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Rock in Rio Lisboa 2018 | Muse – Por mais vezes que voltem, eles não desiludem

Quem tem acompanhado a carreira dos Muse nos últimos anos, e teve oportunidade de ver a banda ao vivo uma série de vezes, já percebeu que a setlist dos concertos tem sido mais ou menos consistente, variando pouco, exceto em um ou dois temas. Os fãs de longa data decerto não acham muita piada a isso, até porque os britânicos têm vindo a perder um pouco da sua fúria e criatividade dos anos iniciais. Já os fãs mais recentes, que só os descobriram com Black Holes & Revelations, estão mais familiarizados com os hits recentes da banda.

Dito isto, o concerto da noite de ontem foi em tudo semelhante ao último que deram no nosso país, concentrando-se em Black Holes and Revelations, no mais recente Drones, lançado em 2015, e, depois, breves inclusões pelos outros álbuns.

Falhando um pouco a típica pontualidade britânica – atraso de 10 minutos em relação à hora prevista – o trio conquistou logo o público da Bela Vista com a mais recente “Thought Contagion”, do próximo álbum que deverá sair este ano, e, a avaliar pela receção, já se tornou um clássico instantâneo.

Seguiram-se “Psycho”, uma das melhores faixas do álbum Drones, e as velhinhas “Hysteria” e “Plug in Baby”, a fazer as delícias dos fãs mais saudosistas. É, porém, em faixas como “Isolated System”, “Dig Down”, “Unsustainable” ou “Madness” que os Muse demonstram que já não têm a chama de antigamente. Além de canções fracas, Madness é, também, um hino claramente comercial, feito a pensar numa geração mais recente, a um público pouco fiel, e, também, de forma a apelar aos Estados Unidos, país que os britânicos demoraram a conquistar. Alguém ainda se lembra de lhes chamarem vendidos quando criaram o tema “Neutron Star Collision (Love Is Forever)” para Eclipse, filme da saga Twilight?

Foto: Agência Zero

Se isto, de ficarem comerciais, não caiu de bom grado junto dos fãs do início de carreira, isto permitiu que os Muse crescessem, que se tornassem numa das bandas rock mais importantes do mundo e que conseguissem fazer digressões de estádios e arenas por todo o mundo. Claro, isto também possibilitou mais vindas da banda ao nosso país, pelo que, no final de contas, nem nos podemos queixar.

Para este concerto, as atenções estiveram maioritariamente focadas nos elementos da banda, sem objetos/acessórios a distrair o público, ao contrário do que aconteceu no concerto de 2016 na Altice Arena, em que andavam vários drones a sobrevoar o público.

Com o concerto a decorrer a velocidade cruzeiro, Matthew Bellamy, o homem sobre o qual recaem todas as atenções, tem vindo a desinibir-se ao longo dos anos. Deixou de estar somente agarrado ao microfone ou a partir guitarras para, hoje em dia, ir para junto do público pedir que este levante as mãos ou cante com ele. Faz parte do jogo.

“Starlight” foi um desses casos, onde a Bela Vista cantou a música a plenos pulmões e com telemóveis no ar. Seguiu-se a velhinha, mas sempre apreciada, “Time Is Running Out”, para, em poucos minutos depois, o concerto ir para encore com a já habitual “Mercy”, com a chuva de confettis de praxe.

Saídos do palco, os Muse logo regressaram para um encore de mais três temas. Entraram devagarinho, como a preparar o público para o final apoteótico, com “Take A Bow”. “Uprising” é outro hino que não falha no alinhamento e que é sucedido pela magnífica “Knights of Cydonia”, uma música claramente talhada para concertos e para fechar da melhor forma os espetáculos.

Foto: Agência Zero

No final de tudo, e apesar do espetáculo de luzes montado e de todos os adereços servidos, pode-se dizer que foi um espetáculo simples e sem qualquer surpresa. Foi o 15º concerto dos Muse em Portugal e, embora não tenha desiludido, começa-se a pedir alguma diversidade. Fãs que tinham cartazes a pedir faixas como “Assassin”, por exemplo, certamente não ficaram maravilhados.

Quem não esteve presente no concerto de ontem não perdeu nada em relação a espetáculos recentes da banda. Também nos quis parecer que a febre Muse tem vindo a desaparecer aos poucos. Terá sido do Rock in Rio-Lisboa? Do facto de ser mais uma feira popular do que um festival de verão?

De qualquer forma, são dúvidas que serão dissipadas no próximo ano, uma vez que a banda prometeu o regresso em 2019, algures no verão.

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