Super Bock Super Rock 2018 | Benjamin Clementine – Uma estrela cada vez maior

por Alexandre Lopes

Por esta altura, poucos serão aqueles (interessados em boa música) que ainda não tinham visto Benjamin Clementine ao vivo no nosso país. Afinal de contas, esta era o 14º concerto do cantor em Portugal, o que, provavelmente, fez com que não fossem muitos aqueles que o quisessem ver na Altice Arena, vulgo Palco Super Bock durante o Super Bock Super Rock.

Nós, que ficámos num dos balcões, apercebemo-nos facilmente do quão vazia estava a Altice Arena, um grande contraste em relação à noite anterior, dedicada ao hip-hop. Ainda assim, Benjamin teve mais público que outros artistas/bandas que por ali passaram e, independentemente disso, deu um excelente concerto e, também, o mais celebrado do dia.

Quem o viu numa das suas primeiras atuações no nosso país – por exemplo no Vodafone Mexefest, em 2015 – notou, desde logo, a enorme diferença que existe hoje em dia desde essa altura, em que era tímido e parco em palco. Atuamente, como se pode ver no SBSR, Benjamin é um artista cada vez mais completo, com a confiança suficiente para brincar com o público e dirigir-se junto do mesmo.

Começou por cantar “Ave Dreamer” do mais recente álbum I Tell a Fly, seguindo-se logo depois a rapidinha “An Awkward Fish”. Acompanhando em palco por uma secção de cordas com músicos de Lisboa (Juan Maggiorani, Maria da Rocha, Bruno Silva e João Hasselberg), logo se percebeu que as músicas ganham uma nova toada ao vivo, soando mais elétricas e mais expansivas. Há quem prefira aquela ingenuidade em versão de estúdio, mas assistir a um concerto de Benjamin Clementine é registar o crescimento de um artista que passou por muito na vida.

Indo de um lado ao outro do palco, correndo à volta dos manequins naquele espaço, foi quando se sentou ao piano que anunciou a convidada especial da noite, Ana Moura: “Gostava de vos apresentar a mais autêntica das vozes”. Interpretaram o tema “I Won´t Complain”. E foi bem bonito.

Já sem Ana Moura no palco, Benjamin ainda atirou uma graçola para o ar: “Deem as boas vindas ao Seu Jorge!”. Era mentira. “Queriam vocês”, disse a rir-se.

Não só estas graçolas, mas o facto de interagir com o público em português – “é uma pena não falar português… Um dia… Um bom dia” – e de nos parecer ver, ali, alguns momentos de improviso, mostra que está um artista diferente e mais completo.

Ainda teve tempo para se “zangar” em “Jupiter”, uma vez que os presentes faziam imenso barulho: “Silêncio por favor, shhhh”, para, lá ao fundo, alguém mandar o belo do “Fuck You”. Ai Portugal Portugal…

No final, “Adios”, qual mais, fechou um concerto com chave de ouro, quando se dirigiu para junto do público para que esta cantasse os versos “The decision is mine/ Let the lesson be mine/Cause the vision is mine”.

Surgia no ecrã da Altice Arena uma imagem da bandeira portuguesa com a seguinte mensagem: “Eu vou-me lembrar de Portugal para sempre”. Soa a despedida durante bastante tempo, e até pode ter alguma razão de ser, uma vez que o jovem diz que só quer lançar mais um álbum de estúdio. Mas uma coisa é certa: já é mais português que muitos portugueses.


 

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