Aumento do consumo e temperaturas elevadas pressionam rede de água em Almada, com medidas de emergência já no terreno.
Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS) e a Câmara Municipal de Almada ativaram um Plano de Contingência na sequência das falhas registadas no abastecimento de água em vários pontos do concelho. As duas entidades reconhecem os constrangimentos causados à população e admitem o impacto das ocorrências no quotidiano de famílias, empresas e instituições.
De acordo com a informação divulgada, o sistema de abastecimento tem sido sujeito a uma pressão invulgar, associada a um aumento significativo do consumo de água nos últimos meses. Este cenário levou ao reforço da monitorização da rede e à adoção de medidas consideradas excecionais, com o objetivo de assegurar a continuidade do serviço.
Perante a evolução da situação, foi constituído um gabinete de crise, que tem como funções acompanhar em permanência o estado da rede, avaliar o impacto das medidas em curso e definir novas ações, podendo ser alargado a outras entidades caso a situação o justifique.
As autoridades municipais apontam as condições meteorológicas como um dos principais fatores de pressão sobre o sistema. Desde maio, registam-se temperaturas persistentemente elevadas, o que terá contribuído para um aumento expressivo do consumo de água. Em paralelo, referem que têm vindo a ser implementadas medidas estruturais para melhorar a resiliência da rede, reduzir perdas e reforçar a capacidade de resposta operacional.
Segundo os dados apresentados, foi possível reduzir significativamente as perdas de água associadas a ruturas nos primeiros seis meses do atual mandato, apesar da antiguidade de parte relevante das infraestruturas. Em simultâneo, foi intensificada a vigilância da rede através de diferentes tecnologias, incluindo inspeções internas das condutas, utilização de drones e análise de informação proveniente de satélite no âmbito do programa Copernicus.
A análise dos consumos revelou também alterações relevantes nos padrões de utilização. Enquanto algumas zonas registaram diminuições, outras apresentaram aumentos considerados elevados sem correspondência direta na faturação, o que indicia possíveis utilizações irregulares. Em resposta, foram formadas equipas conjuntas dos SMAS e da autarquia, que estão no terreno a realizar ações de fiscalização e sensibilização, incluindo contactos diretos com a população nas áreas mais afetadas.
As juntas de freguesia foram igualmente envolvidas neste processo, com funções de acompanhamento local e apoio às populações. No plano estrutural, estão em curso contactos com a empresa Águas de Portugal para estudar soluções que reforcem a redundância do sistema, quer através de ligações à margem norte, quer por via de interligações com redes de municípios vizinhos com maior disponibilidade de recursos hídricos subterrâneos.
Ao mesmo tempo, decorrem diligências junto da Agência Portuguesa do Ambiente com vista à obtenção de autorizações urgentes para a abertura de novos furos de captação, apontados como uma das soluções mais rápidas para aumentar a disponibilidade de água no atual contexto. Estão também a ser considerados estudos técnicos sobre os recursos hídricos da região, com o objetivo de sustentar decisões de médio e longo prazo.
No imediato, foi reforçada a monitorização de infraestruturas críticas, incluindo unidades de saúde, lares de idosos e outros equipamentos sociais, de forma a garantir o abastecimento a populações mais vulneráveis. Entre as medidas já implementadas está a redução da pressão da água na rede durante o período noturno, entre a meia-noite e as seis da manhã, em todo o concelho.
Sempre que necessário, está prevista a colocação de camiões-cisterna nas zonas mais afetadas e junto de consumidores considerados prioritários. As ações de fiscalização irão prosseguir em todo o território, com especial incidência nas freguesias da Charneca de Caparica, Sobreda e Costa de Caparica, onde foram identificados consumos anómalos e não faturados.
No âmbito da gestão da rede, os SMAS indicam que procurarão comunicar previamente quaisquer interrupções programadas no abastecimento, sempre que as condições operacionais o permitam. Está também prevista uma avaliação interna às medidas de preparação para o período de verão, com o objetivo de identificar eventuais falhas e reforçar a capacidade de resposta.
As entidades responsáveis afirmam que a prioridade é minimizar os impactos no abastecimento e garantem que as equipas se encontram mobilizadas para acompanhar a situação, intervir sempre que necessário e manter a população informada. É ainda deixado um apelo à utilização responsável da água, com a recomendação de evitar consumos não essenciais durante este período, considerado particularmente exigente para o sistema.
