Super Bock Super Rock: o funk mágico e saudoso dos Red Hot Chili Peppers

Passaram-se 11 anos desde a última visita do grupo de Los Angeles a Portugal, num festival que se realiza para os lados da Bela Vista, em Lisboa. Portanto, foi desde 2006 que os portugueses deixaram de ver ao vivo o baixista Flea, o vocalista Anthony Kiedis, Chad Smith na bateria e o guitarrista Josh Klinghoffer (neste caso o substituto de John Frusciante desde 2009). E, ontem, o regresso finalmente aconteceu no Super Bock Super Rock. Que saudades.

Horas antes, ficámos com a sensação de que este primeiro dia de festival era “apenas” um concerto dos Red Hot Chili Peppers, tantas eram as t-shirts de apoio à banda americana. E, de facto, com todo o respeito pelas outras bandas e artistas, a malta estava no festival lisboeta para fazer as pazes com os americanos. Dizemos pazes porque 11 anos é muito muito tempo sem pisar palcos portugueses!


Depois de vermos um belo espetáculo dos portugueses Capitão Fausto (o álbum Capitão Fausto Têm os Dias Contados é dos melhores álbuns portugueses de 2016), começámos a ficar esmagados que nem uma sanduíche quando ainda faltavam, sensivelmente, 40 minutos para o concerto mais aguardado da noite.

Esperámos, suámos e sonhámos com uma brisa de ar fresco que, de tempos em tempos, lá surgia para nos acordar.

Uns quatro minutos depois da hora inicialmente marcada (00h00) e eis que, finalmente, surge em palco a banda de Los Angeles. Aparecem Chad Smith, Josh Klinghoffer e Flea e a entrada faz-se em grande estilo com uma jam session. Pouco depois surge Anthony Kiedis, quase sem se dar por ele.

redhotchilipeppers fotoechoboomer 1

A funkadélica “Can’t Stop”, o primeiro hit da noite, desperta a MEO Arena para a euforia que iria durar cerca de hora e meia. Logo segue-se “Snow (Hey Ho)”, também um dos hinos dos Red Hot Chili Peppers, resgatado do álbum Stadium Arcadium, de 2006.

Curiosamente, a faixa seguinte, “Dark Necessities”, do mais recente registo de estúdio The Getaway, lançado o ano passado, é também muito celebrada, mostrando já estar na ponta da língua dos portugueses. É dos melhores temas do álbum (aqueles slaps de Flea…) mostrando uns Red Hot Chili Peppers num registo com um baixo infernal.

Com o concerto a decorrer a bom ritmo, percebe-se que o lugar de cada um está bem definido. Começando por Kiedis, não é o típico vocalista de uma banda. Quase sem falar com o público sem ser a partir das suas canções (essa tarefa de porta-voz fica para Flea), o homem não para no palco, andando em correrias e saltos de um lado para o outro. Sempre irrequieto, consegue ser carismático mesmo sem falar connosco diretamente. Voz no ponto, mesmo quando precisa de “rappar”. E não demorou muito a ficar em tronco nu.

E se Kiedis é irrequieto, o guitarrista Josh Klinghoffer (o mais novo do grupo) é completamente possesso e inquieto. Vestido como um puto, rodopia ou vai ao chão com o seu instrumento, ficando-se por perceber como é que consegue continuar a tocar. Bem, é mesmo um virtuoso da guitarra.

Chad Smith (ao meu lado diziam “parece que estou a ver o Will Ferrell a tocar”) continua frenético como sempre na bateria (embora me pareça que os anos começam a acusar) e, finalmente, Flea, o génio do grupo, é o que faz a ponte com o público e continua tão apaixonado pelo seu baixo como no início. Mas também pode ser estranho. “Às vezes é preciso ouvir uma balada tranquila para pôr o bebé a dormir”, disse Flea. O que poderia ser um momento de acalmia, foi totalmente destrutivo com “Nobody Weird Like Me”, recuperado a Mother’s Milk, de 1989.

Aliás, entre solos mais prolongados e jam sessions – está no core do grupo – os Red Hot mostram que a discografia antiga não fica esquecida nos concertos: “Suck My Kiss”, “Soul to Squeeze” e “Aeroplane” são alguns desses exemplos.

“Californication” foi outro dos momentos muito celebrados no concerto, entoado a plenos pulmões pelas 20 mil pessoas na MEO Arena. Sim, plateia cheia e balcões cheios. Já não víamos a MEO Arena assim há algum tempo. Apesar da relação de amor com a banda não parecer recíproca, notava-se uma alegria tão grande em quem andava por ali a ouvir, quiçá, a sua banda favorita. “Obrigado por virem aqui esta noite e apoiarem a música ao vivo”, disse Flea a meio do concerto. A esperar pela reação, podem sempre contar com o público numa próxima oportunidade, mesmo que demorem outros 11 anos a regressar.

redhotchilipeppers fotoechoboomer 2

“By The Way”, faixa-título do mesmo álbum, fez a falsa despedida da banda antes do encore. Minutos depois regressaram para mais dois temas: “Goodbye Angels” e “Give It Away”, outro hino do grupo que permanecerá sempre na memória dos fãs dos Red Hot Chili Peppers.

Parecendo que não, passaram cerca de hora e meia entre temas antigos e recentes, num público com várias camadas de idades: vimos adolescentes (talvez descobrindo a banda com o álbum do ano passado, e, consequentemente, “obrigados” a descobrir o resto da discografia), vimos pessoas com 30 e tal anos e também andavam pessoas com 50 e poucos anos na MEO Arena. Ou seja, uma música que chega a todas as idades. O rock’n’funk dos Red Hot Chili Peppers é explosivo e isso notou-se no concerto de ontem.

“Estamos muito gratos e honrados pela oportunidade de estarmos aqui convosco”, disse Flea no final da noite. “Paz e amor, sempre”, finalizou o caótico baixista. A ideia ficou mais ou menos patente quando, já no fim do concerto, Chad Smith disse “vemo-nos em breve, ok?”. Esperamos que seja verdade.

Quanto a pontos menos positivos, podemos destacar o som da MEO Arena (ainda não está no ponto, mesmo com as recentes alterações na estrutura), a duração do concerto e a ausência de faixas como “Under the bridge”, “Scar Tissue” ou “Around the World”. Esperemos que voltem muito em breve, num concerto dedicado. Eles merecem, e nós também.

redhotchilipeppers fotoechoboomer 3

Para mais Echo Boomer, segue-nos no Facebook, Twitter e Instagram.

- Publicidade -

Sigam-nos

10,470FansCurti
4,049SeguidoresSeguir
536SeguidoresSeguir

Relacionados

Tomorrowland Around The World. Vem aí a primeira edição totalmente digital do conhecido festival

Acontece já a 25 e 26 de julho e o cartaz será divulgado a 15 de junho. Mas este evento não é gratuito.

Bad Bunny, Meduza, ProfJam e Bispo reconfirmados no 24º MEO Sudoeste

São os primeiros nomes a assegurar presença na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar.
- Publicidade -

Mais Recentes

Glovo vai chegar a Santarém em breve

Tudo indica que essa expansão vai acontecer ainda este mês.

Bilhetes para a Festa do Avante! já estão à venda

A chamada EP (Entrada Permanente) dá acesso aos três dias de festa. Os bilhetes diários só poderão ser adquiridos nos próprios dias da realização do evento.

Burger Wheels. Nova hamburgueria de Setúbal inaugura a 9 de junho

Para já irá funcionar somente através do Uber Eats. No futuro, quando a pandemia de COVID-19 acalmar, o espaço irá abrir ao público.