Sushi Corner – Sabores delicados que se derretem no céu da boca

Se nem sempre foi este o caso, hoje em dia é possível aceder a um menu completo e variado de sushi (seja ele mais puro ou mais de fusão) a preços bastante acessíveis. É o que acontece no SushiCorner – marca que faz parte do Grupo Sushi Cafe e que se distingue pela qualidade da sua matéria-prima, um serviço rápido e com menus e combinações a pensar nos seus clientes, num ambiente descontraído e em horário alargado.

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Com um slogan sugestivo, “Love Sushi, Love Yourself”, o espaço SushiCorner do Chiado tem uma boa apresentação e um ambiente convidativo. E foi precisamente neste espaço que fomos extremamente bem recebidos e sentados na melhor mesa, com uma fabulosa vista sobre a cidade de Lisboa e as suas colinas. O atendimento foi excelente do início ao fim, proporcionado por João Lopes, que se mostrou sempre preocupado se estávamos a gostar, se estava tudo bem, se precisávamos de mais alguma coisa. Muito atencioso e prestativo, ao longo do jantar foi, também, elucidando-nos sobre o que nos estava a ser servido (nomes, ingredientes, misturas). Tivemos, também, oportunidade de falar com o chef Nuno Sénica, acerca do seu percurso profissional e o que o apaixona na sua ocupação.

Gunkan com tartaro de camarão
Gunkan com tártaro de camarão
Fotografia: Agência Zero

Para começar uma refeição que se esperava tentadora, para entrada foram servidos dois tártaros: um de atum e outro de salmão. Ambos com sabores exóticos e autênticos – daquelas coisas que, enquanto saboreamos, só murmuramos “hmm!”. O tártaro de atum estava muito apetitoso, sobretudo pelo tempero com abacate e óleo de sésamo. O de salmão não se ficou nada atrás, sendo que o único aspecto menos positivo a apontar foi a dificuldade em (talvez para os mais desajeitados, tal como eu) comê-lo com os “pauzinhos”. Se a expetativa era alta, foi definitivamente começando a ficar satisfeita logo ao início.

De seguida, o Poke Sushicorner: uma taça com arroz de sushi, variados tipos de peixe (atum, corvina, salmão), inari, abacate e pedaços de laranja. Esta opção, fugindo já um pouco ao sushi tradicional, é ideal para quem gosta de aliar, ao sabor mais salgado do sushi, um toque ligeiramente doce, criando, assim, um equilíbrio suave de sabores. O Poke Sushi Corner foi alternado com pedaços de Tuna Lotus – apetecíveis só de olhar – numa mistura bem temperada e harmoniosa.

Para fazer uma pausa nos sabores frescos, é servido um prato quente, o Ebi Low Carb: uma massa de courgette espiralizada em fios bem fininhos, acompanhada de camarão, cogumelos shitake, espargos verdes, rebentos de soja, cenoura, cebolinho e molho tonkatsu. Para dar “aquele” aconchego ao estômago!

Segue-se a mais recente novidade e aposta do Sushi Corner, os Sushi Burritos – uma delicacy que combina os burritos de sushi com outros ingredientes, tais como salmão, espargos, pimentos, alface, e cenoura. Os burritos são envoltos numa folha de alga e acompanhados de batata doce frita (algo que nunca tinha experimentado e fiquei surpreendida pela positiva). Não foi preciso muito tempo para os devorar – de olhos fechados, como se deve saborear a comida, pois é assim que desperta mais os nossos sentidos.

Segundo o chef Nuno Sénica, “o Sushi Burrito é uma adaptação de uma ideia mexicana nos EUA, para os nossos clientes. Achámos que seria uma boa novidade para a nova carta do Sushi Corner”. Confessa, ainda, que não foi uma receita imediata nem automática, sendo resultado de todo um processo de experimentação: “Experimentamos até ficarmos satisfeitos com o resultado final.”

Mas o melhor estaria, ainda, mesmo para o fim, quando chegaram os Tuna Fiesta Makis. Absolutamente deliciosos, com um toque ligeiramente picante mas de forma muito delicada, derreteram-se no céu da boca – como o próprio nome indica, uma f(i)esta para o nosso paladar.

Em todos os pratos que foram servidos, o arroz estava sempre na consistência certa (e quem aprecia sushi sabe a fundamental importância disso), o peixe estava sempre super fresco e a combinação incrível de ingredientes proporcionou momentos de prazer intensos.

Tanto que, já a meio da refeição, estávamos completamente cheios, mas só tínhamos vontade de continuar a comer – e não é assim que sabemos quando a comida está (mesmo) boa?

Para acompanhar, uma limonada de morango com gengibre, super refrescante e ideal para descansar o paladar entre pratos tão ricos em sabor.

Para além de ser muito saboroso, o sushi é apelativo pela sua aparência bonita. Os pratos vêm sempre com uma apresentação muito criativa, sendo que a atenção ao detalhe e a colocação decorativa dos ingredientes fazem toda a diferença. Afinal, os olhos também comem. E não existe limite no que toca à imaginação neste campo.

Conforme referido anteriormente, estivemos à conversa com o sushi maker/chef Nuno Sénica, cuja carreira se iniciou no restaurante do Centro Comercal Amoreiras, em 2012. Nesta altura, deu os primeiros passos neste mundo, apaixonando-se pela forma como os sushimen trabalhavam, “pelo pormenor e sem deixar nada ao acaso, pelo carinho e pela delicadeza colocados em cada prato confeccionado, pelas facas…” o que despertou uma paixão dentro de si e fê-lo querer tentar a sua sorte e evoluir.

Considera sorte o facto de ter tido oportunidade de trabalhar com o chef Daniel Rente, uma grande referência em Portugal na cozinha japonesa, e que tal o fez elevar a fasquia do seu profissionalismo. A Nuno, apaixona-o “o pormenor e combinação de sabores, aliado às cores vivas e vibrantes”. Mas mais do que a comida em si, afirma que é gratificante ver como as pessoas encaram esta experiência gastronómica como um momento de relaxamento e de fuga às preocupações do dia-a-dia. Uma refeição de sushi é, assim, não apenas uma experiência gastronómica, como uma experiência de lazer e evasão.

E porque a confeção de sushi é uma arte autêntica, cada artista precisa de uma fonte de inspiração. No caso do chef Nuno Sénica, a sua esposa é a sua Musa. “Adora experimentar coisas e arrasta-me com ela. Foi ela que me convenceu a ‘experimentar’ um sushibar em 2012”.

Não tendo nenhum ingrediente favorito em particular, adora misturar influências japonesas e mediterrâneas, fazendo, assim, com que a sua confeção recaia mais sobre Sushi de Fusão, o tipo que prefere. “Na minha opinião, comer um nigiri de carapau braseado, temperado com azeite e flor de sal e cubinhos de pimentos assados é uma boa forma de honrar o sushi tradicional e a cozinha portuguesa”. Quanto a nós, mais do que aprovamos esta tendência, esta “aliança” entre dois tipos de gastronomia diferentes!

carta completa balcao

Quando questionado sobre se o facto de trabalhar na confeção de sushi o fez de algum modo enjoar deste tipo de comida, Nuno responde prontamente: “enjoar de sushi??? Não! O que mudou essencialmente é que hoje prefiro um prato mais equilibrado, quer em sabores, quer visualmente”. Nuno não enjoou (é possível enjoar de sushi?!), mas tornou-se mais eclético nas suas preferências.

Nuno Sénica afirma, ainda, que o maior desafio desta profissão é obter um equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, tendo em conta que há muita pressão numa cozinha, sobretudo colocada por si mesmo (o ser perfecionista, o querer “fazer sempre mais e melhor”), e a capacidade de “desligar” quando se deixa o restaurante e se vai para casa.

Todos os desafios são ultrapassados, porém, com a maior recompensa que um chef pode ter, que é a satisfação do cliente. “Recordo-me de um cliente que estava pela primeira vez no restaurante do Saldanha, com a sua filha, e levantou-se da mesa, a pedido da filha, e dirigindo-se ao sushi bar, saudou-nos com uma salva de palmas! Foi incrível para nós. A sensação de “job well done”… é isso que buscamos diariamente… a toda a hora”. Assim, conclui que, apesar do esforço, dedicação e perfecionismo que leva a colocar pressão sobre si mesmo, tudo acaba por ser compensado com a gratificação de ver clientes satisfeitos e até elogiosos.

Por fim, e se este texto deu ao leitor vontade ou deixou alguma curiosidade em apostar nesta profissão, o chef deixa uma dica fundamental: “O único conselho ou sugestão que posso fazer é que não desistam. Não é fácil trabalhar numa cozinha. Há sempre muitas emoções no plano. Sejam persistentes, mas sempre com e por amor.”.

A nossa dica, para os amantes de sushi ou só para os curiosos, é: visitem qualquer espaço SushiCorner e desfrutem de um belo momento gastronómico e de lazer!

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