Super Bock Super Rock Dia 1 – A noite teve em Lana del Rey a estrela maior

por Alexandre Lopes

Novo ano, novo edição do Super Bock Super Rock. Como já é habitual, lá fomos nós para este festival da Música no Coração, com a novidade de que, em 2019, iria novamente realizar-se no Meco, de modo a celebrar a 25ª edição.

Ora, contrariamente ao Parque das Nações, ir até à Herdade do Cabeço da Flauta merece todo um planeamento. Se ficar no campismo ou reservar uma casa por uns dias, se fazer o trajeto ida-volta (e neste caso, fazer a gestão de como o fazer)… Os festivaleiros lá fizeram as contas à vida.

Chegámos ainda antes das 18h, pelo que apanhámos fila a menos de um quilómetro até chegar ao recinto do Super Bock Super Rock propriamente dito, o que foi positivo. Porém, tive conhecimento de situações de colegas que esperaram horas para apanhar um autocarro em Lisboa com destino ao Meco. Logo aqui é um ponto a rever.

Pulseira levantada junto à entrada para o campismo, bastava depois seguir o povo em direção à entrada correta. À chegada, damos conta que o recinto não parece de grandes dimensões. Faz-nos lembrar um grande corredor, com os locais para tendas e barracas de comes e bebes bem definidos. Um pouco como acontece com o MEO Sudoeste. Nas extremidades temos o Palco Somersby e, do outro lado, o Palco EDP. Ao lado deste está o Palco LG by Rádio SBSR e, ao fundo, o palco principal, o Palco Super Bock.

Como chegámos cedo, fomos a tempo do início do concerto dos GrandFather’s House, banda de Braga constituída por Rita Sampaio, Tiago Sampaio, Ana João Oliveira e Nuno Gonçalves no Palco LG by Rádio SBSR. O projeto começou como sendo um “one-man band” do guitarrista Tiago Sampaio, mas, com a adição dos restantes elementos ao leque, acabaram por concretizar uma banda, que, apesar da sua sonoridade mais virada para o synth pop, acaba por ser algo mais pesado ao vivo. E ainda bem. Com uma moldura humana já simpática, lá disseram que era um prazer estar ali.

Tiveram a ajuda de Lince num punhado de temas, que deu ainda mais força às criações dos GrandFather’s House. Ganharam uns quantos fãs, é certo, pelo que são um nome a seguir com mais atenção.

Daí saímos para Marlon Williams, que, aquando da nossa chegada, encontrava-se a terminar “What’s Chasing You”. Com um penteado que não o favorece em nada (alguém lhe diga isso, sff), o neo-zelandês não tinha muita gente a assistir ao concerto e, mesmo aqueles que assistiam, não tinham o maior interesse do mundo em estar ali. Um bocado indiferentes, Marlon e a sua banda mostravam-se bem divertidos, aproveitando para apresentar uma ou outra música nova. Não permanecemos muito tempo, até porque ia começar Cat Power no Palco Super Bock.

De nome de nascimento Chan Marshall, Cat Power é uma artista capaz do melhor e do pior. Pior no sentido em que deu concertos que deixou a desejar, onde os temas começavam ou terminavam abrutamente. Melhor no sentido em que, se estiver inspirada e com vontade para tal, é bem capaz de nos embalar sem aparente dificuldade com a sua melancolia. E apesar deste concerto ter decorrido bastante bem, não era o festival indicado para ela.

Uma coisa é certa: a voz está lá. Secundada pela sua competente banda, a norte-americana, que há cinco anos passara pelo Super Bock Super Bock, na altura no palco secundário, teve, este ano, honras de abertura no palco principal. Contando com uma moldura humana já assinalável (muitos à espera de Jungle, muitos mais ansiosos por Lana del Rey), Cat Power, vestida toda ela de negro, é capaz de conquistar corações com a sua voz afinadíssima, que, sem dúvida, ganharia muito mais se se ouvisse ao final da noite. Temas como “Me Voy”, do mais recente Wanderer, são capazes de puxar à emoção. Mas a fome já apertava e muitos aproveitaram para aconchegar o estômago.

Os Jungle são daquelas bandas que, por mais vezes que voltem, serão sempre bem-vindos. A não ser que apanhem um público como o que esteve presente neste primeiro dia do Super Bock Super Rock, que não parecia assim muito participativo. Algo apático até. Não obstante, o concerto foi sólido e não desiludiu, pelo que apenas não fez a festa com este groove e soul eletrónica apresentada pelos londrinos quem não quis. Às 21h, muitos eram aqueles que ainda jantavam, mas, à medida que a noite ia caindo, a moldura humana ia ficando cada vez mais considerável, pelo que os Jungle tiveram uma boa massa de público, embora fossem os fãs mais encostados ao palco aqueles que mais vibravam.

O alinhamento foi em tudo igual ao que apresentaram aquando da presença no último Super Bock em Stock, pelo que temas como “Heavy, California”, “The Heat”, “Happy Man” e “Drops” (ao vivo é tão mais potente) deixam qualquer um com um sorriso nos lábios. Para o fim, claro, “Busy Earnin” e “Time”, nem a propósito, como quem diz que é tempo de dizer adeus. Obrigado, Jungle. Estava feita a festa.

Pouco faltava para o concerto dos The 1975, pelo que por ali ficámos. E a verdade é que a banda de Matty Healy ainda tem uns quantos fãs em Portugal, a julgar pelo vibrar das filas da frente. No entanto, os curiosos que por ali ficavam, mais atrás, aproveitaram para meter a conversa em dia ou ver as últimas notificações no smartphone.

Porquê? À exceção de “Somebody Else”, a banda não é capaz de grandes momentos de entusiasmo, com os seus temas a seguirem todos a mesma toada, o mesmo pensamento. Fala-se de chocolate, de sexo, de amor e de sentimentos, mas, de um modo geral, são apenas mais uma banda para adolescentes. Aliás, o álbum lançado no ano passado, A Brief Inquiry into Online Relationships, mostra muito do que são estes The 1975: um grupo de amigos do liceu que vive na era das redes sociais, mas que sabe o quanto o vício pelos smartphones pode destruir as relações convencionais.

Curioso é o facto de, em Inglaterra, os apelidarem de uns novos “Arctic Monkeys”, isto é, a febre com a banda de Matty Healy é comparável à febre que existe com o projeto de Alex Turner. Exageros à parte, o concerto lá decorreu a bom ritmo, com o vocalista a mostrar boa disposição e não estando entediado, como por vezes acontece nos concertos que os The 1975 dão.

Demos primazia à banda de Manchester, mas, ao mesmo tempo, tocava o fenómeno nacional Conan Osiris, perante uma numerosa plateia atenta e participativa no Palco Somersby. Fomos espreitar e chegámos mesmo a tempo de “Celulite”, com os fãs a acompanhar a letra que começa “Oh mor, oh mor, solta os cães e traz o lixo”. Ainda ouvimos “Telemóveis”, hino de 2019, mas era altura de Metronomy.

Em 2019, os Metronomy são uma incógnita. Parece que nunca conseguem passar de um projeto de segunda linha. No concerto do Super Bock Super Rock, a banda liderada por Joseph Mount apenas conseguiu momentos de maior euforia com os conhecidos “The Bay”, “Love Letters”, “Resevoir” e “The Look”. De resto, os festivaleiros que por ali andavam (e não eram muitos, diga-se) pareciam algo desinteressados. Nota positiva, porém, para “Salted Caramel Ice Cream”, mais recente single, a fazer parte do novo álbum Metronomy Forever, com lançamento previsto para setembro. E este título até nos soa a despedida…

Era altura de Lana del Rey. Afinal, todos estavam ali para ver esta espécie de diva. E ela é mesmo uma diva para milhares e milhares de festivaleiros. Há ali todo um trabalho bem feito, um marketing bem conseguido, que fez com que se elevasse Lana del Rey a uma estrela de Hollywood, com todo o glamour que isso implica.

Antes do concerto começar, olhámos da zona de imprensa e reparámos que, apesar do recinto parecer demasiado vazio para um dia esgotado (possivelmente o recinto leva mais gente, mas a organização não quer exceder as 30 mil pessoas), estava bastante mais cheio para Lana do que para os projetos anteriores. O que é natural. Afinal, estamos a falar da cabeça-de-cartaz do primeiro dia do Super Bock Super Rock, que, de resto, tinha-se estreado há uns anos neste mesmo festival, no mesmo local.

Ainda os técnicos andavam em palco e os fãs, aqueles da fila da frente, já começavam com os típicos gritos. Os choros, esses, só vieram depois quando Elizabeth Woolridge Grant entrou efetivamente em palco.

Surgiram as bailarinas, surgiu a sua banda e, por fim, a estrela maior da noite. Com um vestido sexy preto, e antecedida por “West Coast”, Lana Del Rey começava, por fim, a sua atuação, logo com o hit “Born to Die”. Loucura generalizada.

Problema. Apercebemo-nos logo que a voz de Lana soava algo distante, como abafada. Estão a ver aquela sensação de ter o smartphone a dar música com uma almofada por cima? Exato, parecia que tinha algo a tapar as colunas. E isto aconteceu em boa parte do concerto, pelo menos em algumas zonas (e naquela onde nos encontrávamos). Além disso, o uso em demasia de back vocals fez que, por vezes, parecesse que estávamos ali a ver um concerto… já gravado.

Mas os fãs não quiseram saber. Mesmo com back vocals à mistura (retira um bocado a essência a um concerto, mas faz parte dos espetáculos de Lana), com um som mais ou menos abafado, a verdade é que a americana tinha o público na mão, pelo que o concerto no Super Bock Super Rock estava ganho à partida.

“Vamos cantar músicas antigas, músicas novas, coisas do novo álbum”, disse Lana, para gáudio dos milhares que por ali se encontravam. Por falar em novo álbum (Norman Fucking Rockwell, sai em agosto ou setembro), escutámos duas músicas,que já tinham sido divulgadas: “Mariners Apartment Complex” e “Venice Bitch” (a fechar o concerto), que, além de serem temas belíssimos, dão a indicação de que o novo álbum será mais simples e contido, com menos produção. E isso, tendo em conta estas duas amostras, é um excelente indicativo.

Lana teve tempo de ir ter com os fãs às primeiras filas para tirar fotos e autógrafos, teve tempo de se deitar no chão com as suas bailarinas para interpretar “Pretty When You Cry” e até de andar de baloiço. Entre tudo isto, ia debitando ora temas antigos, ora mais recentes: “Blue Jeans”, “Ride”, “Video Games”, “National Anthem” e “Summertime Sadness”, além de um medley com “Change/Black Beauty/Young and Beautiful”.

No final, em “Venice Beach”, Lana desceu novamente até à sua chorosa plateia, que choravam não só de felicidade, mas porque também sabiam que estava na altura da sua diva ir embora. Faltaram temas que outros quereriam ouvir, sim (o concerto foi muito curto), mas uma coisa é certa: a voz (quando a ouvíamos) e a sedução de Lana Del Rey deixou o público do Super Bock Super Bock embevecido.

Antes de nos fazermos à estrada, tempo para apreciar um punhado de temas de Roosevelt, projeto do alemão Marius Lauber. Mostrando algumas variações nos temas em relação às versões de estúdio, Roosevelt foi conseguindo, aos poucos, encher o Palco Somersby, que acolheu a debandada do público que por ali ficou depois de terminado o concerto de Lana.

“Under the Sun” e “Fever” foram dos temas mais celebrados, mas a malta não estava ali para bater palmas. Estava, sim, para dançar, a bater o pezinho. Nós fizemos o mesmo. E que bem que soube.

Mas o pior veio depois, cá fora, quando milhares de pessoas queriam ir para casa. Houve muita desorganização neste primeiro dia de Super Bock Super Rock. Filas intermináveis e nada de iluminação no parque de estacionamento, muito menos qualquer tipo de indicação. Aqui o vosso escriba, graças a um amigo, conseguiu por-se a caminho pouco depois, mas há relatos de festivaleiros que só conseguiram apanhar o autocarro quatro horas após o previsto. Uma situação a rever, urgentemente.

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