IDLES no Coliseu dos Recreios – Punk Drunk Love

Veremo-nos em breve, em Paredes de Coura.

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Foi num ambiente de banda certa no momento certo para ser vista ao vivo que se entra no Coliseu dos Recreios. A energia é, figurativamente, palpável, depois do aquecimento feitos pelas Witch Fever, banda punk grunge de Manchester (merecem bem uma escuta), e pelos pós punk dos norte-americanos Bambara. Não são os Porridge Radio do nosso contentamento que estariam previstos para 2021, mas quem quisesse tinha papinho cheio deste estilo de música, com início logo pelas 20h. Uma tournée levada a sério, coisa à moda antiga.

O Coliseu dos Recreios não é um clube escuro onde se respire punk, mas o ambiente cheio que nem um ovo faz-nos, por vezes, esquecer desse facto. É, de facto, o grande todo o terreno de Lisboa, com a vantagem da patine centenária. A excitação é grande e os adiamentos ajudaram à ansiedade de ver os IDLES, numa lógica já não de curiosidade festivaleira em que só uma percentagem de fãs ia assistir com a lição bem estudada. Aqui a historia já é outra, sabe-se bem ao que vai e é por isso que se vai lá.

E ao bom estilo do género, entra-se em força com o malhão de “Colossus”, que por sua vez inaugura Joy as an Act of Resistence, o álbum de 2018 que elevou os Bristol para o proverbial outro patamar. É mistura de suave e bruto, mensagem política e tontice, cartão-de-visita para um agrupamento que está a surfar o zeitgest da época. 

Até por isso, Joe Talbot, vocalista, remete mensagens de partilha, perguntando se “Do we speak the language of love”, para pouco depois começar aos gritos com a multidão. É uma mistura incomum, mas como uma peça de Harold Pinter, não deveria funcionar e porém funciona à mesma.

“Mr Motivator” é grande motivo para arrancar saltos, tema saído de Ultra Mono, disco que não vai fazer parte dos favoritos, mas mostra que não deve ser esquecido. Como acontece com os Sleaford Mods, primos de Nottingham, são letras de contestação social e comentário à realidade do Reino Unido, sendo aqui talvez menos proletário a influência da costa sul mais evidente.

Outro dos lados mais curiosos e que mais humaniza os IDLES é a constante citação de sucessos de todo o género e feitio, desde “Hey Jude” a “Time of My Life”, ou ainda a recuperação de “Spin Me Like a Record” dos Dead of Alive. No fundo são o maior grupo de baile do mundo, o lado entertainer, numa lógica quase de music hall das estãncias de verão britânicas. Como evidência, a certa altura, Lee Kiernan, um dos guitarristas, faz questão de dar show de proximidade nas bancadas, e o público grita.

A meio, “Never Fight a Man with a Perm” continua a ser um dos momentos maiores, uma grande síntese do que são os IDLES. Na bateria, Jon Beavis é o marcador acelerado que faz rugir o motor da banda, trabalhador incansável. É deliciosamente ritmado e tolo, irresistível.

Pouco depois vem “The Wheel”, onde o lado confessional de Talbot aparece de novo, com histórias de vícios de família e do seu impacto nos membros mais frágeis. Quer o disjuntor esteja para cima ou para baixo, o público está sempre na mão, em comunhão total e solidária, de quem sabe ou tem empatia pelo que se está a falar. 

“Im Scum” é outro grande momento alto, tudo a cantar o refrão mas ninguém a levar a sério, auto-depreciação irónica longe das profundidades melancólicas dos Radiohead. Afinal nós aqui dentro somos os bons. Até dá para Joe Talbot cantar com alguém às cavalitas. Fecha-se com “Danny Nedelko”, amigo da Ucrânia, e “Rottweiler”.

Em Paredes de Coura, em agosto, é desligar da nota artística de querer ouvir bem e ir direitinho para as grades para a moshada. Só se espera que não chova. Por outro lado está a fazer falta, por isso se acontecer também não faz mal. O que interessa é fazemos a festa juntos.

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