Super Bock em Stock (Dia 1) – Tuk Tuks para Autóctones

Um regresso aos festivais, neste caso a um itinerante.

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Não há como escapar, há carisma no Super Bock em Stock (SBES para os amigos, ou até Mexefest de vez em quando para quem ainda pensa em contos e não em euros, como é o nosso caso). Mesmo que numa envolvência bem mais rica do que nas primeiras edições de há mais de uma década, em que o rácio tasca/restaurante de “conceito” era o inverso e o preço das imperiais bem mais baixo, é mais do que todos os outros um festival de encontrar amigos na rua que já não víamos há anos. De dar dois dedos de conversa. De entrar em sítios onde se calhar nunca tínhamos estado e parar para pensar no bonita que esta cidade é mesmo, mesmo com todo o mal que já lhe fizeram. E mesmo com um cartaz que nem os mais otimistas poderão chamar de champagne, isso tem graça e já tínhamos saudades.

Já passa um pedaço das oito da noite quando se vai buscar a pulseira ao Coliseu dos Recreios. Processo fácil e rápido, o que abre janela para entrar numa garagem. A da EPAL, que com um aspeto bem pintadinho de quem foi renovado há pouco tempo, recebia a Pimenta Caseira, acabada de moer, já que este é projeto do ano da Graça de 2021. Aliás, “Dá-me Tudo”, o segundo single depois de “Summer Stroke”, saiu agora em novembro.

Malta do novo Cais do Sodré e com bagagem de outros projetos como Moullinex, HMB, Lura ou Nenny, GuiSalgueiro nos teclados; Zé Maria no saxofone, sintetizadores e vocoder; e Ariel Rosa na bateria e pads são os constituintes deste auto-denominado “movimento”. A diversão que a criação destas faixas transparece para o palco, e o néon rosa com o nome bem brilhante, foi investimento sábio para criar o ambiente. As comparações com Daft Punk em “Dá-me Tudo” não podem deixar de ser feitas, mas é em especial o saxofone do mestre de jazz pelo Conservatório de Haia que se faz destacar. Curiosos com o sítio onde o movimento vai dar.

Quiçá o nome maior da noite, ex aequo com Django Django, Mundo Segundo & Sam The Kid tocam no Coliseu. Sala não lotada, há que dizer à partida, o que afeta o ambiente de quem partilha histórias das urbes maiores e pede calor a agitação. Não obstante, esta conexão Hip Hop Chelas/Gaia dá espetáculo em que puxa pelos presentes, que demonstram boa vontade também. Afinal dá-se mais valor em estar ali, que era garantido há poucos anos e agora incerto, e o alinhamento com clássicos é feito com competência. E ouvir Sam The Kid a fazer referências a Matosas alegra sempre o coração.

Já tínhamos outro evento marcado para mais perto de Chelas, precisamente, mas ainda há tempo de checar o novo Maxime, onde as Rainhas do AutoEngano, trio de amizade feminina luso-brasileira, dão um espetáculo diametralmente oposto. Aqui imperam o intimismo e as histórias da vida de Madalena Palmeirim, Zoe Dorey e Natália Green, como em “Eu Jurei”. Há guitarra a atirar para o folk, mas também a especificidade portuguesa do cavaquinho e o sopro do trompete por vezes a aparecer. Não será luso-tropicalismo, mas será terapia boa, o fruto de muitas conversas e desabafos. A sala está com as mesas cheias e uma boa fila de pé junto ao longo balcão do bar, tudo faz sentido.

A sala está com bom aspeto, mas para quem conheceu os tempos de reanimação do cabaret e toda a história impregnada naquelas madeiras desaparecidas, faz confusão. À saída aparece um tuk tuk da organização que nos dá boleia até aos Restauradores, é uma estreia na utilização do veículo, tal como acontece com quem partilha connosco a viagem e troca dois dedos bem dispostos de conversa. Lisboa agora também é muito isto.

Fotos de: Emanuel Canoilas

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