Sophia Natural Italian – Um restaurante que prima pelo esforço (e o resultado) de servir mais e melhor

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Visitar o Sophia – Natural Italian, à praça D. Luís, um restaurante situado no coração do movimentado Cais do Sodré que une ao conceito de comida natural e (realmente) italiana um serviço mais eficiente, assim como um ambiente cosmopolita kosy acima do confortável, é uma experiência bastante positiva.

Diz-se que as primeiras impressões contam muito, e é verdade. Mas o Sophia, não sendo à partida um espaço estreante, tem vindo a apostar nos melhores ingredientes, num serviço mais rápido e num menu de almoço mais reforçado e apurado.

Note-se que, à semelhança de outros, no cardápio do Sophia, a comida natural está assinalada e representada por ótimos e saborosos pratos vegetarianos, assim como pratos confecionados com alimentos e ingredientes isentos de glúten (ambas as categorias assinaladas com símbolo próprio). Seja para refeições rápidas, ou nos rituais de convívio e de reencontro com família e amigos, o Sophia – Natural Italian merece um lugar destacado no movimentado quadrante onde se insere.

Logo à entrada, sente-se o ambiente retro chic deste restaurante que se define como «a nova casa italiana que recebe em Lisboa as receitas da Avó». Com a sua tónica em alimentos pouco cozinhados, ou crus ou marinados, e num menu onde não entram, à partida, açucares refinados nem alimentos processados, este restaurante italiano tem muito de Lisboa, primando por uma ementa simples, bastante concentrada, com pratos realmente saborosos, e um ambiente acolhedor que evoca um estilo entre o contemporâneo e o vintage, com poltronas de veludo e papel de parede floral idílico.

Foi numa ambiência de jardins suspensos que dominam a parte aérea do restaurante, a condizer com os artefactos biográficos e as nostálgicas fotografias que encenam o legado culinário da avó Isabella e decoram as paredes em redor, que começámos por testar e saborear uma ementa que se aproxima, sem desprimores, da degustação contemporânea e do rigor da cozinha tradicional. A nossa experiência não nos deixa margem para dúvidas: este projeto constrói-se em torno de uma (necessária) reinvenção do legado mítico da boa cozinha italiana, que carece todos os dias de um certo espírito de experimentação e novidade que é preciso dar aos clientes, perante o cenário de forte competição com que a restauração hoje em dia se depara nas grandes metrópoles.

Como assinalam os mentores do projeto, procura-se que o menu assente nos melhores produtos feitos diariamente por estes chefs que utilizam farinhas integrais e massas de confeção caseira onde têm lugar de destaque o trigo Barbela (considerado um produto ancestral e com a qualidade de produzir um miolo de acidez intensa húmido e cremoso) e a fermentação natural.

Comecemos por ressalvar que o Sophia dispõe de um menu diário simplificado, composto por couvert, entrada, duas opções de prato principal, sobremesa e café, sempre pronto a sair. Todos os dias podemos contar com as Focaccia e o colorido Aperol, servidos em duas modalidades, as Focaccia Grandi e as Tábuas para partilhar, entre as 12 e as 19 horas – uma modalidade pensada para o forte fluxo diário naquela zona carismática da cidade.

Olhemos, para começar, para o couvert constituído de Focaccia de batata com molho de pimentos assados e azeitonas marinadas, a que o alecrim dá uma nota suplementar de paladar saudável e mediterrânico. Esta Focaccia, note-se, é levíssima, bastante saborosa, e muito diferente do pão convencional, acompanhando muito bem com todos os molhos e os mais diversos pratos do menu.

Como entradas, pode-se optar ou por uma Sopa fria de tomate e cenoura com cebolinho, ou por um Carpaccio de novilho com parmesão. Há o suculento Crudo de corvina com pistácio, ou ainda o Carpaccio de curgette com limão e funcho. Para quem preferir algo mais leve, há a Salada de alface coração, com mini mozzarella, tomate e pesto.

Sugerimos, neste capítulo, o Ravioli gigante de espinafres, uma verdadeira guloseima com ricotta e gema de ovo, e a Burrata trufada; neste, o creme de leite fermentado mistura-se paulatinamente com os espinafres, apenas amolecidos ao vapor mas tão frescos como se tivessem sido acabados de colher. Ambos os pratos, acompanhados com a Focaccia de batata, são de paladar muito suave e preparam o prato principal, sem pesarem demasiado.

Vamos agora aos pratos principais, que se apresentam em várias opções: para começar, o cardápio põe à sua disposição várias Pizzas de trigo Barbela com fermentação natural, das quais se destaca a Toni del Tartufo com burrata trufada, rúcula e lascas de trufa preta. É uma boa pizza, sem chegar a diferenciar-se das melhores que já tenham experimentado.

O outro item são os Pratos da minha Nonna, onde entram três componentes degustativas. Uma é a vegetariana, composta por Risottos cujo paladar está, de facto, ótimo. Aqui, tem à escolha desde o Risotto de açafrão ao de cogumelos.

Outro item forte são as massas, como não podia deixar de ser: a Massa fresca com molho de tomate e burrata trufada, a Caponata com lentilhas e ovos escalfados, a Penne de la Nonna com pesto e azeitonas, a Tagliatelle com Bolonhesa e Papardelle trufada com cogumelos Portibello e parmesão. Como sabem, o cogumelo Portibello é grande e apresenta uma textura carnuda e firme muito semelhante à da carne, embora com um sabor suave e delicado. Este último prato é, de facto, muito bem confecionado e saboroso, ombreando com outros de semelhante aspeto, como os que referimos.

Em segundo, há os pratos de peixe à base de camarão tigre e corvina. Neste item consta um atrativo Risotto de camarão e açafrão, muito bem servido, imprescindível para quem é apreciador de marisco nas suas múltiplas formas.

Em terceiro, podem optar por pratos de carne. Aí, têm o Frango grelhado com lentilhas e abacate, o Rosbife com molho de abacate e tagliatelle fresco trufado, e a Lasagna com ossobuco, espinafres e cogumelos Portobello. Apesar do nível de confeção, são pratos que não apresentam saturação de lípidos, tal como uma dieta saudável requer, hoje em dia.

Por falar em dieta saudável, não foram esquecidas as Insalate com Focaccia, a saber, saladas de frango, corvina ou legumes grelhados, conforme as preferências do cliente. O abacate, a pimenta, o parmesão, o limão, são condimentos associados a estes saudáveis (mas não menos agradáveis) pratos.

No capítulo das sobremesas, a oferta não é propriamente vasta; podemos dizer com justiça que se restringe a três ou quatro opções, todas elas cambiantes de um final de refeição que se quer leve e sem excessos. Podem contar com um Tiramisú, que continua a ser o mais pedido, de resto; o excelente Bolo de Chocolate da Nonna, servido morno e cujo interior derrama mousse de chocolate ligeiramente amarga – achámo-lo uma verdadeira delícia; a Pannacota, para quem prefere algo bastante simples, em que prevalece o sabor do iogurte adocicado somente pelo topping de frutos do bosque (uma compota natural, pouco doce, algo modesta); e os Gelados Artisani, gelados artesanais de vários sabores, à escolha. Claro, podem escolher, se preferirem, uma simples sobremesa de Fruta laminada.

Os clientes mais jovens estão contemplados no menu infantil, o Menu Bambini, bastante conveniente com a sua Bolonhesa ou a Pizza Martino, à escolha, e servido com água ou limonada.

Por falar em limonada, a carta de bebidas da Sophia tem vários vinhos, que podem ser servidos a copo, com destaque para o Lambrusco e o Assobio, além de bebidas alternativas à base de fruta fresca. Optámos por um tinto, o Assobio, misto de paisagens do Alentejo, Herdade do Esporão, e do Douro, e uma Limonada com maracujá, que nos pareceu realmente isenta de quaisquer açucares, mas mais concentrada e saborosa do que muitas outras que têm sido experimentadas.

Não esquecendo que o Sophia prima por receitas frescas, naturais e saudáveis, e que aposta tanto nos produtos vegetais, como em peixe e carne selecionados, este não é um cardápio nada mau… Estamos a falar de pratos cuja média de preços se situa entre os 13€ e os 16€, com a opção mais barata a começar na sopa fria (4,25€) e a mais cara, o prato de camarão tigre (26€ que não escandalizam, tendo em conta a generosidade deste prato em que o camarão não é um simples adorno). O preço das Tábuas para partilhar varia entre os 12 e os 17,5€.

Como dizia Fernando Pessoa, grande poeta que conheceu bem a força que os mitos adquirem na metrópole lisboeta, as lendas não carecem de justificações, pois contaminam a própria vida, emprestando-lhe tanto a aura poética do sonho como da realidade. Figura ficcional ou real, esta avó italiana é a personificação do casamento da cozinha tradicional italiana com as práticas saudáveis, um conhecimento renovado e inspirador dos que trabalham neste espaço e o tornam tão acolhedor e numa experiência de degustação que vale bem a pena.

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