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thisquietarmy no Sabotage: o embalo da escuridão e a apoteose da luz

Na passada quarta-feira, o Sabotage voltou a receber thisquietarmy, desta vez na terceira de três datas em território nacional, depois de passagens por Viana do Castelo e pelo Porto em dias anteriores. A estreia na capital fora já há quase quatro anos e meio, exatamente na mesma casa – também com presença na edição de 2013 do Amplifest, no Porto, um par de dias depois.

Quem não conhece o projeto, não se iluda pelo nome: de exército, pelo menos físico, há pouco, uma vez que é uma experiência a solo de Eric Quach. Já no plano sonoro, aí sim, percebemos o porquê de umas vezes exército e, em contraste, outras vezes calmo. Lá chegaremos. Para os mais distraídos, de frisar que o mesmo já está ativo desde 2005, tem dezenas de lançamentos – cinco só em 2017, entre os quais Democracy Of Dust e Métamorphose –, incluindo edições pela Denovali Records, Consouling Sounds e Aurora Borealis, e colaborações, por exemplo, com Aidan Baker (Nadja), André Foisy (Locrian), Monarch!, Year Of No Light e Syndrome (Amenra).

Ao vivo, apenas munido de uma guitarra altamente amplificada e de um mar de pedais de efeitos, o canadiano consegue improvisar as densas camadas ouvidas em registo, partindo do drone mais ou menos ambiental, mas tornando-o em algo muito além disso.

Pensemos numa base à Sunn O))) sem ser tão grave – não é tanto uma vagarosa permanência no purgatório como é uma ascensão por vezes contrariada e deturpada ao firmamento – ou até algures entre uns Boris e uns Earth – comparação também aos seus laivos drone, desconsiderando os momentos explosivos dos primeiros ou as toadas psicadélicas dos segundos. Depois das primeiras notas, que se deixam soar e prolongar por variados efeitos de delay, vão-se adicionando tantas outras em loop a ponto de, e sem nos darmos conta, a música se tornar estruturalmente diferente e alcançar texturas de diversos estilos musicais: da leveza do post-rock e da nostalgia do shoegaze ao peso do doom e ao desconforto do noise – um ciclo vicioso, embora equilibrado, entre luz e escuridão.

A certa altura, se fecharmos os olhos e nos deixarmos levar, podemos imaginar que estão em palco três guitarras ou mais, ora a encaminhar-nos para a expansão etérea de uns Godspeed You! Black Emperor ora para o ritmo cadenciado de uns Caspian, para depois sermos sacudidos pelo experimentalismo barulhento à Merzbow ou inquietados pelas abstrações sónicas à Tim Hecker, voltando aos zumbidos alongados mas com a alma de uns My Bloody Valentine. Noutros casos, soma-se uma bateria programada para dar algum volume e corpo, como nos trechos doom de «Hex Mountains», ou uns sintetizadores reminiscentes de Stranger Things, como no tema “A World Without Power”.

A tudo isto acresce-se ainda uma componente visual, também trabalho do próprio, na forma de montagens a preto e branco que são projetadas como pano de fundo: filmagens do quotidiano e sobreposições de imagens que enaltecem a musicalidade alternada entre sonho e pesadelo.

Depois de uma performance ininterrupta e chegado novamente o silêncio, o músico recebe a primeira e a última ovação por parte da meia plateia presente. “Quase ficava surdo,” brinca-se, mas é nos sorrisos que se lê “mas que viagem!”


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