Star Fox Review: Nem para o infinito, nem mais além

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Star Fox é um excelente remake de um jogo que já era excelente, mas uma oportunidade perdida para transformar a série numa experiência verdadeiramente moderna.

Após alguma antecipação a Nintendo respondeu aos seus fãs e trouxe de volta Star Fox. Mas para surpresa de muitos, não foi com um jogo completamente novo, mas sim com mais um remake, sinalizando quase uma incapacidade de realmente oferecer aos jogadores algo completamente novo. Parece que começo esta opinião de forma jocosa, mas não é de todo o meu objetivo, porque eu aprecio bastante a ideia de remakes, remasters ou reboots. Até os defendo, pela sua capacidade e potencial de abrirem as portas de algumas franquias a novas gerações. No entanto, não deixa de ser quase cómico como a saga tem sido tratada desde a sua génese em 1993.

Star Fox para a Nintendo Switch 2 é essencialmente um remake direto de Star Fox 64, para a Nintendo 64, que teve uma versão para Nintendo 3DS, com Star Fox 64 3D. No entanto, em 2016 o jogo já tinha sido parcialmente refeito, em Star Fox Zero para a Nintendo Wii U, que incluía também elementos do jogo original da SNES. Apesar da lista longa de remasters e remisturas, apenas me lembro de Star Fox 64, disponível também na Nintendo Switch Online da Nintendo Switch 2, um jogo particularmente ambicioso para a sua plataforma original que, para altura em que saiu, impressionou não só visualmente, como mecanicamente e por decisões de design bastante interessantes, nomeadamente pela sua progressão ramificada.

Em teoria, converter Star Fox 64 parecia ser arriscado, pelas expectativas criadas pela natureza atual dos videojogos, esperando-se por uma história mais aprofundada, com maior envolvimento emocional, visuais modernos, mecânicas de jogo aprimoradas e uma narrativa ramificada com impacto narrativo. E Star Fox para a Nintendo Switch 2 quase que consegue responder a tudo isso, mas fica-se pelo “quase”, com um remake extremamente sólido, mas com aquele ar de “remaster glorificado”, que não utiliza as oportunidades que tem para ser muito melhor que o original. Assim, Star Fox para a Nintendo Switch 2 é quase como uma variante do jogo original. Mais análogo a um The Last of Us Part I ou um Halo: Combat Evolved Anniversary Edition, do que, por exemplo, a um Silent Hill 2, ou qualquer remake de Resident Evil. Ainda que seja um jogo novo de raiz, o esqueleto, as ideias e o formato permanecem demasiado familiares, incluindo irritações.

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Star Fox (Nintendo)

Começando pela apresentação, este é, provavelmente, o aspeto mais drástico face aos jogos anteriores, e aquele que coletivamente causou maior estranheza. A decisão de apresentar Fox McCloud e amigos num registo hiper-realista é interessante e reminiscente do material de marketing dos jogos mais antigos, que usavam fantoches, mas após décadas de várias iterações digitais, incluindo um fantástico design em The Super Mario Galaxy Movie, encontrar o novo grupo de pilotos com características e feições de animais realistas é uma queda bem profunda no vale do desconforto (uncanny valley). Dito isto, mesmo entendendo de onde vem a inspiração, o design das personagens é, definitivamente, algo que não gosto nesta nova iteração de Star Fox.

Mas o mesmo sentimento não se aplica à restante apresentação visual, também a abraçar o realismo sci-fi com gráficos modernos e cinemáticos, com excelentes sequências cinemáticas, com destaque para a introdução/prólogo, acompanhado de uma banda sonora que para ouvidos pouco treinados poderia ser de John Williams, e também pela direção de cenas durante os diálogos, com um trabalho de realização extremamente maduro e raro em produções da Nintendo.

Os elogios visuais também se aplicam ao restante jogo, em segmentos de jogabilidade, numa verdadeira reimaginação de Star Fox 64 com gráficos modernos, entrando no campo do absurdismo humorístico do “RTX On/RTX Off”, quando comparamos as duas versões lado a lado. Mas com resultados bem positivos e satisfatórios. Os níveis são densos, detalhados, com uma aura fantasiosa no ponto, com algumas sequências particularmente épicas, nomeadamente os bosses pela sua apresentação, iluminação e animações. Há de facto uma qualidade de espetáculo bastante envolvente e incentivante a jogar o próximo nível, mas quando começamos a falar da jogabilidade e progressão do jogo, esses sentimentos não foram fortes o suficiente para me segurar ao jogo como queria.

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Star Fox (Nintendo)

No que diz respeito à jogabilidade há tanto de bom como de “irritante”. Por um lado, adoro o esforço em preservar a identidade da jogabilidade característica dos jogos em que se baseia, num modelo on-rails, onde temos que nos preocupar em desviar de projéteis e inimigos e acertar todos os tiros. É divertido e com aquele toque de árcade old-school, com a dificuldade amplificada pela resistência da nossa nave e pelo caos no ecrã, juntamente com pequenos objetivos de defesa que se metem pelo caminho. Esta nova versão de Star Fox inclui ainda um modo na primeira pessoa, no cockpit, reminiscente da perspetiva de um X-Wing de Star Wars, capaz de evocar as emoções de uma Trench Run, e a capacidade de usar os Joy-Cons como ratos para apontar os nossos disparos. Esta forma alternativa de jogar é particularmente divertida de usar com o apoio numa secretária ou mesa, e até torna o jogo relativamente mais fácil, após uma pequena curva de aprendizagem e treino de tiro ao alvo.

Ainda assim, admito que gostava de ver a jogabilidade de Star Fox mais modernizada e desligada dos jogos anteriores. Apesar das afinações e ajustes, sente-se ainda demasiado arcaico e a prova disso está nos segmentos de “voo livre” que de livre pouco têm. Estamos confinados a áreas relativamente curtas, limitados em altura e as manobras dos nossos veículos nestes segmentos são, muito honestamente, irritantes. É particularmente difícil e irritante perseguir inimigos que nos seguem, devido à falta de um manuseamento mais livre, à rapidez com que os inimigos se movem e à falta de visibilidade. Estes segmentos são extremamente claustrofóbicos e há N exemplos noutros jogos como estas arenas podiam ser mais abertas e livres. Não fiquei fã.

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Star Fox (Nintendo)

O outro aspeto que também me deixou menos apreciativo da experiência Star Fox foi a estrutura do jogo e como todo o esforço em modernizar a experiência me parece superficial. Sim, há mais “lore” para desbloquear, há imensos desafios para cumprir, mas a sua campanha mantém a natureza repetitiva do original, com as dezenas de ramificações desbloqueadas através da repetição e cumprimento de objetivos específicos. Em Star Fox 64, este podia ser um sistema de progressão ambicioso, mas em 2026, esperava uma campanha maior, com runs mais compridas e ramificações com um peso narrativo mais profundo. No fundo, este apontamento é mais uma questão de expectativas não atingidas da minha parte e não tanto um “problema” do jogo em si. Mas não consigo olhar para esta campanha também como arcaica e pouco corajosa. A sua extensão e longevidade aproxima-se mais de um modo de jogo do que de uma campanha completa. Na realidade, é até bastante reminiscente do modo roguelike No Return de The Last of Us Part II.

Apesar destas críticas, Star Fox é um excelente jogo e recomendo-o a qualquer jogador, em particular quem não conhece a saga. É divertido, fácil de pegar e dar uma voltinha, ideal para queimar tempo ou jogar em modo portátil em pequenos intervalos. É descaradamente old-school e bastante confiante, algo que aprecio nesta experiência. E até chega com um preço bastante ajustado à sua natureza, de 49,99€, o que não é nada caro para um verdadeiro exclusivo Nintendo Switch 2. Mas no fim do dia, continuo com a sensação de que Star Fox não me encheu as medidas e que é demasiado seguro, não por ser um remake, mas por não ir mais além e abrir as portas a uma nova saga com futuro. Nintendo, está na altura de elevar a fasquia.

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Cópia para análise cedida pela Nintendo Portugal.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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