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Scorpions – Fazer a malta feliz

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Números que impressionam: 54 anos de carreira, mais de 20 concertos em Portugal e um Altice Arena cheio. Só por isto, que não é pouco, os Scorpions já seriam um caso à parte no panorama das bandas de hard rock da Europa continental. Mas ainda mais espantoso é que estes veteranos deram concerto há menos de um ano no estádio municipal de Oeiras, no âmbito da mesma tournée, a Crazy World Tour.

Caso sério de popularidade, então, e que atravessa gerações, com muitos jovens entre o público.

Pelas 21h15, Rudolf Schenker, Klaus Meine, Mathias Jabs, Pawel Maciwoda e Mikkey Dee entram num Pavilhão Atlântico cheio (no metro dizia-se que estava esgotado, embora depois na plateia em pé fosse possível circular bem). A setlist é fácil de prever e “Crazy World” é tocada de modo frenético, seguida de “Going Out With a Bang” – aqui com a bandeira portuguesa a ser projetada nos diversos ecrãs. A voz de Meine mantém as suas características e não é tímida, mas a predominância vai toda para as guitarras e a bateria.

Máquina bem oleada, com discursos curtos mas simpáticos dedicados à ocidental praia lusitana e momentos de partilha – Klaus Meine recorda que alguns destes êxitos foram criados em meados dos anos 70, muitas vezes a caminho de um concerto numa velha carrinha conduzida por estradas alemãs, e, na altura, ninguém diria que chegariam a tocar numa sala desta escala em Lisboa. Há uma felicidade calma e sorrisos que atravessam todos os membros da banda.

Os Scorpions em 2019 parecem, acima de tudo, uma banda muito à vontade com o seu papel: o de proporcionar ao seu público fidelíssimo uma hora e quarenta cinco bem passada ao som dos seus maiores êxitos.

Quem compra o bilhete sabe ao que vem e dificilmente sairá desiludido. Apesar de alguma mecanização na coreografia, com as corridas de um lado para o outro do septuagenário Rudolf Shencker, o único membro fundador na formação atual, e o encontro dos quatro membros móveis da banda no promontório existente no palco e outros gestos que se vão repetindo, os Scorpions não parecem gastos ou cansados.

Um dos motivos passará pela integração de novos músicos, com destaque particular para Mikkey Dee, o baterista que chegou em 2016 após a sua passagem pelos Motorhead, e que é uma verdadeira carga de energia, nunca deixando o ritmo esmorecer.

Este rejuvenescimento é aproveitado na gestão de esforços da atuação, de tal forma que, a dois terços do concerto, os outros membros saem de cena para que o baterista seja içado numa plataforma e dê um solo de vários minutos com as luzes totalmente apagadas além das que focam Dee. Faz sentido e é justo.

Nas guitarras, o protagonismo vai sendo repartido entre Schenker e Jabs, como é bem visível na sequência “Top of the Bill” / “Steamrock Fever” / “Speedy’s Coming” / “Catch Your Train”.

Chega o assobio de “Wind do Change”, o primeiro momento verdadeiramente épico, e nos ecrãs projeta-se o muro de Berlim e pombas a voar. O simbolismo é evidente e os Scorpions não são tímidos a tirar partido da sua associação àquele momento maior da nossa história recente. As selfies e facetimes são mais que muitos.

O ritmo continua vivo e os estilos vão variando, do mais metal ao mais acústico, e “Big City Nights” também funciona bem como ponto final antes da primeira despedida, deixando o público bem quentinho. São muitos anos a virar frangos.

Cumpre-se o ritual e aplaude-se para o encore, que chega depressa, evidentemente, com “Still Loving You”, com o público em uníssono a cantar enquanto que uma cascata a vermelho surge projetada. A casa vem abaixo, há muito sentimento. Talvez um dos motivos para estar cá tanta malta nova seja a falta de quem faça baladas eléctricas assim.

Outra das imorredoiras, “Rock You Like a Hurricane”, um clássico do hard rock, fecha em grande. Sorrisos por todo o lado. Missão cumprida, até para o ano.

Fotos de: Tiago Cortez / Everything is New

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