Em noite fria de outono, aquecemos a alma com o rock romântico de The Lemon Twigs

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Os The Lemon Twigs apresentaram em Lisboa canções de Look For Your Mind! e clássicos recentes, numa noite de harmonias imaculadas, dança e nostalgia.

Texto: Maria João Cavadas; Fotos: João Ribeiro

Numa noite em que a MEO Arena, em Lisboa, se enchia para ver Fontaines D.C., foi pelo conforto de The Lemon Twigs que nos deixámos levar. A banda liderada pelos irmãos Brian e Michael D’Addario tinha estado nos Maus Hábitos, no Porto, na anterior noite de terça-feira, como parte da sua tour pela Europa, que terminará dentro de poucos dias.

Na sala secundária do LAV, em Marvila, espaço na capital para concertos de média dimensão, o mote foi dado pelos Mod Lang, à semelhança do que acontecera no Norte. A banda de Detroit, nos EUA, aqueceu o palco com uma sonoridade próxima à da banda principal, não fosse esta uma das suas influências. Borrowed Time, lançado em fevereiro deste ano, é o primeiro álbum da banda e traz-nos uma nostalgia de algo que nunca vivemos, com a sua inspiração no power pop e o rock n roll dos anos 60.

Num concerto promovido pela Primavera Tours, extensão da organização do Primavera Sound que promove o festival durante o ano, através da curadoria e organização de espetáculos, os The Lemon Twigs entraram em palco sem atrasos, às 22 horas. “My Golden Years” de A Dream Is All We Know (2024) encabeçou o doce e divertido alinhamento da noite. Seguia-se o single de 2025, “I’ve Got a Broken Heart”, e “What You Were Doing” de Everything Harmony (2023) e, regressando uns anos atrás, “The One” de Songs for the General Public (2020).

Pouco depois, entrámos na era mais recente da banda, com “My Heart Is In Your Hands Tonight”, seguida de “2 or 3” e “You’re Still My Girl”, de Look For Your Mind!, lançado em maio de 2026 e a ser promovido nesta tour europeia.

Com um alinhamento irrepreensível, num espetáculo sem apontamentos exagerados, o grupo presenteou-nos com uma dança entre instrumentos: o baterista, Reza Matin, empunhou uma das guitarras; os irmãos assumiram o par baixo-bateria; e o baixista, Danny Ayala, sentou-se ao teclado. Foi com a balada “Any Time Of Day” que abriram esta segunda parte do espetáculo, quase como se de uma peça de teatro se tratasse. Voltámos a dançar mais energeticamente com “They Don’t Know How To Fall In Place” e “A Dream Is All I Know”, ambos tirados do album homónimo do segundo tema.

De volta às posições originais, tocaram “Church Bells” e “Ghost Run Fre”, de Everything Harmony (2023), e “Nothin’ But You”, do mais recente álbum. Deixaram muita da discografia mais antiga de fora, e, consequentemente, sucessos como “These Words”, para desilusão de alguns.

O encore começou num formato íntimo, liderado pela guitarra e a voz mais-do-que-afinada de Brian D’Addario, que tocou os temas “If You Give Enough”, de Go To School (2018), e “Corner Of My Eye”, o maior sucesso do álbum de 2023.

A banda voltou a juntar-se para terminar o alinhamento com “Rock On (Over and Over)”, que interpretamos como um conselho depois desta hora deliciosa.

Os The Lemon Twigs provaram que não são precisos muitos apetrechos para a felicidade nos entrar na alma: letras românticas e esperançosas, harmonias vocais imaculadas e progressões harmónicas imprevisíveis mas que soam tão naturais como dançar bastaram para uma hora de sorrisos e aconchego, naquela que parecia uma viagem há 50 anos.

Echo Boomer
Echo Boomer
Conteúdo mais generalista e artigos de convidados, bem como de autores que não colaboram regularmente com o projeto.
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