A RGG Studio explica como decidiu incluir Tupac Shakur em Stranger Than Heaven, revelando que a ideia surgiu através da presença de Snoop Dogg no jogo e após um processo de aprovação envolvendo a família e os responsáveis pelos direitos da imagem do rapper.
Em declarações ao Game Informer, a RGG Studio explicou como decidiu incluir Tupac Shakur em Stranger Than Heaven, naquela que foi uma das maiores revelações durante a transmissão do Summer Games Fest, afirmando que a ideia surgiu através da presença de Snoop Dogg no jogo e após um processo de aprovação que envolveu a família e os responsáveis pelos direitos da imagem do rapper. A presença do rapper surge numa prestação semelhante à de Snoop Dogg, que interpreta Orpheus, uma personagem descrita como importante nesta narrativa, mas ganhou particular atenção por envolver uma representação digital de um artista que morreu há quase três décadas.
Masayoshi Yokoyama, diretor na RGG Studio, explica que a ideia começou precisamente com a escolha de Snoop Dogg para o elenco, com a equipa a começar a explorar formas de aproveitar as ligações reais do rapper a outras figuras conhecidas para criar relações dentro do universo do jogo. “Snoop Dogg interpreta a personagem Orpheus, que é uma personagem bastante importante no jogo. Existem, na verdade, muitas personagens que têm uma relação com o Snoop no jogo e que ainda não anunciámos”, explicou Yokoyama. “Neste mundo existem muitas pessoas que, em termos do Japão, são outsiders, estrangeiros ou pessoas que vieram de outro país.”
Yokoyama conta que a ligação entre Snoop Dogg e Tupac acabou por surgir precisamente durante uma dessas conversas, com a equipa a questionar que pessoa poderia representar uma relação semelhante dentro e fora do jogo. “Quando escolhemos o Snoop Dogg para Orpheus, pensamos: ‘Temos o Snoop Dogg, uma pessoa incrível que tem todas estas relações interessantes na vida real. Queríamos trazer estas pessoas com ligações para diferentes papéis’”, afirmou. “Mas também discutimos com o Snoop: ‘E se tivéssemos uma pessoa que tivesse uma relação dentro do jogo e fora do jogo que, de certa forma, fosse um reflexo dessa relação?’”
De acordo com Yokoyama, o nome de Tupac surgiu através do próprio Snoop Dogg, embora tenha sido apenas uma das várias possibilidades discutidas pela equipa. A hipótese acabou por ganhar força precisamente pela importância da relação entre os dois artistas na cultura hip-hop. “Inicialmente, falámos com o Snoop e dissemos: ‘Temos esta personagem, precisamos de preencher este papel. Quem achas que seria uma boa escolha para este papel?’”, contou Yokoyama. “Depois, o nome do Tupac surgiu do lado do Snoop, mas foi algo que fomos discutindo em conjunto. Não foi apenas o nome dele, falámos sobre várias pessoas diferentes.”
A decisão acabou por ser recebida com entusiasmo dentro da própria equipa, pelo que conta Yokoyama, que reconheceu o impacto emocional que uma ligação entre Snoop Dogg e Tupac poderia ter no contexto do jogo. “Houve até pessoas dentro do nosso estúdio que disseram: ‘Bem, se o Snoop Dogg e o Tupac tivessem esta relação juntos no jogo, provavelmente iriam chorar porque seria algo muito especial!’”, acrescentou.
No entanto, antes de avançar com a inclusão de Tupac, a RGG Studio teve de garantir as autorizações necessárias. Yokoyama revelou que o estúdio contactou a família do rapper e os responsáveis pelos direitos da sua imagem para obter aprovação.
Yokoyama explicou também que a intenção da equipa não passa por recriar simplesmente a imagem de Tupac como todos se lembravam dele antes da sua trágica morte, mas sim imaginar como poderia ser a sua vida décadas depois, procurando construir uma representação respeitosa para com o seu legado, família e amigos. Um processo, que o produtor também assume como desafiante, dado que se trata de uma versão alternativa do artista. “Queríamos dizer: ‘Se ele ainda estivesse vivo hoje, 30 anos depois, como seria a sua forma de agir? Como se expressaria?’ É isso que estamos a tentar fazer: não olhar para o passado dele, mas para o seu futuro potencial.”
As explicações de Yokoyama não surgem como defesa às recentes críticas feitas ao estúdio pela inclusão de Tupac Shakur em Stranger Than Heaven, em eliminam o seu debate, mas ajudam a contextualizar o discurso em torno de um assunto sensível, num momento em que a utilização de recriações digitais de artistas e atores falecidos tem gerado discussões sobre limites criativos, direitos de imagem e preservação de legado, especialmente com a emergência de tecnologias como deepfakes e Inteligência Artificial generativa.
Correto ou não, Tupac estará de volta, mais uma vez, em formato digital, a 15 de janeiro quando Stranger Than Heaven for lançado no PC e consolas.
