas não ouvi barulhos parasitas. Gostei particularmente da visão que o vidro traseiro prolongado permite, e que pode ser bastante útil sobretudo em manobras.

De resto, o interior tem bastante espaço, muitos lugares para arrumação. É de relembrar, porém, que atrás contamos apenas com dois lugares, pois o do meio foi “retirado” devido a ter de albergar parte dos componentes do sistema elétrico do carro. O espaço de bagageira também é diminuto. Por isso, se pretenderem transportar muitas coisas, podem sempre rebater os bancos.

A versão testada não contava com os bancos de pele, alerta de ângulo morto, nem com sensores de estacionamento ou assistência ao mesmo, isto sem falar na ausência de HUD. Claro, existem versões com estas funcionalidade disponíveis. Tinha, no entanto, Toyota Safety Sense, Smart Entry (Condutor, Passageiro e Bagageira), Carregador sem Fios para Telemóvel, Câmara Auxiliar ao Estacionamento, bem com outras funcionalidades que podem consultar no site da marca.

Em resumo, diria que o Toyota Prius é o carro para quem faz sobretudo percursos citadinos e que tenha possibilidade de o carregar em casa ou no trabalho. Dessa forma, torna-se um carro efetivamente económico, fácil de conduzir e bem confortável, sendo que, se tiverem de fazer umas viagens mais longas, também não vão ter de se preocupar com autonomias de baterias, pois tem um motor a combustão que entra em cena sempre que preciso.

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