Supercarro português Adamastor Furia está a ser produzido em Matosinhos e as primeiras unidades deverão ser entregues ainda este ano.
O Adamastor Furia, apresentado como o primeiro supercarro concebido e produzido em Portugal, tem estado a circular em estrada aberta. Depois de um período de testes em ambiente controlado no Autódromo Internacional do Algarve, o protótipo iniciou em abril ensaios em condições reais de utilização, saindo da pista para enfrentar o tráfego e as variáveis do dia a dia.
O Development Prototype #1 recebeu autorização do Instituto da Mobilidade e dos Transportes para circular na via pública e foi identificado com a matrícula de testes 400001. As primeiras aparições ocorreram na região do Porto, nas imediações da unidade de produção localizada em Perafita, no concelho de Matosinhos, onde o modelo é desenvolvido desde 2019 no âmbito de um investimento global de cerca de 17 milhões de euros.
Ao contrário do ambiente previsível de um circuito, a circulação em vias públicas expõe o veículo a um conjunto alargado de fatores, como o tráfego urbano, variações de temperatura, diferentes tipos de piso e situações de condução mais exigentes do ponto de vista térmico e mecânico. Entre cenários de utilização em cidade, com paragens frequentes e maior carga sobre os sistemas de refrigeração, e percursos de montanha, onde o desempenho dinâmico é colocado à prova, a marca pretende recolher dados essenciais para a validação final do modelo.
O Adamastor Furia posiciona-se num nicho específico dentro do universo dos supercarros, combinando homologação para estrada com um foco declarado no desempenho em pista. Do ponto de vista técnico, o modelo utiliza um motor V6 biturbo de 3,5 litros fornecido pela Ford Performance, cerca de 750 cv e cerca de 1000 Nm no caso da variante de estrada. Estes valores colocam o Furia num patamar competitivo dentro do segmento, sendo acompanhados por um peso reduzido na ordem dos 1050 kg.

Em termos de prestações, as estimativas apontam para acelerações dos 0 aos 100 km/h em cerca de 3,5 segundos, com potencial para valores mais baixos em configurações específicas, e velocidades máximas acima dos 300 km/h. Em cenários mais extremos, e mediante alterações na relação de transmissão, a velocidade poderá ultrapassar os 370 km/h, segundo dados avançados pela empresa.
Ainda assim, o elemento central do projeto não é o motor, mas a aerodinâmica. O desenvolvimento do Adamastor Furia foi orientado pelo princípio de efeito de solo, recorrendo a túneis Venturi integrados no fundo do carro para gerar força descendente sem necessidade de grandes asas exteriores. Trata-se de uma solução permite aumentar a carga aerodinâmica e a estabilidade a alta velocidade, reduzindo simultaneamente o arrasto. Na versão de competição, os valores de downforce atingem cerca de 1900 kg a 250 km/h, enquanto a versão de estrada apresenta valores na ordem dos 1000 kg.
A variante destinada à competição terá níveis de potência inferiores, na ordem dos 500 cv, devido às limitações impostas pelos regulamentos das categorias GT onde o modelo deverá competir. Isto significa que a versão homologada para estrada poderá, em determinadas configurações, apresentar um desempenho superior ao carro de corrida.
A produção do Adamastor Furia está prevista em série limitada a 60 unidades para a versão de estrada, com um preço base anunciado de 1,6 milhões de euros antes de impostos. Paralelamente, encontra-se em desenvolvimento uma versão dedicada exclusivamente à competição. As primeiras entregas deverão ocorrer ainda em 2026.
