O Capitólio encheu para “ressuscitar” António Variações

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E no final de contas, a música ganhou à tecnologia.

Texto de: João Dias

Quando Armando Teixeira entrou nas famosas cassetes de António Variações, gravadas na casa de banho ou na garagem de forma totalmente amadora para compor a banda sonora do filme Variações, assistimos a uma nova consagração e regeneração da obra deixada pelo músico.

Foi depois da peça de teatro Variações, de António, que Sérgio Praia foi o eleito para reavivar o legado do cantor nascido em Amares. A entrega e a composição avassaladora do ator não deixou ninguém indiferente e faz-nos pensar que a sua fortíssima presença acaba mesmo por se impor à imagem que guardamos desse ícone do meio musical lusitano.

Na noite da passada terça-feira, dia 5 de julho, no Capitólio, em Lisboa, com a banda do filme em palco, naquele que seria o primeiro concerto de um cantor português em holograma (falaremos adiante), contemplámos uma nova celebração num público decomposto em gerações bastante diversificadas. De um lado, a nostalgia evidente de quem viu o cantor partir precocemente aos 39 anos, e do outro, aqueles que gostariam de recuar no tempo e dançar a liberdade que o músico transpirava.

Dizia o músico na altura: “Variações é uma palavra que sugere elasticidade e liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos.”

E é nas letras que está o grande tesouro. As letras e a simplicidade tornam o músico universal, comovendo qualquer faixa etária presente nesta noite quente de verão.

Sérgio Praia emana Variações em palco e desde logo se percebe o contágio musical disseminado pela plateia quando entoa temas como “Toma o Comprimido“, “Visões-Ficções”, “O corpo é que paga“, “Anjo da Guarda” e “Estou Além” (canções cantadas efusivamente e em uníssono) , percebendo-se os mais de 50 concertos realizados pela banda após o sucesso cinematográfico, não existindo nada a apontar ao exímio e oleado comportamento da banda liderada pelo ator.

António “ressuscitou” na terça feira, dia 5 de julho, 38 anos depois do seu último concerto na feira da Isabelinha em Barcelos, e foi através da “Canção de Engate“, ao fim de mais de uma hora de concerto, que vislumbrámos o cantor português em forma de holograma no evento criado pela Samsung para explorar as características e funcionalidades de captação de imagem e vídeos em ambientes da baixa luminosidade que o novo Galaxy S22 apresenta.

Foi colocada uma tela transparente sobre o palco com os projetores dispostos paralelamente numa das laterais do capitólio para fazer renascer um corpo e a voz – de Sérgio Praia no filme Variações – e a cara do ícone português de forma “tosca“ e sem capricho, criando uma ilusão falsa na plateia que viu o concerto quase ser interrompido para a montagem da tecnologia.

Desencanto e desilusão são os dois adjetivos a aplicar para a campanha imaginativa criada pela marca coreana, não só pelo facto de retirar alma a um concerto que entregava música a cada minuto, mas também pela expectativa criada em torno de uma tecnologia que não existiu.

Uma coisa é certa: a música do Antonio Viverá para sempre nos nossos corações.

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