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Reportagem: Moonspell no Lisboa Ao Vivo

O mote já tinha sido dado há algum tempo atrás. Afinal, este era o primeiro álbum cantado inteiramente em português pelos Moonspell, e, ainda por cima, inspirado no terramoto de 1755 que assolou Lisboa.

Dia 30, às 22h30, estava previsto o primeiro concerto de apresentação e celebração do novo álbum 1755 da banda portuguesa. Minutos antes da hora marcada, entrámos na sala e desde logo nos deparámos com um cenário animador: muitos fãs e muitos deles vestidos a vigor.

À hora marcada ouviram-se os primeiros acordes de fundo da versão orquestral do tema “Em Nome do Medo”, com o Convento do Carmo em pano de fundo. A pouco e pouco foram surgindo os elementos em palco, depois da sua família estar toda em palco, surgia finalmente Fernando Ribeiro, o mestre de cerimónias, envergando uma máscara de corvo.

Arrancam a todo o gás com a faixa-título do álbum, sentimos, desde logo, a comunhão entre o público e a banda. Homem de muitas palavras, o vocalista Fernando Ribeiro acabou por revelar que não queria falar muito devido a ser uma noite especial, mas acabou por comunicar bastante com o público, revelando, a pouco e pouco, como tudo aconteceu e o que os levou a inspirarem-se na tragédia para a conceção deste fenomenal álbum.

Logo após “1755”, vem a fantástica “In Tremor Dei”, que conta com a participação do fadista Paulo Bragança. O músico interpretou ao vivo este tema com Fernando Ribeiro, e, vestido a rigor, assistimos ali, num frente-a-frente, a um belo duelo de vozes.

“Desastre”, “Abanão”, “Evento” e “1º Novembro” foram os temas que se seguiram, quase como se estivéssemos a reviver o cataclismo daquele ano. Se em álbum são poderosas, ao vivo estas músicas ganham nova pujança, percebendo-se que os Moonspell vestiram facilmente esta “nova” pele. Debitam cada acorde com a facilidade do costume, e, com a voz de Fernando Ribeiro no ponto, pareciam temas que já eram executados há muito tempo.

Continuando na era do terramoto, fomos até às “Ruínas”, para, logo depois, nos chegarem “Todos os Santos”, porventura um dos melhores temas deste novo álbum dos Moonspell. Terminámos o regresso ao passado com a “Lanterna dos Afogados”, que faz referência “a uma luz no túnel”.

E podia ter acabado por aqui, teria sido uma belíssima noite em que passámos da catástrofe à bonança. Mas os Moonspell não estavam satisfeitos, nem sequer o público, pelo que houve um regresso a temas já muito populares da banda internacional portuguesa.

“Agora vamos regressar ao passado dos Moonspell, relaxar e aproveitar alguns dos nossos clássicos”, referiu o vocalista, que aproveitou para dizer que todo o concerto tinha sido uma produção da própria banda.

Moonspell

Nesta que foi a primeira noite de apresentação do novo álbum, o público foi ainda brindado com memoráveis performances de “Everything Invaded”, “Night Eternal”, “Extinct”, “Em Nome do Medo”, “Alma Mater” e “Fullmoon Madness”, que termina sempre em beleza cada concerto dos Moonspell e com Fernando Ribeiro munido de baquetas a bater nos pratos da bateria.

Esta foi uma noite para mais tarde recordar. Mas quer-nos parecer que o público da segunda teve um pouquinho mais de sorte porque, segundo nos contaram, apareceu por lá Rui Sidónio, dos Bizarra Locomotiva, para tocar uma versão bem mais agressiva de “Em Nome do Medo”.

Da nossa parte não temos queixas a registar. Foram duas horas muito bem passadas junto da família Moonspell, que continua a deixar sorrisos e a criar momentos de headbanging entre a sua alcateia, numa reunião para recordar as vítimas do famoso acontecimento que marcou Lisboa em 1755. O novo álbum já está disponível e pode ser adquirido nas lojas e escutado nas demais plataformas de streaming.

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