Russian Circles no LAV – Lisboa ao Vivo: Headbanging sem máscaras

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E foi um belo serão.

Não foi em 2020, nem em 2021, mas quis o destino que 30 de abril de 2022 marcasse finalmente o regresso dos Russian Circles a Lisboa. Depois de um concerto esgotado no Hard Club, no Porto, o trio de post-metal de Chicago, Estados Unidos, subiu ao palco de um bem composto LAV – Lisboa ao Vivo para, finalmente, apresentar os temas do mais recente disco, Bloody Year, editado em agosto de 2019. Vejam bem o tempo que tivemos de esperar até ouvir os novos temas ao vivo.

Sem dizerem qualquer palavra do início ao fim do espetáculo – também não era preciso, diga-se -, os Russian Circles, nome incontornável na cena da música pesada instrumental, entraram em palco cerca de 15 minutos após a hora marcada. Enquanto se ouvia “Hunter Moon”, de Bloody Year, a viagem pelo post-metal começou logo de seguida com a destrutiva “Arluck”, arrancando desde logo os primeiros headbangings.

Mike Sullivan, Dave Turncrantz e Brian Cook, elementos que compõem o trio de Chicago, estão como peixe na água em palco. Mike está sempre concentrandíssimo, elevando o punho ao ar como forma de agradecimento ao público lisboeta; Brian Cook dava o mote para abanar a cabeça, com muitos a tentarem acompanhar; e Dave a marcar o ritmo com a sua bateria devastadora. Músicos habilidosos e em excelente forma.

Na verdade, demolidores é daqueles termos que assenta que nem uma luva aos Russian Circles. Com um jogo de luzes perfeitamente adequado a cada tema em específico, também a qualidade do som esteve ao nível, ainda que, por vezes, se ouvisse demasiado os amplificadores, não deixando o baixo de Brian Cook e a guitarra de Mike Sullivan brilharem. Mas ninguém pareceu importar-se verdadeiramente com isso, até porque o que se queria era ouvir barulho… e sem máscara. Este terá sido dos primeiros concertos em Portugal sem que fosse necessário utilizar obrigatoriamente máscara facial nos espaços fechados – algumas pessoas ainda usavam, note-se -, pelo que não deixa de ser algo emocionante notar que começamos a regressar a um período pós-pandemia.

Do mais recente disco também ouvimos “Quartered” e “Sinaia”, mas outros temas já considerados clássicos foram melhor recebidos, como “Afrika”, “Harper Lewis”, “Deficit”, “Vorel” e “Station”. Pode-se dizer que o LAV – Lisboa ao Vivo foi, a 30 de abril, alvo de um pequeno sismo musical. Uma atuação sublime, com tamanha intensidade e carregada de riffs abrasivos, dedicada aos temas mais frontais da discografia da banda que, ao vivo, ganham mais pujança.

O estado hipnótico no qual os Russian Circles nos deixaram acabaria com a também incontornável “Youngblood”, fechando com chave de ouro mais um belíssimo concerto na capital portuguesa. E tal como no início, saíram sem dizer uma palavra. Mas também: palavras para quê?

O post-metal está vivo e recomenda-se. Que venham mais vezes que estaremos lá para os apreciar.

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