The Young Gods – Monstros em Palco

por Bruno Rocha Ferreira

Há sítios perfeitos para bandas perfeitas. É raro, mas acontece. E quando esta combinação acontece, tudo deve correr bem. Foi assim no Lisboa ao Vivo, num domingo frio de abril, com o concerto dos The Young Gods.

Com uma primeira parte dos portugueses She Pleasures HerSelf, que, com os seus sons atmosféricos, baixo forte e sintetizadores dominantes, se revelaram uma escolha acertada tendo em conta o público presente, os veteranos suíços entraram em palco perto das 22h.

Perante uma boa casa e, como habitual, sem grandes cerimónias ou discursos iniciais, a banda liderada pelo vocalista Franz Treichler iniciou o concerto de promoção ao novíssimo Data Mirage Tangram, já de 2019, e depressa se percebeu que estávamos perante um concerto delicatessen para os fãs. Treichler, o único elemento a manter-se na banda desde os seus primórdios em 1985, vem acompanhado desde há alguns anos pelo regressado Cesare Pizzi nas teclas e Bernard Trontin na bateria e fazem valer as longas esperas que os fãs têm de aguardar entre concertos.

Som inatacável, atmosfera perfeita para as ondas eletrónicas e industriais que se conjugam com as influências pós-punk e techno, numa mistura única e que tantos filhos gerou. Não é por acaso que celebremente David Bowie declarou, após ter sido questionado sobre se os Nine Inch Nails tinham sido a influência primordial sobre Outside, o longa duração de 1995 do camaleão, que não, que a grande influência tinham sido uns certos rapazes suíços.

Esta estória acaba por ser paradigmática do posicionamento do mundo da música dos The Young Gods. Influenciadores de artistas de grande êxito, citados por muitos críticos, mas com vendas modestas. Mas não parecem demasiado chateados com isso, até pela rotina pacata da sua discografia (o disco anterior, Everybody Knows, foi editado há uns respeitáveis nove anos, e agenda de concertos selecta. Música para uma imensa minoria, como se costumava dizer para os lados da saudosa Xfm.

O que falta em quantidade sobeja em qualidade, e as paredes negras do Lisboa ao Vivo absorveram perfeitamente o crescendo, desde a abertura fantasmagórica de “Entre En Matière” – desde sempre o francês, o inglês e o alemão se misturaram nas letras destes moços – até à experiência mais parecida a uma montanha-russa de “Everythem”, onde vários elementos se fundem, desde guitarra a vários surtos sonoros, passando por vários temas do que se convencionou chamar industrial.

Muitas vezes inovadores e estimulantes, sempre únicos. Lendas, para além de deuses.

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